Instalações elétricas vencidas e apagões podem gerar muitos problemas


Revisão geral no prédio e consumo consciente de energia são medidas básicas para evitar transtornos no verão.

O sol está brilhando no céu, a temperatura bate recordes mais uma vez e as praias, claro, estão lotadas. O verão chegou e, com ele, as delícias de uma estação que é a cara do Rio e uma das mais esperadas do ano. Para não estragar o cenário de paraíso tropical – não podemos esquecer que as delícias podem trazer agruras como os apagões, que colocaram à prova os nervos dos moradores da Zona Sul no ano passado –, a Light planejou um pacote de investimentos que promete um começo de 2011 sem sobressaltos. A empresa investiu, neste ano, R$ 525 milhões na distribuição de energia elétrica e R$ 32 milhões só na melhoria da rede subterrânea, duas vezes mais do que foi aplicado no ano passado. Como prevenir nunca é demais, todos devem atentar para os cuidados que podem ser adotados e também para as medidas de economia que ajudam a evitar sobrecargas desnecessárias na rede. É claro que um aumento de consumo é inevitável com os termômetros nas alturas, mas é possível desfrutar do conforto térmico garantido pelo uso mais intenso de aparelhos de ar-condicionado sem que isso implique custos exacerbados e transtornos desnecessários.

Os recursos hoje disponíveis no mercado – das populares luzes de emergência, que são um trunfo ainda subestimado no desafio de fazer uso racional da energia, até os geradores, que asseguram o fornecimento mesmo em caso de blecaute – podem dar certa tranquilidade, claro. Mas antes de qualquer coisa, vale seguir algumas dicas práticas recomendadas e difundidas pela própria Light. Nem todos sabem, mas a companhia tem um setor dedicado exclusivamente ao segmento de condomínios.

Gerente de Grandes Clientes da Light, Leonardo Morais tem em mãos uma listinha de procedimentos que são básicos mas que têm o poder mágico de acabar com mais da metade das dores de cabeça na alta estação carioca. Ele explica que há medidas que devem ser tomadas toda vez que ocorre aumento de temperatura, mesmo quando esse aquecimento parece insignificante aos olhos dos leigos. Ao saber que no verão do ano passado a cidade do Rio experimentou um aumento médio da temperatura de 1,2 grau, muitos acham pouco. Mas não sabem que esse ligeiro crescimento representou um impacto que variou de 15% a 20% no
consumo de energia elétrica.

“A primeira coisa que acontece, e que é natural, é a maior utilização de climatizadores de ambientes. É o caso, por exemplo, de um condomínio que quer instalar um sistema de climatização nos corredores, o que não existia antes. Todos os condomínios maiores, que têm rede de média tensão, dispõem de uma subestação própria e devem verificar para que carga ela está dimensionada. Se houver alguma chance de esse limite ser extrapolado, é bom pedir aumento de carga, o que pode ser feito facilmente, basta entrar em contato com a Light. Um eletricista credenciado pode cuidar de todo o serviço, de uma forma muito simples e sem causar grandes transtornos. Eu diria que essa é a medida número um a ser tomada”, explica Morais.

Leonardo Morais também alerta para outras duas medidas importantes. Uma delas é checar o contrato de fornecimento da Light com o condomínio para saber se há necessidade de fazer algum ajuste. Caso isso não seja realizado, os custos da energia extra fornecida poderão ser bastante altos. Por outro lado, se for feita a repactuação do contrato, com a previsão do aumento do consumo, a despesa pode ser bem reduzida. Por último, Morais lembra que uma revisão geral em toda a instalação elétrica é muito bem-vinda: “Boa parte das perdas de energia ocorre por conta de cabo mal emendado e aparelhos sem manutenção adequada. Os cuidados podem evitar acidentes que colocam em risco não só a instalação em si, mas as pessoas que transitam por elas, o que é muito mais grave. Além disso, emenda malfeita representa energia jogada no lixo, desperdício de dinheiro. Boa manutenção é essencial para garantir a segurança de todos.” No mercado, há produtos e serviços capazes de reduzir o consumo de energia. Um dos mais comuns – mas que muitos condomínios ainda não adotaram – é o sistema de luzes de emergência. O produto é o carro-chefe da Futura Tecnologia. O gerente da empresa, Paulo Ricardo Pauli, explica que um projeto desse tipo pode garantir economia de luz de 80%. É um dos itens mais procurados pelos clientes. Ele diz que se o condomínio instalar também um nobreak, a luz de emergência torna- se ainda mais eficiente e pode ganhar autonomia de duas até cinco horas, dependendo do modelo e da capacidade do aparelho, o que permite a iluminação das escadas do prédio durante queda prolongada do fornecimento de energia elétrica. “Além disso, o nobreak evita curtos-circuitos, o que ocorre com certa freqüência quando há falta de luz, danificando o equipamento dos prédios. Ao contrário do que as pessoas pensam, os aparelhos queimam não quando a luz vai embora, mas quando ela volta. É nesse momento, quando o fornecimento é restabelecido, que pode acontecer a entrada de uma tensão mais alta, um pico de energia”, explica Paulo.

O custo da instalação de luzes de emergência vai depender muito da quantidade de unidades que serão utilizadas. Cada uma custa entre R$ 60 a R$ 150. Além disso, o nobreak, dependendo da potência, tem preço que varia de R$ 2 a R$ 4 mil.

Síndico do Condomínio Erídano, no Humaitá, de 200 apartamentos, Carlos Alberto Teixeira de Almeida adotou recentemente um sistema de luzes de emergência nas escadas de serviço do prédio, um dos lugares mais visados para esse tipo de instalação.

Ele tem consciência de que a medida evita sobrecarga, mas admite que o objetivo inicial era mesmo reduzir a conta de luz. Ainda espera as contas dos próximos meses chegarem para compará-las com as dos meses do mesmo período do ano passado. “É um investimento relativamente barato que pode ter grande impacto nas despesas do condomínio. É o que desejo. Vamos esperar para ver. É preciso que passem alguns meses para a gente ter uma ideia clara da curva de consumo”, afirma Carlos Alberto.

A compra de um gerador, que alguns veem como medida radical, pode ser garantia de tranquilidade e conforto durante todo o ano, e não só no verão, quando há aumento do consumo e risco de apagões. Os condomínios grandes, principalmente, estão optando por fazer o investimento. Em especial, para manter a bomba de água – para uma queda de energia não implicar também falta de água – e os elevadores funcionando. Um dos condomínios mais luxuosos da Barra da Tijuca, o Golden Green já dispõe de gerador em alguns blocos. Os dois que ainda não contam com a comodidade vão passar a ter um gerador para chamar de seu em breve.

O diretor da Mil Geradores, Omar Jacob, explica que, ao contrário do que se imagina, comprar um gerador – em vez de alugar em decorrência de alguma emergência – pode ser um bom negócio. Além dosnovos, que são mais caros, há alternativas mais em conta e igualmente eficientes. Os usados, com a mesma cobertura de garantia, custam 50% menos. Não bastasse isso, é possível financiar os modelos de primeira mão em até 60 vezes. Na linha de geradores residenciais, há modelos de 15 kVA a 500 kVA. Os aparelhos estão disponíveis para pronta entrega. Omar recomenda que um prédio de 100 apartamentos pode ser bem atendido por um gerador de 100 kVA.

“É o suficiente para manter um elevador, a bomba de água, as luzes da escada e da recepção funcionando. E pelo tempo que for necessário. Basta abastecê-lo com óleo diesel”, esclarece, lembrando que no verão aumentam os pedidos de cotação de equipamento que nem sempre se revertem em vendas. “Na verdade, no fim do ano, as fábricas entram em recesso e você não consegue geradores para pronta entrega. Com certeza, os pedidos levarão, em média, 60 dias para ser atendidos. A recomendação é pensar antes e fechar negócio a tempo de assegurar seu equipamento no verão”, aconselha Omar, com a autoridade de quem ilumina a Árvore de Natal da Lagoa.




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