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Mercado imobiliário de luxo confirma ciclo de crescimento

Jornal do Commercio, Paulo César Ximenes, 29/set

Não é só o mercado imobiliário popular que vai de vento em popa no Brasil. No outro extremo deste setor, existe um mundo que nem viu sinais da crise econômica que assustou os Estados Unidos e a Europa. O mercado de imóveis de alto luxo no Brasil passou sem problemas pelo segundo semestre do ano passado, quando as turbulências nas bolsas de valores globais atingiram o ápice, e continua crescendo com consistência neste ano.

A previsão é de que o volume de vendas de imóveis deste segmento se ampliem em 23% em 2009, na comparação com o ano anterior. Motivos para essa expansão não faltam. Além de a economia brasileira ter se mostrado bem preparada para enfrentar a escassez de liquidez que ocorreu no resto do mundo, esse público vem de um ciclo de mais de cinco anos de forte crescimento econômico. Neste período, acumulou recursos, viu seu patrimônio aumentar e agora aplica na melhoria de sua qualidade de vida.

No mercado do Rio de Janeiro ainda há outro fator específico que contribui para o bom momento do segmento de luxo. A ampliação da área geográfica de imóveis para o público de altíssima renda, com lançamentos de peso na Barra da Tijuca. Esse movimento ampliou o mercado imobiliário de luxo para além das tradicionais Vieira Souto e Delfim Moreira.

Um exemplo disso foi o lançamento do Riserva Uno, que atingiu um valor de venda de aproximadamente R$ 300 milhões nos últimos dois anos. Nas próximas semanas teremos o lançamento do Disegno Casas Boutique, que inaugura um novo nicho no segmento de alto luxo com foco no design, personalização e serviço. O empreendimento sequer foi lançado e já foram vendidos 25% dos imóveis. São 22 unidades super-exclusivas em um condomínio com equipamentos inéditos no Brasil. Os valores das casas de até 800 metros quadrados vão de R$ 2,5 milhões a R$ 4,6 milhões.

Neste tipo de empreendimento imobiliário, contribui para o sucesso não só o público que troca de imóveis, em média, a cada sete anos, e quer melhorar a qualidade de vida após esses últimos anos de pujança econômica no país, mas também os investidores que procuram um porto seguro e rentável para aplicar parte do seu capital. Neste cenário atual de juros declinantes, com a renda fixa cada vez menos atrativa, os investidores buscam maior rentabilidade e segurança.

Essa busca por rentabilidade e segurança nos imóveis foi vista em outros períodos de instabilidade dos mercados, tanto no Brasil como no resto do mundo. A velha máxima de que o investimento mais seguro é em "terra" sempre é lembrada por compradores de todos os níveis de renda.

A participação do investidor estrangeiro no mercado imobiliário de luxo brasileiro, principalmente no do Rio de Janeiro, também tem contribuído muito para o crescimento do setor e já responde por 20% das vendas neste segmento. Pesquisa anual da Associação Americana de Investidores Estrangeiros em Imóveis (Afire, na sigla em inglês) indicou o Brasil como o segundo destino mais atraente do mundo para seus investimentos em 2009.

O Brasil subiu dez posições em relação ao ranking anterior e ocupou o lugar da China na pesquisa passada, só ficando atrás dos Estados Unidos. É preciso lembrar que no mercado americano, onde a crise financeira começou exatamente em um segmento do mercado imobiliário, os preços dos imóveis desabaram no último ano, deixando assim um espaço potencial para altas significativas.

A pesquisa da Afire também indicou uma disposição maior de investidores e financiadores a aumentarem seus investimentos no setor imobiliário em 2009. Segundo o levantamento, os investidores planejam aumentar sua atividade em 40%, no mundo, e em 73%, nos Estados Unidos. Já as agências de crédito hipotecário pretendem elevar a concessão de crédito global em 54%. Nos EUA, essas empresas esperam que a ampliação do crédito fique em 58%.

Para o mercado de luxo, especificamente, é importante notar que o Brasil ainda se encontra em uma posição favorável para investimentos no cenário internacional, com preços mostrando potencial de valorização extraordinário. Segundo pesquisa da Global Property, publicada em maio, sobre os metros quadrados mais caros do mundo, Rio de Janeiro e São Paulo figuram em posições que mostram que os preços de imóveis desta categoria ainda estão baixos em comparação com os destinos mais valorizados do mundo.

Na listagem "World"s Most Expensive Residential Real Estate Markets" (Mercados Imobiliários Mais Caros do Mundo) de 2009, feita pela Global Property, o Rio de Janeiro está na 76ª colocação e São Paulo na 89ª. As posições, demasiadamente modestas para as principais cidades do País, que obtém a 20º economia do mundo, mostram a clara perspectiva de valorização. As cidades que ficaram com os três primeiros lugares da pesquisa são Monte Carlo (com preços médios do metro quadrado de US$ 47,5 mil), Moscou (US$ 20,8 mil) e Londres (US$20,7 mil).

Por todas essas condições, o mercado imobiliário de alto luxo no Brasil e, sobretudo no Rio de Janeiro, só tem confirmado ou superado todas as expectativas de crescimento e mostra que este ciclo de expansão está apenas começando.

 

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