
Condomínios poderão ter brigadas antidengue
O Globo, Selma Schmidt, 06/fev
Logo depois do carnaval, a Secretaria municipal de Saúde vai abrir inscrições para os condomínios que quiserem participar do combate à dengue no Rio, criando seus próprios grupos de brigadistas. A nova frente, anunciada pelo secretário Hans Dohmann, funcionará nos moldes das brigadas de incêndio. Treinados pelo núcleo de capacitação dos agentes de vigilância da secretaria, os futuros brigadistas vão aprender a identificar focos do mosquito Aedes aegypti. As informações repassadas por eles e as denúncias que já chegam através do novo serviço do Telessaúde para Dengue (3523-4025) visam a agilizar o trabalho da prefeitura no combate aos focos.
- Nosso desejo é estimular ao máximo a participação popular porque, com isso, multiplicaremos nossa capacidade de vistoriar a cidade - diz Dohmann.
As inscrições para brigadistas de condomínios serão feitas por meio do Telessaúde, e o curso será rápido. Dohmann acredita que as primeiras turmas estejam formadas ainda este mês. Elas serão orientadas a ficar de olho em determinados focos:
- Todo mundo está atento ao pratinho de planta. Também diminuiu muito a quantidade de pessoas que deixam a caixa d'água destampada. Vamos pedir que os brigadistas incluam em seu roteiro os ralos, as lajes e as calhas, lugares que ainda não estão segmentados como eventuais focos de dengue - explica o secretário.
Teledengue: em 6 dias, 405 denúncias
novo Telessaúde para a Dengue, o Teledengue, criado em 29 de janeiro, recebeu, até 3 de fevereiro, 405 denúncias. Setenta delas vieram do Grande Méier. Outras 59 são da região de Barra e Jacarepaguá, e 58 de Penha, Ilha do Governador, Olaria, Ramos e adjacências. De bairros da Zona Sul, houve 44 denúncias.
Outra estratégia implementada pela Secretaria municipal de Saúde desde o fim do verão 2008/2009 é fixar cada agente de endemia em um determinado local.
- O agente desenvolve intimidade com o território. Não só passa a ser reconhecido pelos moradores, como identifica mais facilmente os potenciais focos da área. Isso aumenta a eficiência de seu trabalho - ressalta Dohmann.
A medida, diz o secretário, permitiu reduzir em 100.058 imóveis (de 1.493.834 para 1.393.326) o número de pendências. Ou seja, diminuíram a quantidade de residências em que o agente não consegue entrar, seja porque o dono não permite ou porque estão abandonadas ou fechadas.
- Diminuímos em pendências o equivalente a mais de uma Copacabana, que tem 90 mil imóveis - avalia o secretário.
Outra estratégia adotada pelo município foi a do bloqueio epidemiológico. Com isso, cada vez que surge a notificação de um caso de dengue, agentes traçam um raio em volta da casa do doente, para fazer uma inspeção mais minuciosa. O objetivo, esclarece Dohmann, é checar se, na área, existe um foco ativo contaminante que provoque casos em série:
- Vamos lá e eliminamos o foco. Essa é uma das principais explicações para termos, neste verão, bem menos casos de dengue do que no verão passado - observa ele. - Em termos de visitação, temos a sensação de que estamos no limite. Por isso, queremos diminuir ainda mais as pendências e a capacidade infectante de cada foco identificado.
Além disso, desde 19 de dezembro, agentes da Secretaria de Saúde e funcionários da Comlurb têm realizado mutirões. Foram cinco até agora, em bairros e favelas da Zona Norte, onde foram vistoriados 83 mil imóveis, recolhidas 99 toneladas de lixo e eliminados 22.302 focos. O próximo mutirão está programado para hoje, em Vigário Geral e Anchieta
Contra a dengue, um exército de 6 mil
Na capital, as visitas domiciliares são feitas por um exército de seis mil homens, entre agentes da prefeitura, funcionários da Comlurb e bombeiros.
Só do Corpo de Bombeiros, são dois mil no Rio. Outros mil militares atuam em municípios do interior. Cada um faz, em média, 25 visitas por dia.
Entre julho de 2009 e 26 de fevereiro deste ano, bombeiros e técnicos da Secretaria estadual de Saúde visitaram mais de um milhão de imóveis particulares e públicos, incluindo hospitais, estádios, quartéis, escolas, universidades, shoppings, todos os postos do Detran, o aeroporto de Nova Iguaçu, a Cidade do Samba, estações de metrô e o Riocentro.
Entre as iniciativas particulares, o projeto Católicos em Ação deu início a ações de combate à doença com a distribuição de panfletos e a realização de mutirões de limpeza e de palestras educativas nas zona Norte e Oeste do Rio. Na quinta-feira antes do carnaval, o grupo vai promover um desfile educativo do bloco "Dengue Não, Católicos em Ação", com saída às 17h da Cinelândia.
Apesar da redução dos casos de dengue, o secretário Dohmann diz que não é momento de comemoração: - Todos nós, cidadãos e poder público federal, estadual e municipal, temos de continuar e intensificar os trabalhos.
A cidade exige cuidado. Cuidar do Rio requer a participação de todos. O secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, também entende que a hora é de se concentrar nas ações de prevenção e mobilização:
- Está provado que a dengue só poderá ser controlada se houver uma verdadeira mudança na cultura, tanto por parte dos governantes quanto da população. O Rio de Janeiro foi o estado que obteve melhores resultados no país, com a diminuição de 96% no número de casos, segundo divulgou o Ministério da Saúde no fim de 2009. Podemos comemorar? Não, porque é preciso mudar o paradigma da ação e da reação. Não podemos esperar uma nova epidemia para maximizar nossos esforços
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