Empresas especializadas oferecem serviços de impermeabilização que evitam vazamentos e infiltrações
Não se trata de verso de música. Mas de dicas sobre como acabar como incômodo e outros mais.
Goteiras, paredes mofadas, carros com a pintura manchada na garagem, piscina vazando. O quadro, que não poderia ser mais catastrófico, pode ter começado como um probleminha. Acredite. Com a conscientização crescente e a divulgação de modernas técnicas de engenharia, os serviços de impermeabilização estão ganhando status, sendo cada vez mais usados como medida preventiva capaz de evitar que um pequeno aborrecimento, fácil de ser solucionado, se transforme num problemão.
Com um tempo de vida que pode variar, mas costuma ficar em torno de cinco anos, as obras, que impedem que a água ganhe um espaço que não e seu, estão no topo das prioridades dos condomínios modernos tanto quanto os investimentos em segurança ou em manutenção. Os custos, que representam, em media, de 1% a 3% do valor do imóvel, podem subir – e muito – se o conserto for realizado depois que infiltrações e vazamentos tiverem se instalado ou, pior, comprometido a estrutura da construção.
Da jardineira ao playground, passando pela proteção de piscinas, cisternas e caixas d’agua, as empresas especializadas já atendem a uma imensa gama de serviços, de pequena ou grande complexidade.
Sinal da importância que o item ganhou nos últimos anos e que as grandes construtoras contemplam em seus lançamentos imobiliários projetos de impermeabilização, tão essenciais quanto os elétricos e hidráulicos. Não e por acaso. Uma boa parte dos “recalls” na área de construção civil deve- -se a problemas de vazamento e infiltração. E o que eles incomodam ja foi ate alvo de pesquisa. Do total de pessoas entrevistadas pelo IBGE sobre as ocorrências que mais irritam numa casa, 34,14% responderam telhado com goteira e 30,48%, umidade (30,48%), que ficaram na frente de outros aborrecimentos com grande potencial de mexer com os nervos de qualquer um, como deterioração da casa (30,40%) e ambiente soturno e escuro (19,68%).
Proprietária da Isocom, especializada na venda de produtos usados nesse tipo de serviço, a engenheira civil Renée Hood diz que a prevenção e sempre a melhor opção. Os motivos, muitas vezes, são erradamente menosprezados pelos leigos.
“E claro que o pior problema que pode acontecer e a água causar dano estrutural na casa ou no prédio, que tem maior gravidade, do ponto de vista técnico, e também gera mais despesas. Ha vários exemplos de
como isso pode ocorrer. Basta que se tenha um vazamento continuo de água para o solo, que forma sulcos e vazios que podem deixá-lo instável. E muito perigoso. Isso pode se manifestar, por exemplo, nas piscinas que
ficam em contato direto com o terreno. E importante proteger bem a área para evitar despesas e dores de cabeça muito maiores no futuro”, observa Renée, que trabalha em parceria com a empresa do marido, responsável pela execução dos serviços. “Ao mesmo tempo, vazamentos e infiltrações criam situações muito desagradáveis ao convívio social, como goteiras na garagem que mancham a pintura dos carros. Fora o prejuízo em si e o incomodo, ainda podem criar desavenças entre os moradores ou entre eles e a administração do prédio.”
Renée diz que ha uma grande diversidade de material hoje no mercado, mas chama atenção para o fato de que e preciso conhecimento técnico para saber qual e o mais adequado para cada caso. A manta asfaltica, muito utilizada, não serve para tudo. Seria inadequado usá-la, por exemplo, para conter pressão negativa de agua, aquela que vem de baixo para cima, comum em alagamentos de poço de elevadores. Ou se o objetivo e selar o piso de um banheirinho de cinco metros quadrados, que pode ser protegido por uma espécie de tinta, na verdade, uma membrana de base cimenticia. Segundo a engenheira civil, há casos e casos.
“A estrutura de uma piscina se movimenta muito, sofre muita pressão. O trabalho estrutural e muito forte. E intenso, suscetível ao clima, ao frio ou ao calor, ao sol e a chuva, a variações de umidade. E o tipo de construção que precisa de um material que acompanhe as deformações inevitavelmente provocadas por esse movimento. Em geral, usa-se uma manta asfaltica do tipo três, de uns quatro milímetros. Os estacionamentos sao parecidos. O trafego de veículos provoca forte movimentação da estrutura o tempo todo. A manta deve ser ainda mais espessa.”
Administrador do Gioia D'Ouro, em Vila Isabel, Waldecy Narciso comanda a rotina de cerca de 400 pessoas que vivem nos 70 apartamentos do condomínio. No momento, estão sendo feitas obras de impermeabilização nos reservatórios de água e em duas caixas d’água que abastecem os moradores. Já estava na hora de refazer a antiga impermeabilização, executada há mais de cinco anos, embora não houvesse vazamentos aparentes. Waldecy conta que procurou uma empresa do ramo porque a conta de água estava nas alturas e pesando muito nas despesas mensais. Já passava dos R$ 11 mil.
“Antes pagávamos R$ 5 mil ou R$ 6 mil todo mês. Agora o valor subiu muito. Os moradores fizeram uma pesquisa no bairro e viram que outros prédios do mesmo porte pagam menos. Se houvesse vazamento nas caixas d’água seria facilmente identificado porque já teria atingido algum apartamento. Mas pode ser alguma perda no reservatório, e a água pode estar escorrendo para o solo. Vamos ver. Nossa esperança e que a obra nos deixe mais tranqüilos, garantindo proteção nos próximos anos, e ainda nos permita fazer alguma economia”, diz ele.
A escolha de quem vai executar o serviço de impermeabilização e um dos cuidados que devem ser tomados. As estatísticas mostram que 90% das falhas nesse tipo de serviço ocorrem em razão do uso de Mao de obra sem qualificação. Portanto, não se deixe cair na tentação de comprar um produto, escolhendo-o ao bel-prazer nas prateleiras, e depois pedir para um funcionário do condomínio ou algum curioso aplicá-lo. O resultado pode ser desastroso, como alerta o engenheiro Antonio Afonso da Silva Cruz, sócio da AWHood: “São historias e mais historias. Como a de um prédio em que a empresa instalou a manta asfaltica em uma piscina mas não a soldou. Quando começou a vazar, a água inundou a garagem. Ou seja, a pessoa responsável pelo serviço não tinha a menor noção do que estava fazendo”, pondera Antonio.
Por outro lado, uma empresa idônea pode representar uma grande diferença. Foi o que aconteceu num condomínio em Botafogo. Depois de pedir a duas firmas orçamento para resolver um vazamento detectado na piscina, uma terceira fez uma analise mais criteriosa e constatou que tudo não passava de um encaixe malfeito na estrutura hidráulica, dispensando a necessidade de impermeabilização. Com um ajuste, o problema foi resolvido sem que se gastasse mais um tostão.
As intervenções inevitáveis podem ser complexas e demoradas. Porem, e melhor encarar o problema de uma vez. No Condomínio Barra Sol, na Barra da Tijuca, que tem 200 apartamentos, as obras para por fim a uma infiltração que estava deixando úmidas as paredes do playground já duram nove meses. Técnicos estão trabalhando na impermeabilização da piscina e do play desde dezembro do ano passado. A parte mais complexa diz respeito aos reparos na piscina, que esta praticamente sendo refeita. Os azulejos foram todos retirados.
“São 750 metros quadrados de área que precisam ser refeitos. Alem disso, todo o entulho tem que ser retirado. Outra piscina esta sendo feita. E uma obra muito complexa. Poderia ter se transformado num problema estrutural grave. Graças a Deus, não aconteceu”, diz, aliviado, o sindico Antonio Claudio Souza Mendes.
O que muitos também não sabem e que a impermeabilização protege a estrutura das construções contra infiltrações e ainda impede a contaminação da água por agentes externos. Nos casos de cisternas e caixas d’água, o risco de algo parecido acontecer e real.
Especializado nesse nicho do mercado, o dono do Rei das Bombas, empresa fundada ha 47 anos, Eduardo Pinho gosta de frisar um aspecto pouco considerado. “Assim como pode provocar perda de água, o vazamento também cria outro tipo de inconveniente. Você pode ter a infiltração externa da água suja dos lençóis freáticos contaminados dentro da cisterna. Afinal, os reservatórios são enterrados no subsolo”, alerta, acrescentando que, no caso das caixas d’água, o vazamento, em geral, acaba afetando mais diretamente o morador da cobertura. “O ideal e antecipar o problema e não esperar ele surgir. Senão, depois, o sindico tem que ficar correndo atrás do prejuízo.”
O monitoramento deve ser constante, lembra Pinho, mesmo depois de o reservatório ter sido impermeabilizado. “Como a limpeza e feita semestralmente, e importante solicitar que, nessas ocasiões, seja realizada uma avaliação visual para ver se há produto descolando ou se os reservatórios superiores apresentam trincas ou rachaduras. E fundamental. Ate porque não há contratos de manutenção para esse tipo de serviço. A garantia e de cinco anos, mas se o trabalho tiver sido benfeito a durabilidade pode chegar a 15 anos.”
Com tantas aplicações diferentes, a impermeabilização pode ser feita com produtos distintos, dependendo da necessidade: das membranas acrílicas e argamassas poliméricas as mantas asfalticas (ha mais de cem tipos delas). O valor cobrado pelo metro quadrado do material, incluindo a mao de obra, varia de R$ 30 a R$ 250. Ha sofisticações, com preços salgados, como as injeções de poliuretano, capazes de mágicas como evitar que uma piscina cheia de infiltração tenha que ser colocada abaixo. Valem quanto pesam: paga-se R$ 600 pelo quilo da resina, mas pode-se dar adeus a quebradeira.
Os sistemas mais usados em serviços de impermeabilização:
Pré-fabricados
As mantas asfalticas, que possuem espessuras definidas (3 mm, 4mm e 5 mm) e são fabricadas industrialmente, são aplicadas por meio de uma espécie de adesivo chamado Primer. Elas devem ser soldadas com maçarico especial que utiliza gás GLP. Em geral, são usadas em lajes e terraços expostos ao tempo.
Soldadas no local
As mantas são aplicadas por meio de camadas sobrepostas, com espessuras variáveis, de acordo com a especificação do fabricante. São utilizadas em banheiros, áreas de serviço e varandas.
Rígidas
As argamassas poliméricas são ideais para caixas d’água e cisternas.
Das colméias aos Jardins Suspensos da Babilônia, uma preocupação milenar
Curiosidades do tipo “você sabia?” tem sido usadas para criar a cultura da impermeabilização pela Associação das Empresas de Impermeabilização do Rio de Janeiro (AEI). As “obras” mais eficientes do ramo são atribuídas as abelhas, artífices de colméias muito bem protegidas e capazes de impermeabilizar grandes áreas com a utilização de apenas pequena quantidade de material.
Outra historia da conta de que Nabucodonosor utilizou betume como impermeabilizante e material de liga (século V a.C.) na construção dos Jardins Suspensos da Babilônia. Que tal? Atribui-se a versão a Heródoto. O primeiro processo de impermeabilização da historia teria sido descrito na Bíblia, por versículos do Antigo Testamento. A Torre de Babel e a Arca de Noé foram, de certa forma, impermeabilizadas por uma espécie de asfalto.
Entre os construtores das caravelas de Pedro Álvares Cabral havia uma turma de especialistas (calafetes) em impermeabilizar as juntas das madeiras com betume, Abreu, pez, resina e alcatrão.
No site da AEI (aei.org.br), os interessados podem ser informar sobre as técnicas mais utilizadas e também ter acesso ao cadastro das empresas especializadas do ramo, o que pode evitar transtornos com prestadores de serviços desqualificados.