Por CIPA
Em 21/01/2020
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Tempestades e raios podem causar sérios transtornos para os moradores

 

Sol a pino, praias lotadas, temperatura lá no alto. O verão é uma das estações mais esperadas pelos cariocas. E também uma das mais temidas. De repente, vem aquele temporal, acompanhado de raios e trovões. Em pouco tempo, ruas alagadas, desabamentos, acidentes e quedas de árvores. O caos completo que o carioca precisa enfrentar toda vez que chove forte na cidade.

Nos meses de fevereiro a abril de 2019, quase 20 pessoas morreram em decorrência das chuvas no Rio de Janeiro. Um dado triste e assustador. O poder público, que deveria investir na infraestrutura da cidade, com ações preventivas e contínuas
de zeladoria – como operações de limpeza e desobstrução de vias e bueiros –, pouco faz.

No ambiente privado, do mesmo modo que no público, os temporais não podem pegar os moradores de surpresa. É importante que a manutenção dos condomínios esteja sempre em dia para impedir os transtornos causados pela chuva. Carros flutuando em garagens inundadas, equipamento eletrônico queimado, sujeira, prejuízo e dor de cabeça podem e devem ser evitados. Já é mais do que sabido que o período entre dezembro e meados de abril é o mais chuvoso do ano. Então, é melhor prevenir do que remediar.

O síndico precisa estar atento para manter a estrutura do prédio organizada. As redes de água e esgoto, por exemplo, devem estar sempre limpas, para evitar problemas nos apartamentos mais baixos ou na área comum do prédio.

Joel Costa é gerente da Desentupidora J. Costa, especializada em diversos tipos de desobstrução, como de colunas de gordura e de água potável, esgoto, tanques e águas pluviais, e também em limpeza de fossa. De acordo com ele, “as caixas coletoras inferiores devem ser limpas de seis em seis meses, para dar saúde às bombas e ajudar no escoamento da água. Se isso não for feito, começa a juntar resíduos, o que acaba por entupir ralos e tubulação”.

Mas atenção deve ser dada também a outros ambientes do prédio, como o terraço e os elevadores, que também acumulam água. É necessário, inclusive, fazer a limpeza do poço do elevador, revisando se não há infiltração ou água empoçada. Geise Pereira Quinhões, engenheira e responsável técnica da empresa A. Q. Saneamento, afirma que a limpeza também deve ser realizada não só na rede pluvial e de esgoto, mas também na caixa de gordura. “Os equipamentos utilizados são de alta tecnologia e conseguem desobstruir todos os tipos de caixa, manilhas e tubulação, por meio de sucção a vácuo e jateamento de água, sem danificar as estruturas”, afirma.

Valéria Soresini é síndica do Condomínio Viva Lagoa, na zona sul. Responsabilidade e ética são duas palavras fundamentais para ela na administração de um imóvel. “Muitas vezes, vemos condomínios sendo administrados de forma caseira. É importante agir profissionalmente, porque ser síndico é cuidar do coletivo. Então, ao zelar pelo imóvel, estamos preservando a saúde das pessoas.”

O Condomínio Viva Lagoa tem dois blocos com 110 apartamentos. Valéria acredita também na eficiência da manutenção periódica. Bombas, redes de água e esgoto e caixa de gordura estão sempre com a assistência em dia. “Na administração de um condomínio, você está afetando a vida de muitas pessoas. O serviço preventivo e a limpeza constante colaboram para que todos tenham uma vida saudável. Além disso, é extremamente necessário para evitar danos materiais e gastos com obras emergenciais.”

Outro ponto positivo para quem aposta na prevenção é estar à frente do problema. As empresas especializadas alertam os responsáveis do condomínio quando há algum tipo de dano e aconselham que haja um reparo antes que aconteça um contratempo. A manutenção preventiva também é muito importante para que as pessoas não entrem em contato com água contaminada, que pode causar doenças como erisipela e hepatite.

Geise, da A. Q. Saneamento, ressalta, no entanto, que os serviços de manutenção devem estar aliados ao uso consciente dos moradores. “A educação dos condôminos é fundamental para o bom funcionamento do prédio. Não se deve jogar fio dental, absorvente ou cotonete no vaso sanitário, por exemplo. Esses objetos geram entupimento da tubulação. A rede de esgoto foi feita para receber dejetos humanos, não plástico. Outro ponto importante é não jogar alimentos sólidos ou óleo de cozinha direto na pia. No caso da comida, não temos triturador no Brasil e o alimento entope a rede. No caso do óleo, o ideal é separar para não poluir os rios”, explica a engenheira.

Redes de água e esgoto sem manutenção também prejudicam o desempenho das bombas dos condomínios, principalmente as usadas para retirar a água acumulada nas áreas subterrâneas. Para os síndicos que têm esse tipo de problema, muitos especialistas recomendam que se instale um sistema de drenagem nesses prédios. “É necessário que o imóvel seja equipado com bombas submersas, filtros de captação e reservatório de água de chuva”, indica Leopoldino Francisco Zimmermann, diretor da Orteb, empresa especializada em diversos tipos de bomba, motores, barriletes e colunas e também em impermeabilização

A bomba submersível é fabricada com material resistente e precisa trabalhar dentro d’água. No caso das garagens subterrâneas, como é usada raramente, é necessário que o síndico cuide para ela não travar na hora em que realmente precisar acioná-la. O ideal, segundo o especialista, é programar um painel de comando para ativar o equipamento pelo menos uma vez por semana. “Os quadros de comando eletroeletrônicos são fundamentais no dia a dia de uma edificação, pois permitem automação na utilização de bombas e motores sem a necessidade de comando manual ou manobra de registros”, afirma ele.

O síndico Marcelo Cumplido passou por maus bocados nas chuvas de abril do ano passado. De acordo com o Sistema Alerta Rio, a chuva que caiu nos dias 8 e 9 foi a mais volumosa em 22 anos. Os bairros da zona sul foram os mais afetados. A garagem subterrânea do Condomínio Cumplido de Sant´anna, administrado por Marcelo, alagou e os três carros que estavam estacionados tiveram perda total. O apartamento do porteiro, que fica no primeiro andar, também foi inundado.

Marcelo estava em dia com a manutenção das redes de água e esgoto e da caixa de gordura. O prédio tinha uma bomba submersível para drenar a água, que funcionava perfeitamente. Mas nesse dia a luz acabou e o equipamento não funcionou. Depois do susto, Marcelo resolveu se precaver ainda mais. O prédio de três andares, com apenas seis apartamentos, passou a ter também um gerador a gasolina e foi instalada uma comporta na garagem.

Os raios também preocupam durante os temporais. A responsabilidade pela manutenção dos para-raios, igualmente, é tarefa do síndico. De acordo com o Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), no Brasil caem, em média, 78 milhões de raios por ano. No Rio de Janeiro foi registrada, de janeiro a novembro de 2019, a incidência de 370 mil raios. O estado ocupa a 13ª posição no ranking nacional de densidade de raios. Nos últimos nove anos, 45 pessoas morreram atingidas por raios só no Rio.

Para evitar uma tragédia, “é fundamental que todos os elementos metálicos da cobertura do condomínio, como tampas de caixas-d’água, porta de metal, antenas de TV e grades de proteção, estejam abaixo do sistema de captação das descargas atmosféricas, para que não façam o papel de captador de descargas”, explica Jefferson Leal, sócio da Hidratec.

Jefferson, da Hidratec, orienta ainda: “Durante as tempestades, deve-se evitar usar o telefone, ficar próximo de tomadas, canos metálicos, janelas e portas metálicas e tocar em qualquer equipamento elétrico ligado à rede elétrica. A implantação e a manutenção dos sistemas de proteção contra descargas atmosféricas SPDA (para-raios) contribuem para a preservação dos equipamentos elétricos que operam na edificação.”. A manutenção também precisa estar em dia e deve ser feita por profissionais especializados.

Todos os anos, precisamos aprender a conviver com os temporais de verão e as “águas de março”. O ideal é que os administradores de condomínios residenciais e comerciais estejam atentos para a chegada desse período, cuidando para manter os imóveis seguros para todos.

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