No mercado da construção civil há mais de 50 anos, as lãs de vidro e de rocha ganharam, enfim, um substituto ecologicamente correto. Foram dois anos de pesquisa até chegar a um produto basicamente composto por garrafas PET. Batizado de Isosoft, ele foi desenvolvido em solo nacional e substitui as lãs tradicionais em coberturas metálicas, paredes de dry wall, divisórias e pisos, entre outras aplicações. Além de favorecer famílias que vivem da coleta seletiva, o material contribui para aprovação de construções sustentáveis, que querem o selo Leed, reconhecido internacionalmente pelo Green Building Council.
- Durante o processo de produção, as garrafas são lavadas, moídas e derretidas, antes de serem transformadas em fibras. Em seguida, são misturadas a um outro tipo de fibra reciclável, o poliéster, para compor a base do produto. Ela, então, é submetida a um processo térmico e de calibração, que deixa a lã nas especificações corretas. Todas as aparas são recolocadas na produção, ou seja, não há sobras ou geração de lixo - explica Maurício Charles Cohab, diretor da empresa Trisoft Mantas, responsável pelo desenvolvimento do Isosoft.
Dependendo da aplicação, destaca Cohab, são utilizadas de oito a 27 garrafas na produção do metro quadrado da lã de PET. No caso de um galpão com 50 mil metros quadrados, por exemplo, seriam utilizadas cerca de 1,3 milhão de garrafas. O material ainda pode ser reaproveitado, mesmo depois de instalado em paredes ou coberturas metálicas.
- Durante uma obra, por exemplo, ele pode ser removido e depois reinstalado sem perder as suas propriedades termoacústicas. Ou ainda pode ser transformado em estopas ou fios têxteis - diz Cohab.
Outras vantagens apontadas por ele são a facilidade no transporte - o material é mais leve do que o tradicional - e a segurança no manejo:
- A lã de PET pode ser dobrada, pois volta às dimensões originais sem sofrer qualquer dano. Além disso, contribui para uma obra mais limpa, já que é um produto hipoalergênico, que dispensa o uso de Equipamentos de Proteção Individual (Epi) e não precisa ser descartado em aterros especiais, já que não oferece qualquer risco.