
'Big brother' nas garagens
O Dia, 19/jul
A polêmica quanto a garagens de edifícios, que inclui uso de vagas além do permitido, furtos, danos e condutas que atrapalham vizinhos, como prender o carro alheio, vem sendo minimizada com novos sistemas à disposição no mercado. Além disso, o espaço é considerado um dos pontos mais vulneráveis dos edifícios, devido à lentidão dos portões em abrir e fechar. Mas a tecnologia tornou-se aliada na solução do conflito condominial.
Segundo o especialista em Segurança Predial do Secovi Rio, Raimundo Castro, se o condômino tem direito a apenas uma vaga e quer parar mais um carro será barrado pelo novo modelo.
Isso porque o portão só será aberto se não houver veículo estacionado no espaço. "A implantação do sistema tem custo acessível, variando de R$ 5 mil a R$ 6 mil. Os moradores também precisam adquirir os tags de controle. A peça custa em torno de R$ 180", explica Castro.
A diretora do Siese-RJ (Sindicato das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança do Estado do Rio de Janeiro), Denise Mury, afirma que esses equipamentos servem para "organizar" o acesso ao condomínio. "Vaga de garagem é um problema crônico nos prédios", diz. Ela comenta que houve aumento de 20% na procura pelo sistema, no primeiro semestre, na comparação com o mesmo período ano passado.
Denise ressalta que existe um sistema que lê a placa do carro para liberar a entrada. A câmera capta a imagem e o software identifica a placa, abrindo o portão. Nesse caso, o investimento gira em torno de R$ 30 mil. Ela recomenda uma consultoria em segurança para que seja desenvolvido projeto respeitando o caixa e as particularidades do condomínio.
O síndico do condomínio Bosque do Gabinal, José Arnaldo Laviano, é um dos adeptos do controle de acesso a garagem por meio do tag e de câmeras. Ele conta que o sistema funciona como o passe expresso da Linha Amarela. Laviano lembra que a gestão anterior à dele usava um modelo que acabava permitindo que os porteiros alugassem vagas no prédio no período da noite.
"Agora, usamos o tag. Mesmo que a pessoa queira sair com a peça para colocar outro carro, isso não será possível, porque o aparelho instalado permite o controle da massa, ou seja, o peso do veículo. Significa que o carro que entrou terá que sair. Não basta só o tag", diz Laviano, que também implantou o acesso digital nas partes comuns do prédio - medida que reduziu em 90% o vandalismo.
Furto: tema controverso para a Justiça
Outro tema polêmico que envolve a garagem é o furto nos veículos. A consultora jurídica do Secovi Rio, Corina Costa, ressalta que o posicionamento do Judiciário ainda é controverso quanto à responsabilidade do condomínio pelo prejuízo sofrido por morador que teve veículo danificado ou furtado.
Existe entendimento no sentido de que o condomínio não responderá pelos danos causados nas seguintes hipóteses: havendo cláusula de não indenizar na convenção; não existindo segurança na área da garagem (circuitos internos ou empregados destinados à vigilância local), por determinação da assembleia; se não for comprovado que o sinistro ocorreu realmente na dependência do prédio. O Secovi Rio lembra ainda que o problema surge quando não é possível identificador o causador do dano.
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