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Hoteleiros e construtores em rota de colisão

O Globo, 15/mar

Ninguém sabe ainda quais partidas o Rio vai sediar na Copa de 2014, mas a primeira disputa por conta dos jogos já está sendo travada na cidade por dois times de peso: a Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH-Rio) e a Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi).

Ambas defendem modelos diferentes para a construção dos 6.356 quartos de hotel que precisam ser erguidos para atender à demanda da Copa e, se tudo der certo na candidatura do Rio, das Olimpíadas de 2016. A bola, por enquanto, está nas mãos da prefeitura, que criou um grupo de trabalho para discutir mudanças na lei que rege a construção hoteleira.

A ideia do município e da ABIH é apostar nos hotéis de investimento, empreendimentos erguidos com recursos de pessoas ou empresas que compram cotas (correspondentes a quartos). Com o hotel em funcionamento, elas - que não têm direito a usar os quartos -, recebem uma comissão.

Trata-se de um impedimento, na certa, às pretensões dos empresários do mercado imobiliário, que acreditam que os hotéis de investimento, chamados também de condo-hotéis, não vão atrair muitos investidores.

Para eles, é preciso ressuscitar a discussão sobre os apart-hotéis, que atrairiam mais facilmente compradores porque os apartamentos têm usos mais flexíveis.

Neste tipo de construção, o dono de um quarto pode entregálo para a administração hoteleira, alugá-lo por conta própria ou até mesmo residir no imóvel.

Temos que aproveitar que estão sendo discutidas mudanças na lei para voltar ao debate. Em todas as cidades do mundo, existem apart-hotéis.

Por que o Rio não pode? - diz Rubem Vasconcelos, vicepresidente da Ademi e presidente da Patrimóvel.

Escaldados pela polêmica dos apart-hotéis, cuja construção foi proibida em 2002, quando a lei complementar 41/1999 (que estava suspensa por liminar desde 2000) foi julgada inconstitucional, os empresários do setor imobiliário querem dar uma roupagem nova ao empreendimento.

Segundo Rubem, ele passaria a ser chamado de hotelresidência. O empresário defende até rediscutir itens que ajudaram a afundar de vez os aparts na era Cesar Maia, como a metragem de cada unidade ser de 30 metros quadrados: - O mercado imobiliário vai se adequar às novas regras, podem mudar gabarito, metragem.

O que não pode é não discutir esta alternativa - diz Rubem.

O Cesar Maia ganhou uma eleição ao se dizer contrário aos aparts. Quem vai querer dizer que é a favor? O nome apart-hotel fede.

Presidente da Ademi e da construtora CHL, Rogério Chor diz que não tem nada contra os condo-hotéis, apenas duvida sobre o potencial deles: - Se o projeto da ABIH for viável, ótimo. Se for aprovado o condo-hotel, vou construir e, se vender mil, ficar satisfeito. Mas acho que não há mercado para isso. Quem investe em imóvel quer ser dono do apartamento 404, não de uma cota de 1% de um empreendimento.

Para Chor, apesar das discordâncias, não há uma briga: - Não é uma disputa. O objetivo da ABIH e da Ademi é viabilizar quartos de hotel no Rio para feiras, a Copa e as Olimpíadas - diz.

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