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Casa que cabe no bolso

O Dia, Cristiane Campos, 09/mai

O mercado imobiliário investe cada vez mais em projetos que cabem no bolso de quem planeja sair do aluguel. São financiamentos com parcelas menores e prazos mais longos de pagamento. O cenário se deve à estabilidade econômica e à melhora na renda dos brasileiros. Unidades têm dois quartos e variam de 48 a 60 metros quadrados, com área de lazer completa. A maioria dos empreendimentos se encaixa no 'Minha Casa, Minha Vida', mas há oferta para unidades acima de R$ 130 mil.

Campo Grande, Jacarepaguá, São Cristóvão e Barra da Tijuca são alguns dos bairros que já recebem empreendimentos para beneficiar a nova classe média brasileira. Segundo a superintendente da Caixa Econômica Federal, Nelma Tavares, construtoras que antes criavam exclusivamente projetos voltados às classes média e alta passaram a investir no segmento econômico popular. Algumas empresas lançaram braços populares, como a RJZ Cyrela, com a Living, e a Gafisa, que adquiriu a Tenda.

Diretor da Basimóvel, Ariovaldo Rocha Filho ressalta que os incorporadores começaram a mudar a concepção dos projetos, principalmente os do programa habitacional do governo. Ele lembra que, no início, a maioria dos produtos não tinham o segundo banheiro (suíte). Isso comprometia a liquidez do empreendimento.

"De uns tempos para cá, construtores entenderam que este público também é exigente e criaram projetos com mais recursos, como o da Fernandes Araujo, em Campo Grande, que será lançado no Feirão da Caixa. Os apartamentos terão dois quartos, sendo uma suíte, varanda, fachada revestida e uma grande área de jardim" descreve Rocha Filho.

Outro exemplo é o empreendimento Minha Praia, que será lançado na Barra da Tijuca pelo programa. "Esse lançamento contribui para a inserção de famílias, que poderão morar perto da praia por R$ 130 mil", conclui o executivo.

Para Bruno Teodoro, diretor da Estrutura Consultoria - correspondente imobiliário da Caixa -, os bancos também têm linhas de financiamento adequadas ao novo perfil de clientes. Na Caixa, por exemplo, a taxa é de 7,9% ao mês, com empréstimo de até 90% para imóveis com avaliação máxima de R$ 150 mil.

"O Santander também flexibiliza os juros e o valor dos seguros MIP (Morte e Invalidez Permanente) e DFI (Danos Físicos ao Imóvel), obrigatórios na operação imobiliária", acrescenta Bruno Teodoro.

Classe A também financia

A Concal, tradicional construtora da Zona Sul, com empreendimentos para classe A, identificou mudança no comportamento dos compradores. Segundo Bianca Carvalho, diretora da imobiliária da construtora, mesmo clientes de alto padrão, como empresários e comericantes, já preferem financiar com bancos por conta de vantagens como taxas diferenciadas.

"Nos últimos laçamentos da Concal na Tijuca, São Cristóvão e Jacarepaguá, quase quase todos os clientes utilizamo financiamento", diz. Os empresários com recursos da caderneta de poupança , só em março, registraram R$ 4,1 bilhões, superando em 37,7% os R$ 3 bilhões observados em fevereiro, e em mais de 82% os R$ 2,3 bilhões contratados em março do ano passado.

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