Login
Senha 

Adesão Débito Automático
Consulte Ações Jurídicas


Túnel Charitas-Cafubá vai mudar ordem urbana

O Fluminense, 09/ago

Com objetivo de desafogar o trânsito na cidade e facilitar o tráfego entre a Região Oceânica e a Zona Sul da cidade, as obras para a construção do Túnel Charitas-Cafubá devem começar nos primeiros meses de 2010, segundo afirma a assessoria da Prefeitura de Niterói.

A construção promete grandes mudanças, principalmente nos bairros próximos, além da expansão do setor imobiliário, motivado pelo melhor acesso à Região Oceânica.

De acordo com o presidente do conselho fiscal da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Niterói (Ademi-Niterói), Ronaldo Gabry, as expectativas são muito positivas.

"Sem dúvida, com a implantação do túnel haverá modificações no setor de imóveis. A procura pela Região Oceânica já é crescente e, com mais essa facilidade, vai ser ainda maior. O cliente está sempre à procura de conforto na escolha da moradia", comenta.

Ronaldo esclarece as vantagens na opção pela Região Oceânica:

"Houve tempo em que a região não oferecia grandes possibilidades aos moradores, mas atualmente existe uma estrutura completa, com bancos, supermercados, e todos os serviços; o morador não precisa se preocupar".

As modificações no trânsito podem também alterar a rotina dos moradores de Charitas e São Francisco, como explica o vice-presidente de Relações Externas da Ademi-Niterói, Fernando Policarpo de Oliveira:

"O túnel vai beneficiar, principalmente, a Região Oceânica, mas para moradores de Charitas pode ser prejudicial; a população terá de se acostumar com o aumento do fluxo. Em São Francisco, acredito que não serão percebidas grandes mudanças, afinal, o bairro já tem intensa movimentação dos bares e serviço".

Recorrência - Diante das expectativas de um crescimento populacional, aumenta também a preocupação com o planejamento urbano da cidade, já que surgem condomínios e, consequentemente, aumenta a circulação de veículos. Para o diretor da Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (UFF), Gerônimo Emílio Almeida Leitão, a construção de um túnel pode apenas resolver problemas de curto e médio prazo.

"Incorporar um túnel para uma área de difícil acesso oferece facilidades apenas para o transporte individual. O aumento do fluxo demanda mais malha viária nas vias existentes.

Será que Icaraí atende a essa demanda? Com um projeto de malha consolidada, fica difícil o alargamento. A abertura de um túnel é romper uma barreira física, diminuindo a distância", comenta.

O professor também cita as mudanças imediatas que poderão ser percebidas:

"Em primeiro momento, ocorre uma redução de trânsito, resolvendo parcialmente os problemas de engarrafamento. Mas a melhoria atrai o interesse dos investidores imobiliários, principalmente em locais que têm a natureza como referência. E aí, surge a concentração populacional, que vai acarretar nos mesmos problemas anteriores".

Defesa - Segundo o ex-prefeito da cidade e professor de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (UFF), João Sampaio, o túnel é um benefício para a população e uma necessidade antiga, desde o planejamento elaborado em sua gestão, de 1993 a 1996.

"Existe um conjunto de medidas necessárias que pode melhorar as condições de trânsito na cidade, e essa é uma delas. Porém, o atual traçado planejado pode ser prejudicial, porque lança o fluxo diretamente no corredor hidroviário. De qualquer maneira, é um ganho importante para a cidade", avalia.

De acordo com a secretária municipal de Urbanismo, Maria Christina Figueira Monnerat, todos os aspectos de mudanças que vão advir da abertura do túnel estão sendo levados em consideração.

"Acreditamos que a posição a ser tomada deve refletir a ideia de que não apenas a questão do trânsito deve ser analisada. Para que se possa conquistar conforto adequado e melhor mobilidade urbana, no processo de acessos à Região Oceânica, é fundamental que os projetos analisem todas as interferências no trajeto. Estão sendo estudadas reavaliações das vias, das calçadas, das ciclovias, dos estacionamentos e do uso turístico da orla, desde os quiosques, passando pelos restaurantes e até à estação hidroviária de Charitas", diz a secretária, para concluir:

"As mudanças estão sendo estudadas criteriosamente, com várias outras secretarias".

Planejamento deve visar soluções de longo prazo

As iniciativas de planejamento urbano para garantir a qualidade de vida da sociedade devem levar em conta o longo prazo, ou seja, medidas que facilitem a vida do cidadão de maneira permanente. Para isso, um conjunto de fatores precisa ser levado em consideração.

De acordo com o professor Gerônimo Emilio Almeida Leitão, diretor da Escola de Arquitetura e Urbanismo da UFF, na maioria das regiões brasileiras ainda são utilizados padrões de desenvolvimento urbanos atrasados, supervalorizando construções, túneis, viadutos, o que contribui para o aumento do transporte individual.

É um caminho que vai contra a linha de preservação ambiental, a qualidade de moradia, entre outros fatores, que já são compreendidos em diversos países desenvolvidos.

"Se os investimentos públicos fossem planejados, com estratégias voltadas para o desenvolvimento dos transportes coletivos, como o aumento das linhas de metrô, por exemplo, não teríamos a absoluta falência dos transportes públicos, em que a pessoa prefere comprar um carro para garantir seu conforto, para não ter que se utilizar dos coletivos, que não oferecem boas condições", critica.

O professor também avalia as possíveis modificações urbanísticas que pode se tornar inevitável, não apenas em Niterói, mas em várias outras cidades do Estado:

"Da maneira como são planejadas as supostas saídas para os problemas relacionados aos transportes, o sistema de rodízio de automóveis aplicado em São Paulo pode se tornar inevitável no Rio de Janeiro", avalia, lembrando a regra que vigora na capital paulista.

Rodízio - Lá, desde outubro de 1997, foi implantado o rodízio municipal de veículos, inicialmente com o propósito de melhorar as condições ambientais, reduzindo a carga depoluentes na atmosfera. Há uma escala que determina em quais dias da semana, e quais veículos não podem circular, conforme o último dígito da placa do veículo.

A circulação é livre nos finais de semana, períodos de festas, férias de verão, dias úteis intercalados com feriados e demais ocasiões em que ocorre uma redução no volume de tráfego da cidade.