
Eles são raros, mas existem
Extra, Maria Clara Serra, 11/julho.
Não é preciso enxergar muito para notar que os imóveis com valor abaixo de R$100 mil viraram quase uma raridade no Rio. Os benefícios do programa "Minha casa, minha vida" são muitos, mas podem estar gerando uma padronização de valores no mercado imobiliário. O teto de R$130 mil virou base para boa parte das novas unidades voltadas para as famílias de menor renda. No entanto, com uma boa lupa, é possível encontrar ofertas em bairros distantes do Centro.
De acordo com o vice-presidente do Sindicato da Habitação do Rio (Secovi), Leonardo Schneider, a pequena quantidade de imóveis à venda com preços de até R$100 mil se deve ao alto custo dos terrenos:
- As construtoras ficam no limite - diz ele.
Desde a criação do programa "Minha casa, minha vida", em março de 2009, o valor dos terrenos nas zonas Oeste e Norte e na Baixada Fluminense chegaram a subir 72%, mas ainda é possível encontrar imóveis mais em conta.
- O ideal é oferecer tudo por até R$100 mil. Mas é preciso ter viabilidade. Dá para fazer em Campo Grande, Honório Gurgel e Bangu, por exemplo - afirma José Lima, diretor de vendas da regional Rio da MRV, que tem previsão de lançar 1.500 unidades com esse perfil até o fim do ano.
Novo foco para as construtoras
Apesar de a oferta de imóveis de até R$100 mil ser pequena atualmente, a tendência é que as construtoras invistam mais nessa parcela do mercado, mesmo com a valorização dos preços dos terrenos. Além da demanda elevada, a adequação ao "Minha casa, minha vida" deve aumentar o número de ofertas de unidades com esse valor.
- É um produto novo e as construtoras estão se adaptando. Hoje elas atendem à demanda de imóveis entre R$100 mil e R$200 mil, mas devem entrar na faixa social nos próximos 12 meses - prevê Leonardo Schneider, do Secovi Rio.
As construtoras devem mirar nesse tipo de imóvel porque há um grande público interessado: famílias de menor renda que necessitam de um subsídio maior para adquirir uma moradia. Acima de R$95 mil fica complicado para muita gente, por exigir uma renda maior. Além disso, o subsídio cai.
N maioria dos casos, as unidades com esse valor estão sendo lançadas por construtoras que haviam adquirido terrenos antes da valorização e que, por isso, conseguem manter o preço atrativo.
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