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Novos edifícios de luxo atraem a elite carioca

Gazeta Mercantil, 22/jan

Os ícones do mercado de luxo carioca - Cap Ferrat, em Ipanema, Juan Le Pins, no Leblon, e Golden Green, na Barra da Tijuca - ganharam grandes concorrentes nos últimos anos. São projetos que contemplam edifícios sofisticados, terrenos imensos e unidades inteligentes, que estão à venda por pelo menos R$ 1 milhão. A advogada Andréia Legora, de 30 anos e mãe da recém-nascida Giovanna, acaba de se mudar da cobertura que morava no prédio Next, no Posto 5 da Barra da Tijuca, para o Península, às margens da Lagoa da Tijuca. "O Next é um local muito bom, e por ser perto da praia, fica ao lado do agito. O Península, por sua vez, é um empreendimento mais voltado para a família, ideal para mim que agora estou aumentando a minha", conta a advogada.

Andréia ainda está envolvida com os últimos retoques do apartamento, mas diz que já se sente morando em um resort fora da cidade. A diferença é que ela conta com bons acessos para ir até o centro, onde trabalha. "Outro ponto que me atraiu muito no Península foi a tecnologia empregada na questão de segurança, que permite, via internet, que eu acompanhe, por exemplo, a babá passeando no jardim com a minha filha. Além disso, o fornecimento de energia e água é controlado por computador, sem contar a captação e reaproveitamento da água da chuva." A advogada considera que, com todos os benefícios que o empreendimento oferece, o condomínio de R$ 1,4 mil é até barato. Ela revela que pagou pouco mais de R$ 2 milhões pelo apartamento, e que o antigo imóvel será alugado.

"O mercado de luxo vem crescendo muito e, apesar da crise, continua existindo uma demanda grande", avalia Paulo Fabriani, vice-presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro (Ademi-RJ). É verdade que a constatação de que a crise mundial é muito maior do que uma simples marolinha tornou o setor imobiliário mais cauteloso com relação a compras de terrenos e lançamentos. Fabriani acredita que o receio se justifica, mas pondera que os compradores de alto padrão construíram um conceito de vida que dificilmente será abalado pela turbulência financeira.

Os números de lançamentos de imóveis residenciais de luxo no Rio mostram que o segmento esteve aquecido nos últimos anos. Em 2005, foram lançados 330 empreendimentos que custavam mais de R$ 1 milhão. Nos dois anos seguintes, houve uma ligeira queda nesse montante: em 2006, foram 278, e em 2007, 296. Até novembro do ano passado, tinham sido lançados 174 imóveis. "A crise fez com que as empresas colocassem o pé no chão, mas os sonhos de comprar um imóvel de luxo continuam aí. É por isso que eu acho que o mercado só tende a crescer", analisa Fabriani.

O vice-presidente da Ademi-RJ acrescenta que os compradores desse nicho procuram qualidade de vida, acesso a tecnologias, segurança e exclusividade. "Diferentemente do que as construtoras pensam, esse público não precisa de áreas comuns. É bem possível que alguns moradores nunca tenham usado a academia." Fabriani acrescenta que o mercado carioca é parecido com o paulista. Não no tamanho, já que é dez vezes menor, mas na exigência da qualidade. A diferença entre as duas capitais fica por conta da vista privilegiada dos cariocas que podem escolher entre mar, lagoa e mata.

A quadra da praia de Ipanema, por exemplo, abrigará o novo empreendimento da Concal, o Conde Mallorca. A construção do edifício residencial de seis andares começa em março e é esperado um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 22 milhões. Por causa da proximidade do mar, o valor do terreno atinge um valor estratosférico: R$ 14 mil o metro quadrado. "O nosso empreendimento é voltado para o público AAA que não abre mão de morar perto da praia", afirma Rodrigo Conde Caldas, vice-presidente da construtora carioca. As unidades, que custam em torno de R$ 3 milhões, estão ainda em fase de pré-lançamento. Mesmo assim, três apartamentos já foram vendidos.

Depois de 15 anos sem lançamento imobiliário na região, o novo empreendimento supre essa falta com uma área de lazer que conta com piscina, bar, salão de festas, espaço gourmet, spa, sauna a vapor, solarium, playground, espaço zen e fitness. "O público AAA gosta de novidades tecnológicas. Por isso, vamos instalar monitoramentos à distância, como smarthydros, biometria e aspirador central", diz Conde Caldas.

Voltado para o mar e para a lagoa da Tijuca, o Riserva Uno - empreendimento da RJZ Cyrela, em parceria com a Plarcon e Inpar - está em fase final de construção, sendo que 75% dos apartamentos já foram vendidos. "O Riserva Uno é, sem dúvida, o empreendimento mais luxuoso do Rio", declara Marcel Vieira, diretor de vendas da RJZ Cyrela. Segundo ele, os atributos justificam o título. "A vista é deslumbrante, o acabamento é exclusivo e apenas 11% do terreno é ocupado pelas cinco torres."

As 210 unidades - que medem de 290 m a 550 m - custam entre R$ 2 milhões e R$ 7 milhões, e o VGV deve chegar a R$ 500 milhões. A entrega das chaves ocorre em abril. "O mercado de luxo não sofreu impactos com a crise, porque os compradores fazem pagamentos à vista ou com financiamentos curtos", explica Vieira.

A decoração é outra característica importante do empreendimento. Assinada por arquitetos renomados como Débora Aguiar, Ana Maria Vieira Santos, Ivan Rezende, Carlos Hansen, Luiz Fernando Redó, Vicente Gifonne, Fernanda Pessoa de Queiroz e Bárbara Filgueiras, todas as áreas têm projetos que buscam o equilíbrio entre arquitetura, design e natureza.

Grande projeto

A Barra da Tijuca possui outro forte concorrente ao posto de mais luxuoso condomínio da capital fluminense. O Península é um empreendimento de 780 mil metros quadrados que conta com edifícios residenciais de diversas construtoras, entre elas, Carvalho Hosken, Calçada e RJZ Cyrela. "É como se fosse a Urca: apenas uma entrada e uma saída", compara Ricardo Corrêa, diretor de marketing da Carvalho Hosken. O terreno possui dois parques, de 45 mil metros quadrados cada, nove quadras de tênis, campo de futebol society, campo de minigolfe e um enorme museu a céu aberto com réplicas de Apolo e Daphne, do escultor italiano Gian Lorenzo Bernini, e da famosa Vênus de Milo.

Outra vantagem do Península é, como disse a advogada Andréia Legora, a segurança. "Nas avenidas mais famosas do Rio, como a Vieira Souto, o poder público não consegue conter problemas como prostituição e assaltos. No empreendimento, além da segurança privada, há uma espécie de miniprefeitura, garantia de que o local não vai se deteriorar", diz Corrêa. O bairro-condomínio que fica atrás do Barra Shopping também é um dos primeiros ecologicamente planejados.

Hoje, das 60 torres que serão construídas, 32 já estão prontas e o restante deverá sair do papel em dois anos. O VGV estimado é de R$ 4,2 bilhões e o preço do metro quadrado é, em média, R$ 5,5 mil. Segundo Corrêa, 80% dos apartamentos construídos já estão ocupados por empresários e profissionais liberais da classe AAA, provenientes de outros bairros, ou da própria Barra, como Andréia Legora e sua família.

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