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Fato relevante: favelização


O Globo, 10/jan

Finalmente, as autoridades resolveram encarar de frente o problema da favelização no Rio e em outros municípios do Estado com áreas em situação de risco ocupadas. Décadas de liberalidade, populismo, dificuldades econômicas e falta de programas habitacionais relevantes levaram o processo de degradação urbana e ambiental a um ponto intolerável. Além de vulneráveis a desastres da natureza, muitas favelas cresceram de maneira que não possibilita a chegada de serviços essenciais. No entanto, a demagogia política acabou sedimentando fortes barreiras contra a remoção, o que estimulou mais invasões em áreas de risco, e expansão de comunidades antes relativamente pequenas.

Catástrofes naturais, que só no Estado do Rio tiraram a vida de mais de 70 pessoas desde o início do ano, aceleraram a decisão das autoridades de remover ocupações irregulares. Nesse sentido, é alvissareiro o anúncio feito pela Prefeitura do Rio de realocar quase 13 mil moradias até 2012. Já neste primeiro trimestre começarão os trabalhos de remoção de 119 favelas. Se cumprido o programa, em 2012 estará desocupada, no total, uma área maior que a do bairro do Leblon. Em Angra dos Reis, que teve o seu centro histórico degradado por ocupações de encostas, também serão realocadas centenas de famílias, assim como na Baixada Fluminense, onde será necessária a construção de três mil novas moradias. Vale destacar que tal programa não deverá repetir os erros dos anos 60, quando não houve a preocupação de se preservar questões positivas dessas comunidades, como, por exemplo, laços de vizinhança. A proposta defendida pelas autoridades municipais do Rio envolve um leque de opções, procurando encaixar as pessoas remanejadas em programas habitacionais em curso, de acordo com seus níveis de renda.

O momento não poderia ser mais adequado para a iniciativa, pois o país está em fase de recuperação econômica, e o Rio, especificamente, tem ótimas perspectivas pela frente, com a realização, na cidade, de diversos grandes eventos internacionais (sem contar que hoje o Rio é a capital da indústria do petróleo). Recursos não faltarão. O programa, porém, não pode ser vítima da inércia da burocracia e tem de servir para acelerar a revisão do sistema de transportes de massa, eficaz antídoto contra favelização.


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