A limpeza eficiente das partes comuns é fundamental para o bem-estar de todos
Antonio Martins da Silva, sindico do condomínio Imperatriz, no bairro de Ramos, se considera um chato. Ha 18 meses exercendo a função no prédio misto de 49 unidades administrado pela CIPA, ele e um chato no bom sentido. Preocupado com a limpeza da portaria e das demais partes comuns, faz questão de inspecionar, diariamente, o serviço dos dois faxineiros. “O prédio fica em uma rua movimentada, o que gera bastante poeira. Por isso, preciso ficar alerta; os moradores fazem questão de tudo bem limpo.”
E olha que são muitos os moradores a agradar: cerca de 190 pessoas. Alem de coordenar a limpeza diária do piso da portaria e das pecas que compõem a decoração do espaço, com cerca de 30 metros quadrados, Antonio verifica corredores, escadas, cinco banheiros e dois elevadores. O gasto mensal com o kit de limpeza, composto de sabão em pó, detergente, esponja de aço, desinfetante, cera, saco de lixo, papel higiênico, sabonete e outros itens, fica em torno de R$ 300.
O sindico e tão aplicado que concorreu pela segunda vez ao Premio Destaque Secovi Rio, na categoria Gestão do Sindico. E acabou levando o troféu de vice-campeão, em uma cerimônia realizada na Feira Secovi Rio de Condomínios 2010, em 22 de setembro, no Centro de Convenções Sul America.
Exemplo de eficiência e dedicação, ele realizou, em um ano e meio de atuação, nada menos que 36 ações, entre elas a construção de um banheiro externo para os freqüentadores do playground. “Os únicos banheiros disponíveis para os condôminos se encontravam dentro do salão de festas, que fica fechado. A criançada acabava urinando nos muros, o que gerava sujeira e mau cheiro”, conta.
Preço que cabe no bolso
De acordo com Jackeline Rangel, sócio-gerente da StarBril, empresa especializada em artigos de limpeza, o custo mensal com os itens de faxina que não podem faltar no condomínio não fica muito longe do que indicou o Sr. Antonio. Os mais importantes são desinfetante (5 litros a R$ 16), fardo com rolos de papel higiênico (R$ 23), sabonete liquido (R$ 80, para dois banheiros), detergente para limpar o chão (5 litros a R$ 9,50), hipoclorito de sódio (5 litros a R$ 8), vassoura (R$ 5,80), rodo (R$ 4,80), pá de cabo longo (R$ 4,50), fora os baldes, os panos de chão, a cera, o lustra-móveis, o limpador de vidros, os polidores de metais etc.
Jackeline reforça que e preciso ler atentamente o rotulo de cada produto, a fim de conhecer as propriedades químicas e formas de uso. E importante prestar atenção no uso de luvas e mascaras. “Em muitos condomínios, o sabão em pó acaba sendo utilizado para a limpeza do chão, o que e ineficiente porque o produto não limpa, apenas faz espuma”, orienta, lembrando que o custo médio mensal de uma cesta de produtos básicos para um condomínio de médio porte não chega a R$ 1 mil.
Para os mais preocupados com o meio ambiente, ai, sim, e preciso abrir a carteira. Afinal, itens como lixeiras para coleta seletiva custam cerca de R$ 120 (unidade com 50 litros). E são necessárias quatro delas, uma para cada tipo de material. Um contêiner para o lixo de 240 litros sai a R$ 310. Já o carrinho multifuncional, aquele comum nos hotéis e hospitais, no qual os faxineiros colocam todo o material, evitando idas e vindas ao estoque, custa R$ 650. A empresa faz entrega sem custo.
A importância do treinamento
Em uma sala de aula na Nova Rio, especializada em terceirização de mão de obra, treinadores recriam cenários reais para ensinar diversas técnicas de limpeza, conservação, atendimento ao cliente, recepção e outros serviços. Equipamento de alta tecnologia e produtos de primeira servem como material de estudo para as alunas, muitas delas contratadas para atuar em limpeza de condomínios.
“Os recem-contratados pela Nova Rio recebem treinamento em limpeza predial três vezes na semana. Alem disso, os profissionais participam de uma reciclagem anual. Se o cliente solicitar, realizamos novos treinamentos ao longo do contrato”, explica Nelice Boucas, superintendente responsável pela Escola de Limpeza, núcleo de treinamento da empresa.
A orientadora reforça que, antes de começar a trabalhar em um condomínio, o profissional recebe treinamento especifico, levando-se em consideração o espaço físico do prédio. “Uma equipe de treinamento vai ao local, analisa o espaço, fotografa e leva as informações para a Escola de Limpeza.” Nelice completa que os faxineiros aprendem ainda a usar os produtos corretamente, de acordo com um conceito de gestão da qualidade. “E preciso conhecer as características de cada produto, saber o que pode ser utilizado no chão ou nas paredes, por exemplo, formas de armazenamento, que equipamento de proteção usar. Muitos síndicos, por desconhecer os produtos, acabam não sabendo orientar os empregados, o que pode acarretar sérios problemas”, diz Nelice.
Por onde começar?
A representante da Nova Rio recomenda aos síndicos começar a limpeza pela portaria, afinal, ela e o cartão de visitas do condomínio. O piso da entrada e muito importante porque e o primeiro a ser observado por moradores e visitantes. Cuidado especial com os banheiros, em razão do acumulo de bactérias. Elevadores e lixeiras completam a lista de locais que devem estar sempre higienizados. Excluindo a madeira, em todas as superfícies podem ser utilizados detergentes, desinfetantes e sabão em pó.
Guilherme Kuhnert, da Madalenense,também do ramo de terceirização, enumera as vantagens desse tipo de contratação: “Libera-se o tempo do sindico no acompanhamento de outras responsabilidades maiores, já que o serviço de limpeza e feito por pessoal treinado.” O executivo lembra que o empregado que não corresponde as expectativas do sindico e transferido sem quaisquer onus. “E ainda ha a questão burocrática, o gestor fica livre de cuidar de documentos, guias de pagamento, compra de vale-alimentacao e vale-transporte, uniformes, pagamento de impostos etc.”
O poder feminino
A jovem sindica de primeira viagem, Patrícia Guerra, com apenas 31 anos, já tem a responsabilidade das mais experientes. Junto da faxineira Simone ela faz questão de deixar tudo na mais perfeita ordem no prédio de três andares e 10 apartamentos administrado pela CIPA e localizado no Recreio dos Bandeirantes. Diariamente, Simone varre e passa pano em todos os corredores e na portaria. Ela também recolhe o lixo em cada andar, uma vez que o duto coletor foi fechado para evitar a proliferação de pragas urbanas.
Os mármores das escadas também ganham atenção especial. “Acho que, culturalmente, a mulher e mais zelosa com a limpeza, fica mais atenta aos detalhes”, afirma Patrícia, que assumiu a função em fevereiro deste ano. Como não tem área de lazer, o trabalho fica menos complexo. A lista de produtos comprados mensalmente inclui cloro, sabão em pó, limpo-vidro, álcool, desinfetante, pano de chão, esponja e outros itens do dia a dia.
O custo, que era de R$ 300 ao mês na gestão anterior, caiu 10 vezes: para apenas R$ 30. “Tem que pesquisar, pechinchar mesmo. Peco a ajuda de meu marido e vamos ao supermercado, onde encontramos variedade e preços em conta. E eu adoro essa tarefa, me sinto útil, zelando pelo bem comum”, comenta a moca, que exerce a profissão de atriz.
O jeito certo de limpar
Uma faxina malfeita pode degradar o patrimônio e as áreas comuns do edifício e a negligencia no manuseio de certos produtos químicos pode causar acidentes graves. Para não cair nessas armadilhas, confira pontos importantes quando o assunto e limpeza:
• Produtos ácidos aplicados em pisos com freqüência prejudicam o rejunte e a manta impermeável, causando vazamentos e ate prejuízos a impermeabilização;
• Produtos químicos para limpeza e conservação da água da piscina não devem ser estocados embaixo da churrasqueira;
• Produtos químicos para diversas finalidades não devem ser estocados uns sobre os outros, porque, em caso de vazamento, pode ocorrer reação química de graves conseqüências;
• Funcionários da faxina não devem trabalhar sem luvas de látex, óculos de proteção e botas;
• Recrutar zeladores treinados para coordenar e supervisionar o trabalho, evitando que se gaste muito mais material de limpeza do que o necessário, gerando desperdício.