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Cota condominial pode ser uma conta para lá de salgada

Extra, Danielle Abreu, 07/fev

Na hora de alugar um imóvel, muita gente escolhe a moradia com base no que vai pagar ao locador mas também ao condomínio. Em geral, o valor da cota condominial no Rio é considerado alto pelos moradores. No caso de imóveis alugados, torna-se ainda mais salgado, porque chega a quase metade do valor da locação. Uma pesquisa do Secovi Rio mostra que em bairros como Méier, Tijuca e Madureira essa proporção chega a quase 50%.

- O valor do condomínio é um reflexo do custo de vida da cidade. As grandes metrópoles pagam mais porque têm níveis salariais maiores, tarifas públicas mais caras e violência. A média do Rio, de R$550, é cerca de 30% maior do que em municípios do Nordeste - disse o vice-presidente do Secovi Rio, Leonardo Schneider.

Se por um lado não há muito como fugir dos altos custos, por outro há várias maneiras de tentar reduzi-los ou evitar que aumentem mais.

- O uso racional da água é fundamental. Também deve-se fazer uma programação da mão de obra, para evitar horas extras - disse o gerente da Apsa Rogério Quintanilha.

Encontrar mecanismos para crescer a receita é outra dica que deve ser considerada, segundo Paulo Rocha, da Cipa Administradora. Um forma de fazer isso é alugar partes comuns do edifício. E a inadimplência precisa ser evitada por moradores e combatida por gestores.

- O condomínio é um rateio de despesas. Quanto menos gente participar, maior será a cota de quem paga - explicou Pedro Carsalade, presidente da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis.

Consumo de água individualizado

Quando assumiu a função de síndico do Edifício Barão de Pinhal, na Piedade, em 2006, Moysés Alves, de 60 anos, tinha uma missão, imposta por ele mesmo: reduzir as despesas do condomínio e, assim, baixar a cota condominial dos 128 apartamentos. Ao analisar as despesas, ele descobriu que uma maneira de fazer isso era controlar o alto consumo de água, cuja conta chegava a R$12 mil por mês. A ideia, então, foi individualizar o fornecimento de água aos apartamentos, instando hidrômetros.

- Cada um paga o que gasta e, por isso, economiza - disse Moysés, que prevê uma redução de até 40% nas cotas condominiais.

A conta de água passou para R$5 mil, antes do verão.

Cota extra requer cautela

As despesas do condomínio são formadas por folha de pagamento (60%), contas de concessionárias públicas (20%), manutenção e administração (15%) e outros gastos (5%). Para evitar aumentos nas cotas mensais, o desafio do síndico é cumprir a previsão orçamentária do início ao fim do ano. Porém, quando há necessidade de uma despesa não prevista, como obra, por exemplo, o síndico pode emitir cotas extras para aumentar a receita, desde que aprovadas em assembleia.

Decisão

O advogado de direito imobiliário Hamilton Quirino alerta que é preciso ter cautela com as cotas extras.

- Como o nome já diz, devem ser emitidas apenas para gastos extraordinários. Ao serem aprovadas em assembleia, os moradores não podem ser negar a pagá-las. O síndico, por sua vez, não pode sair emitindo cota extra a seu bel-prazer. Apenas em casos em que são necessários gastos emergenciais, como uma pane elétrica. Se não houver caixa, o síndico pode emitir cotas extras, cabendo à assembleia ratificá-las depois - disse Quirino, que explicou ainda que não há valores mínimo e máximo para a cobrança, pois depende da despesa que se quer pagar e da decisão dos moradores na assembleia.

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