Por CIPA
Em 17/04/2017
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Cuidados frequentes podem evitar acidentes

Essencial na vida dos condôminos e funcionários, o elevador trava uma disputa no coração de seus muitos usuários. Se estiver funcionando perfeitamente, é amado. Se der uma pequena pane após um longo período funcionando bem, é odiado. Essa relação de amor e ódio é natural, já que os elevadores são peças fundamentais do cotidiano das pessoas. Mas apesar da comodidade que o equipamento proporciona, o síndico precisa estar muito atento à manutenção necessária, pois um descuido pode custar vidas.

A síndica Neusa Miranda, que está à frente do Condomínio do Patrocínio, administrado pela CIPA e localizado na zona norte do Rio de Janeiro, conta que, na gestão anterior, houve um grave acidente envolvendo um dos elevadores. “O elevador estava com um problema na porta e um senhor de idade, morador do primeiro andar, utilizava o elevador várias vezes ao dia. Em determinada ocasião, ele puxou a porta e caiu no poço do elevador. Por sorte não foi fatal, mas tanto a empresa que fazia a manutenção dos elevadores quanto o condomínio foram processados. Essa sentença saiu, inclusive, durante minha gestão, e tivemos que indenizá-lo”, conta. Neusa Miranda já atuava no conselho, mas foi eleita há cerca de um ano para administrar o prédio de sete andares e 56 unidades, após o síndico anterior precisar se afastar por problemas pessoais. Ela conta que o síndico que a antecedeu já havia feito grande parte da modernização dos elevadores. “Ele chegou a trocar toda a parte eletrônica e os painéis. Agora precisamos trocar as portas, e vou levar esse assunto para a próxima assembleia, mas nossa maior dificuldade é que temos um número muito alto de inadimplentes, o que nos obriga a fazer as coisas de maneira mais lenta, pois não dá para pagar tudo de uma vez”, explica.

Atualmente, o condomínio de Neusa Miranda conta com uma empresa especializada que faz a manutenção dos dois elevadores uma vez por mês. “Além dessa conservação mensal, eles estão sempre à nossa disposição caso aconteça algum problema ou emergência, inclusive os telefones da empresa ficam presos no painel de avisos para que todos tenham acesso e possam ajudar no caso de uma contingência, já que não temos porteiro em todos os horários do dia nem nos fins de semana. Recentemente, reforçamos os avisos de cuidado com placas para os usuários prestarem atenção antes de embarcar no elevador”, diz. A síndica agiu corretamente, em obediência à Lei 7.326, em vigor desde 2016, que impõe às edificações públicas e privadas, situadas no estado do Rio de Janeiro, a fixação, na parte externa dos elevadores, em local visível, de cartaz com informações de segurança, com o dizer obrigatório: “Aviso aos passageiros: antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado no andar.”.

Neusa conta, ainda, que encontra muita dificuldade no diálogo com os moradores. “As pessoas parecem que não compreendem a situação dos síndicos. Outro dia, uma moradora se recusou a utilizar o elevador de serviço – o social estava com problemas – e queria que ligássemos apenas para ela usar. É claro que não cedi à pressão, principalmente pela segurança dela, mas ganhei uma perseguidora por causa disso. O síndico tem que ter muito jogo de cintura. Acho que deveria haver uma campanha em favor do síndico, pois precisamos ser motivados e, acima de tudo, respeitados. Fazemos sempre o melhor para todos e isso é o mínimo que merecemos”, afirma.

Muita comodidade e muitos problemas…

Quando perguntada se já teve problemas com os elevadores do condomínio onde é síndica há 12 anos, Herô Coutinho ri e diz que já foram milhares deles. A síndica está à frente do Condomínio Azaleias – que é administrado pela CIPA e está situado na zona norte da cidade –, que conta com dois elevadores para atender cerca de 350 moradores distribuídos em 120 unidades. “Os problemas mais recorrentes eram com as portas e os moradores presos nas cabines. Chegou a um ponto em que eu estava muito insatisfeita com a empresa que prestava serviço para nós, mas não conseguia nenhuma outra para assumir o contrato, pois nossos elevadores são muito antigos – têm 35 anos – e isso me levou a fazer a modernização. Trocamos as duas cabines, todas as portas dos andares e todo o quadro de comando. Só o motor não foi substituído. A proposta de modernização foi muito bem recebida pelos moradores, principalmente porque não precisamos de cota extra para isso. O resultado não foi o que eu esperava, pois ainda temos alguns problemas, mas, em vista do que estava, melhorou muito. A obra foi entregue no ano passado e a empresa alega que ainda não está funcionando perfeitamente, pois precisamos de ajustes, mas já estamos há mais de um mês sem contratempos. A mesma empresa que fez a modernização é a responsável pela manutenção mensal, e disso não posso reclamar. Quando abrimos um chamado, somos atendidos o mais rápido possível, sempre no mesmo dia”, diz.

Tudo tem solução!

Como quase não existe vida condominial sem os elevadores, é importante que o síndico esteja resguardado e tenha o apoio de uma empresa idônea que, além de prestar um bom serviço, seja capaz de atender aos chamados com rapidez e eficiência. Fábio Aranha é sócio fundador da Infolev – Elevadores & Informática, empresa que atende a todo o país e exporta para mais de 10 países equipamentos para elevador, especialmente quadro de comando eletrônico para modernização e acessórios como botoeiras e indicadores de posição digitais. Aranha explica que a empresa de manutenção tem obrigação legal e contratual de realizar uma visita a cada 30 dias para conservação preventiva e tem que manter plantão 24 horas para atendimento de emergência e ação corretiva: “Além disso, temos que entender a manutenção como um contrato de duas vias, ou seja, a qualquer dia, o usuário/condomínio deve reportar as anomalias percebidas para a empresa responsável pela conservação, como ruídos estranhos, desnivelamento e outras falhas. Quando for urgente, a empresa deve ser chamada para uma visita de manutenção corretiva. Do contrário, o problema deve ser relatado no momento da visita mensal, na qual devem ser realizadas a conservação (limpeza e lubrificação) e a checagem do funcionamento em geral e de itens de segurança. As visitas mensais englobam um plano de manutenção anual em que, a cada mês, está prevista a verificação de determinados itens e, todo ano, é emitido o Relatório de Inspeção Anual (RIA), que, inclusive, deve ser entregue para o condomínio e para a Prefeitura”, explica.

Aranha ainda afirma que por se tratar de equipamento de transporte coletivo com itens de segurança, é obrigatório manter contrato com empresas credenciadas pela Prefeitura do Rio de Janeiro – GEM – RioLuz. Nesse caso, a fiscalização garante que a empresa possua engenheiro responsável, estrutura mínima de oficina e seguro de responsabilidade civil, entre outras obrigações. “Na hora de contratar a empresa que fará a manutenção dos elevadores, é preciso checar referências de outros serviços semelhantes realizados em outros edifícios e verificar a marca do equipamento que está sendo oferecida, se tem suporte e assistência no Rio de Janeiro e se é de fácil manutenção e reposição de peças por qualquer outra empresa do ramo. Evite equipamentos que têm reposição ou manutenção ‘exclusiva’ de uma única empresa, que, por maior que seja, pode ser um problema. Também é importante ressaltar que manutenção ou modernização não precisa ser realizada pelo fabricante original do elevador. Existem cerca de 70 empresas habilitadas pela Prefeitura para tanto. Normalmente, por ser um serviço especializado e sob medida, muitas vezes, empresas de pequeno e médio portes podem oferecer soluções personalizadas mais viáveis para cada situação. Em caso de dúvidas, o condomínio pode ainda recorrer à contratação de uma empresa de consultoria em elevadores independente, que poderá dar orientação sobre a elaboração de um edital, equalização das propostas e conferência da realização dos serviços. O elevador é um meio de transporte seguro, porém, para isso ser realmente verdadeiro, são necessárias uma boa manutenção e atualização técnica para os padrões de segurança das normas atuais”, diz.

O Rio de Janeiro, por ter sido a capital do país, foi a primeira cidade a se verticalizar – tem até o primeiro elevador do Brasil. Contudo, muitos desses equipamentos têm mais de 20-30 anos, ou seja, são da época em que as exigências de segurança eram bem menores, quando não se usavam cintos de segurança nos carros, capacetes em motos ou preservativo. Logo, é muito importante adaptar os elevadores a todos os itens da NBR 15.597 (norma de segurança para elevadores), pois muitos estão funcionando de forma precária. “A falta de peças de reposição e mão de obra especializada também é fator convidativo para modernizar equipamentos com mais de 20 anos de operação. E com o atual e substancial aumento do custo de energia elétrica, sem dúvida, a modernização com controle de maior eficiência energética, que proporciona economia da ordem de 40% quando comparado com os sistemas antigos, é cada vez mais importante para os condomínios”, explica.

Para Ilídio Sequeira, sócio-gerente da Elevadores Salta, empresa especializada em manutenção, instalação e modernização de elevadores, que atende ao município do Rio de Janeiro, a conservação abrange tudo o que for necessário para deixar o elevador como novo, isto é, sem ruídos, odores ou trepidação, com bom aspecto, seguro e confortável. “A manutenção engloba limpeza, lubrificação, análise de ruídos e da temperatura dos equipamentos, regulagem etc. Essas ações são realizadas, no mínimo, uma vez por mês. Já a inspeção diária é feita pelo usuário, que, se sentir algum odor ou perceber alguma trepidação, deve informar ao porteiro, que precisa conferir tal fato e, se for o caso, chamar a empresa responsável pela manutenção. A empresa dever ter sempre, 24 horas por dia, uma equipe que atende às solicitações dos clientes e as repassa aos técnicos, além dos serviços burocráticos e administrativos para o cumprimento das normas da Gerência de Engenharia Mecânica (GEM), como do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA), e as análises técnicas sobre o ocorrido com os elevadores.

Existe uma rotina de manutenção preventiva que visa inspecionar o equipamento como um todo: “O técnico tem que inquirir o zelador se há anormalidades e checá-las. Em viagem no elevador, ele deve conferir o nivelamento da cabina, bem como observar vibrações; ruídos; coxins; botões. Na casa de máquinas, é imprescindível que ele examine os componentes dos comandos; as máquinas quanto a temperatura, óleo, freio, ruídos, desgaste e vazamentos. Também é importante que ele verifique os cabos de aço; os limitadores de velocidade; a chave geral; a temperatura ambiente e, por fim, a limpeza do piso e das máquinas. Já nas portas de pavimento, é fundamental avaliar trincos e demais componentes e, no poço, vale se ater a limites, guias, cabos de aço, contrapeso, polias”, explica Ilídio Sequeira.

O sócio-gerente da Elevadores Salta acredita que as normas brasileiras deveriam se equiparar às vigentes em outros países. “As normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) poderiam acrescentar mais um item de segurança que consta das normas dos EUA, do Canadá e de toda a Europa: a obrigatoriedade do uso do prensa-cabos, que reduziria significativamente os acidentes com elevadores. É inadmissível que uma cabina de elevador se movimente sem que seja por ação do comando, e isso acontece mais vezes do que se imagina. Com frequência, alguém abre uma porta de elevador e ele não se encontra no andar e, se o passageiro não perceber a falta da cabina, vai cair no poço e provavelmente morrer. Esses defeitos acontecem por diversas razões – falha do freio principal da máquina, que, por algum motivo, não atraca, deixando o freio aberto; falha do acoplamento; eixo; sistema de controle; e como o contrapeso é mais pesado do que a cabina, ele a arrasta para cima, produzindo essas consequências. E esses defeitos não são falhas de manutenção, e sim falta do prensa-cabos”, finaliza.

 

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