A indústria da construção civil cresceu 10,9% em 2007, depois de apresentar aumento de 7,1% no ano anterior. As 110 mil empresas do setor de construção civil empregaram naquele ano 1,8 milhão de pessoas, o que representou gasto de R$ 30,6 bilhões com pessoal. Do total, R$ 20,7 bilhões foram com salários, retiradas e outras remunerações. Isso representa média de 2,3 salários mínimos por empregado. Os dados constam da Pesquisa Anual da Indústria da Construção, divulgada sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da maior expansão do setor desde 1996, quando teve início a série histórica do estudo, que traça uma radiografia da construção do país. O levantamento apresenta informações sobre as características estruturais do segmento do setor, como número de empresas, de pessoas ocupadas, salários e benefícios pagos, produtividade.
Segundo o levantamento, dos R$ 128 bilhões destinados a obras e serviços pelas empresas, R$ 122,7 bilhões fizeram parte da receita operacional líquida. Desse montante, R$ 51,3 bilhões - ou 40,1% - foram obtidos por obras para o setor público. Em 2006 este percentual havia sido de 42,5%. Apesar disso, foi registrado crescimento de 16,9% na comparação 2007-2006 das obras executadas. Isso corresponde a um aumento real de 10,9%.
A expansão do setor em 2007 esteve em linha com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) a soma de bens e serviços produzidos no país. Enquanto o crescimento do PIB foi de 5,7%, o desempenho da atividade da construção foi de 5%. Também ficou sintonizada com a formação bruta de capital fixo (investimentos das indústrias em máquinas e equipamentos), que assinalou o maior acréscimo (13,5%) desde o início da série histórica, em 1996.
Segundo o estudo do IBGE, a atividade de construção civil foi beneficiada pela variação da taxa básica de juros (Selic), que apresentou queda de 8,5 pontos percentuais, ao passar dos 19,75% registrados em setembro de 2005 para 11,25%, em setembro de 2007. Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência para o regime de metas de inflação, cresceu 4,46% em 2007. No ano anterior esse índice esteve em 3,14%. A meta da inflação era de 4,5%. Os investimentos brutos realizados em ativos imobilizados (compra de máquinas e equipamentos) pelas empresas do setor chegaram a cerca de R$ 5,1 bilhões em 2007. Desse total, 44,2% corresponderam à compra de máquinas e equipamentos, configurando este como o principal investimento de 2007.