Em uma reunião de condomínio em um prédio de mais de cem unidades nos anos 1960, que era administrado pela CIPA, o nome da empresa era constan-temente citado, ora para elogios ora para críticas (ainda bem, pois como dizia o escritor Nelson Rodrigues, “toda unanimidade é burra”), quando se levantou um senhor corpulento e falou alto e firmemente para os presentes: “Precisamos ouvir essa senhora!” Ninguém contestou, houve um silêncio total e temeroso.
Pois bem, a tal senhora, que na verdade era a CIPA, completa, no dia 23 de abril, Dia do Síndico, 55 anos. Ela continua forte, esperançosa e cheia de projetos com a jovem terceira geração que nela trabalha respaldada por dois jovens senhores que a acompanham desde a fundação.
A história da CIPA é ligada a quatro homens, o primeiro, Mário Mendonça Carneiro da Cunha, empresário nordestino que chegou ao Rio sem nada e criou, com tenacidade e trabalho incansável, um pequeno império composto por bancos, companhias de seguro e negócios de automóveis, entre outros. Mais tarde entram nessa história seus filhos, Mário e Newton, e seu genro, Bráulio.
Mário Mendonça Carneiro da Cunha era o mais importante representante Ford do Brasil e trouxe também, da Holanda, os automóveis Kaiser e Frazer, que chegavam ao Rio em navios lotados de carros para suas agências.
Os filhos Mário e Newton eram pequenos e, portanto, o pai trabalhava só. Era muito centralizador e, aos 50 anos de idade, com um imenso patrimônio conquistado, decidiu parar. Estava cansado. E assim ficou por uns dez anos, quando o filho mais velho, Mário, desejou se casar e, para tanto, precisava tra-balhar. O patriarca fundou, então, um negócio de administração de bens no 14º andar da Rua México, 21. Assumiu a presidência para dar credibilidade à empresa e colocou o filho para captar condomínios para serem gerenciados pela nova administradora.
O pai nunca lhes deu mesada, dava trabalho. Segundo Mário, o filho, seu pai os ensinava a pescar e, para isso, pescava junto. “O que somos devemos, em grande parte, a ele. Eu era bom vendedor, bom de conversa. Corria as obras que estavam sendo finalizadas, procurando os construtores para oferecer a admi-nistração do prédio”, lembra. A CIPA começou suas atividades administrando um pequeno prédio em Vila Isabel e três apartamentos de uma senhora chamada Maria Leonida Martine.No entanto, Mario sentia-se só. “Eu sabia que nosso futuro estava em convencer meu irmão, Newton, empresário nato, que trabalhava em outra organização da família, a Agência São Cristóvão (Ford), negócio sólido e tranquilo, a trabalhar comigo”, conta o primogênito.O convite foi feito, e Newton juntou-se ao irmão na CIPA. Topou o desafio e largou o certo pelo que ainda estaria por vir, o futuro. “Preparei a mesa dele e caímos em campo com força total. Eu ia para a rua trazer os negócios, ajudado por um amigo (já falecido), Bernardo Matz, que era dono de uma firma que abastecia de material de construção cerca de 70% das construtoras do Rio. Ele costumava dizer nas construtoras: ‘Seu prédio já tem administradora? Não? Então dá para esse menino que a firma dele é muito boa’. Newton recebia o novo cliente e cuidava de tudo, oferecendo as possibilidades de desenvolvimento da empresa”, relata Mário, orgulhoso.
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