Por CIPA
Em 21/01/2020
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Sistema de coleta de água de chuva e controle de vazamentos são a solução para economizar

Nessa época de calor intenso e férias escolares, o consumo de água costuma ser maior. Os banhos mais longos, os parentes e amigos que vêm passar uns dias em nossas casas, tudo isso faz o gasto de água aumentar muito. Além disso, usamos a água de forma descontrolada. Para se ter uma ideia, de acordo com dados do Serviço Nacional de Informações sobre Saneamento (SIS), os moradores do estado do Rio de Janeiro são os que mais gastam água no Brasil. O último relatório, de 2017, mostrou que cada morador do estado utiliza, em média, quase 295 litros de água por dia, enquanto a média nacional é de cerca de 154 litros por pessoa.

A escassez de água é um problema que afeta todo o planeta. Reduzir o consumo e pensar em soluções sustentáveis é um dever de todos, não só para ajudar o meio ambiente, mas também para economizar nas contas. Muitas dessas alternativas estão próximas de nós e podemos tentar mudar. Por exemplo, durante o verão, chove muito, e essa água, em vez de causar danos aos moradores, pode ser aproveitada nos condomínios.

O uso de sistemas da captação de água da chuva pode trazer uma economia estimada em até 30% da água utilizada nos imóveis. O engenheiro e síndico do Condomínio Carioca Residencial, na zona norte, Fernando Canejo, afirma que “além da economia no consumo de água para o asseio e a conservação das áreas comuns, esse sistema ajuda ao meio ambiente. Ele também é importante no retardo do escoamento da água da chuva para as redes de drenagem do sistema público, evitando alagamentos e enchentes”.

Com o crescimento das cidades e, consequentemente, das áreas asfaltadas, a grande quantidade de água da chuva pode provocar alagamentos nas ruas e dentro dos prédios. “O asfalto é impermeável, então, a água vai direto para a rede, que não tem como escoar um volume tão grande de líquido, o que provoca inundações. A construção dessas cisternas ou de telhados ecológicos, por exemplo, tende a reter essa água, o que ajuda a reduzir os estragos”, explica o engenheiro Luiz Otávio Gomes Ribeiro, da Ricel Ribeiro Construtora e Empreendimentos.

É bom ressaltar que todos os prédios, em princípio, podem construir um sistema de captação de água da chuva. De acordo com o especialista da Ricel, “essa obra, no entanto, não é uma receita de bolo que já vem pronta. É necessário que o síndico entre em contato com uma empresa especializada e solicite um projeto que se adapte a seu condomínio”. O síndico Canejo concorda com ele e alerta ainda que “a empresa contratada para a execução do projeto tem que oferecer o acompanhamento técnico de um
engenheiro para a verificação das necessidades da construção”.

Quando Canejo assumiu a sindicatura no Condomínio Carioca Residencial, a obra da cisterna já estava pronta. Como essa água captada não é potável, ela é utilizada no condomínio para irrigação de plantas e jardins e limpeza das áreas comuns. Segundo
Canejo, “o custo médio para a construção pode variar conforme cada empreendimento, mas o payback (o tempo de retorno de um investimento) estimado de um sistema novo costuma ser entre 18 e 24 meses, dependendo do caso. Existem soluções viáveis, desde sistemas compactos até grandes reservatórios, além de adaptação nas calhas para o novo sistema de captação das chuvas, assim como de tubulação e instalação”.

Além desses sistemas, é necessário que os moradores também estejam atentos ao que acontece em seus imóveis. “É importante verificar constantemente se existem vazamentos nos banheiros, na cozinha ou na área de serviço e fazer um controle do consumo de água de forma consciente. Os síndicos também precisam fazer esse trabalho na área comum do condomínio”,
afirma Luiz Otávio.

Canejo está atento para que não haja desperdício de água no condomínio que administra. O trabalho é árduo. “Como temos um consumo de água diário estimado pela concessionária de 0,5 metro cúbico e temos um total de 732 unidades, incluindo as áreas comuns, nossa meta é não ultrapassar os 366 metros cúbicos por dia. Para isso, temos o acompanhamento do consumo diário a cada três horas para atuação imediata, caso o limite de consumo seja ultrapassado. Alguns moradores ajudam a administração informando vazamentos e pedindo auxílio em caso de ocorrência nas unidades. Outro item importante é a limpeza semestral dos reservatórios de água potável, quando buscamos utilizar toda a água para que não ter aumento do consumo”, ensina o síndico.

A participação dos moradores nesse projeto de uso consciente da água é fundamental. Gisele Veras é diretora comercial da empresa AcquaX. Ela faz um trabalho com os moradores e administradores dos condomínios, orientando sobre a importância da redução do consumo de água. “Nas palestras, mostro quem são os grandes vilões do desperdício, ensino como identificar vazamentos e falo sobre como deve ser feita a manutenção de descargas e aquecedores. Tudo é uma questão de cultura, e esse tipo de reparo pode diminuir as contas de água entre 30% e 40%. Devemos pensar, por exemplo, quantas vezes ligamos a máquina de lavar por semana. Dá para reduzir?”

Outro modo de tentar conter o consumo é fazendo a individualização do consumo de água. De acordo com a especialista da AcquaX, a primeira vantagem em pensar nessa individualização é a questão de justiça, já que cada morador vai pagar apenas o que consumir. Além disso, os próprios condôminos, para reduzir suas contas, vão ficar mais atentos com a questão dos vazamentos. “Um condomínio com dez apartamentos que fez a obra de individualização dos hidrômetros baixou as contas de
R$ 3 mil reais para R$ 1 mil. Em condomínios maiores, a redução é ainda mais considerável”, afirma ela.

Em 2016, o ex-presidente da República Michel Temer sancionou a Lei nº 13.312, que vai tornar obrigatório, a partir de 2021, a medição individual de todos os condomínios novos que forem construídos no Brasil. Essa medida fez com que dobrasse a quantidade de solicitações desse tipo de reforma também nos imóveis mais antigos. De acordo com a diretora comercial da AcquaX, “os moradores vêm os resultados em outros condomínios e querem fazer a reforma. A obra custa, em média, R$ 4 mil por apartamento, no caso de um prédio pequeno, de 10 unidades, mas gera uma economia muito grande”.

Pensando em fatores econômicos e no cuidado com o meio ambiente, gastar menos água e pensar em maneiras de usar o recurso de forma sustentável é benéfico não só para os moradores, mas para toda a sociedade. E o planeta agradece.

 

 

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