Os cuidados que os condomínios precisam ter para não ficar a deriva e o período transcorrer sem problemas.
Super-herói que tudo sabe e resolve no imaginário dos moradores, o sindico também tem direito a ferias. E precisa delas. Elas devem ser planejadas em dobro, muito mais do que se recomenda para qualquer mortal. O gerente geral da CIPA, Paulo Rocha, explica que tudo pode ser feito de forma tranquila, sem sobressaltos, e que as providencias, na verdade, são medidas muito simples. Em primeiro lugar, o sindico deve conversar com o subsíndico sobre a decisão de se afastar por alguns dias e informá-lo, por exemplo, sobre eventuais pendências e pagamentos futuros.
“Ele tambem não pode deixar de apresentar formalmente a administradora quem vai substituí-lo. Em geral, e o subsíndico, mas pode ser outra pessoa. No âmbito interno, deve preparar um checklist com as pendências. São ações simples que vão garantir a tranquilidade necessária para ele viajar e curtir suas merecidas ferias. Nos sempre recomendamos que e importante o sindico esquecer um pouco o condomínio e curtir as ferias. Mas e comum que alguns não consigam se desligar, que monitorem tudo pela internet, se as contas estão em dia ou se há inadimplentes, e ate liguem para o porteiro querendo saber se esta tudo bem no prédio”, diz Rocha. “Eles precisam saber que podem relaxar. O mais complicado e ter uma audiência judicial marcada para o período em que ele vai estar fora. Mesmo assim, e possível. Ele pode fazer uma procuração para outra pessoa representá-lo, sem problema algum.”
Responsável por um condomínio grande, de 457 unidades, em Botafogo, William Rocha lança mão da experiência para lidar com imprevistos mesmo quando esta viajando. O domínio dele sobre tudo que ocorre e grande. Sem subsíndico, ele conta com um conselho para ajudá-lo e um contador. De resto, e com ele mesmo. Na ultima vez em que tirou uns dias para descansar, despachou por celular com o advogado do condomínio no intervalo de uma audiência judicial em que se decidia sobre o caso de inadimplência de um morador.
“Ele pediu ao juiz um intervalo de dez minutos e me ligou. Eu estava dirigindo de Aracaju para Aquidaba, onde fui visitar a família e participar da Festa de Santana, muito tradicional na cidade. Eu o orientei a fechar o acordo, porque tinha toda a historia na cabeça. Inclusive, já estamos ate recebendo os valores atrasados. Coma tecnologia, como internet e celular, fica muito mais fácil administrar a distancia. E verdade que acabamos relaxando menos, mas não me aborreço”, conta William, dizendo que ficou apenas uns oito dias fora durante o mês de julho.
William também da outra dica que pode ser util. Ele prefere não sair para viagens na ultima semana do mês, quando e preparada a folha de pagamentos e é atualizado o valor do condomínio.
Em alguns feriados mais longos e durante o carnaval, quando se ausenta, o sindico Milton Francisco Godomiczer usa todos os conhecimentos que adquiriu em cursos no Secovi ou na Abadi. Mas costuma brincar que o senso comum esta certo: sindico não tem mesmo direito a ferias. “E brincadeira mas não entendo por que algumas pessoas acham que o subsíndico não vai resolver. Eu tenho uma subsíndica que e muito participativa. Uma vez, estava em Nova York visitando minha filha que mora lá ha alguns anos, uma das viagens que faço com alguma frequencia, e uma moradora, pedindo mil desculpas, me ligou para falar sobre uma situação grave, pois tinham mexido no carro da filha dela. Evidentemente, não podia fazer nada sobre o assunto, realmente delicado, estando longe, e a subsíndica contornou a situação ate minha chegada."