
Crédito imobiliário mais barato
O Globo, 04/jun
Após ter anunciado, na semana passada, a queda generalizada dos juros cobrados em suas linhas de crédito, o Banco do Brasil (BB) divulgou ontem mais um conjunto de medidas, desta vez voltadas a suas modalidades de financiamento imobiliário e à venda de automóveis. Segundo o vice-presidente do BB, Paulo Rogério Caffarelli, o objetivo é adequar os procedimentos do banco aos da rede privada.
Caffarelli negou que as últimas medidas tenham sido motivadas por pressões políticas.
Segundo ele, são decisões técnicas, que seguem o que os bancos privados vêm fazendo. O presidente do banco, Aldemir Bendine, assumiu em abril com o compromisso, fixado pelo governo, de ampliar a oferta de crédito com juros mais baixos.
O pacote anunciado ontem tem como destaques a ampliação dos prazos para financiamento de imóveis residenciais e comerciais em área urbana e a redução dos juros. O prazo máximo do empréstimo passa dos atuais 300 meses para 360 meses (30 anos). Além disso, a partir de agora o comprador pode financiar até 90% do valor do imóvel, enquanto antes o teto era de 80%. O limite de comprometimento da renda líquida é 30%.
A faixa inicial do valor do imóvel, em que o mutuário paga a menor taxa de juro (8,9% ao ano mais a Taxa Referencial) sobe, desde já, de R$ 120 mil para R$ 150 mil. imóveis com valor acima de R$ 500 mil terão os juros reduzidos de 12% para 11% ao ano, mais TR, na modalidade pós-fixada. A taxa prefixada do BB para essa faixa caiu de 15,08% para 13% ao ano.
Atualmente, o financiamento máximo do BB é de R$ 450 mil para as operações do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e de R$ 1,5 milhão nos empréstimos com recursos próprios.
- Nosso objetivo é, até 2012, estarmos entre os três maiores financiadores imobiliários do país. Somos estreantes, passamos a financiar imóveis há cerca de um ano - disse Caffarelli.
A menor taxa efetiva praticada pelo BB no crédito imobiliário - operações a partir de convênios com empresas e órgãos públicos - passa de 8,9% para 8,4% ao ano, mais a TR.
Taxa média para pessoa física volta ao nível de 2007 As medidas abrangem ainda o setor automotivo. O BB ampliou, de 60 para 72 meses, o prazo máximo para financiamento de veículos novos, com opção de carência de até 59 dias para pagamento da primeira parcela.
Também não haverá tarifas na contratação da linha e o tomador terá maior flexibilidade na escolha da data para o pagamento.
Correntistas podem financiar até 80% do valor do veículo
De acordo com levantamento da Associação Nacional de Executivos de Finanças (Anefac), o prazo máximo para financiamento de veículos novos chegou a 80 meses em maio, no maior patamar desde janeiro de 2008 (84 parcelas). Os juros também tiveram novo recuo em maio, pelo quarto mês consecutivo. Pelos dados, a taxa média para pessoa física oscilou em torno de 7,25% ao mês, mesmo nível de agosto de 2007, contra 7,33% em abril.
- Esse movimento é importante porque é liderado pelas grandes instituições. A leitura dos banqueiros é que, com a reativação da economia no segundo semestre, o risco de inadimplência será menor e há espaço para aumentar a oferta de crédito - disse Miguel de Oliveira, vice-presidente da Anefac.
No mês passado, o Bradesco já havia ampliado de 25 para 30 anos o prazo para financiamentos imobiliários. Bradesco, Itaú e Santander (através da financeira Aymoré) também promoveram mudanças nas tabelas (prazos e juros) para veículos novos.
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