Por CIPA
Em 18/07/2016
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Os elevadores são, sem dúvida, os equipamentos mais utilizados do condomínio. Seja em condomínios residenciais ou comerciais, é indiscutível que eles são também muito úteis e necessários à vida condominial. Atualmente, existem, além dos elevadores verticais comuns, os panorâmicos e os de acessibilidade. O mais comum é o elevador vertical, que está presente em grande parte das construções mais recentes. Os panorâmicos, com design mais arrojado, proporcionam visibilidade aos usuários e os inserem na paisagem externa ao elevador, que pode ser dentro ou fora da construção. Já os de acessibilidade são destinados às pessoas com mobilidade reduzida e/ou deficientes físicos.

Mesmo com os elevadores mais modernos, é importante que o síndico esteja muito atento à manutenção necessária deles, pois, apesar de serem muito seguros, a falta de cuidados periódicos pode colocar a vida dos usuários em risco. Segundo Fábio Aranha, diretor comercial da Infolev – Elevadores & Informática, empresa que atende a todo o Brasil e fornece equipamento para elevadores, especialmente quadros de comando eletrônico para modernização, é fundamental, para o bom funcionamento do elevador, que ele receba uma boa manutenção. “Ele precisa estar atualizado tecnologicamente e é bom que tenha sido feito um bom projeto no momento em que foi fabricado/comprado. Sem essas condições, fica difícil garantir um funcionamento seguro e confiável. Todo contrato de manutenção é uma relação de duas vias, portanto, também é fundamental a boa conduta do usuário, que não deve exceder a carga máxima estipulada por cada equipamento nem jogar água ao lavar o hall, bem como sempre informar à empresa responsável pela manutenção as ocorrências, como barulho, a formação de degraus, sinalização que não funciona e outros detalhes que nem sempre são percebidos na manutenção preventiva mensal”, diz Aranha.

Diego Marques, diretor-geral da TN do Brasil, empresa que atende a todo o Rio de Janeiro e oferece manutenção e assistência técnica para elevadores e escadas rolantes, explica que há dois tipos de manutenção. “A preventiva tem o objetivo de reduzir o número de paralisações do elevador, supervisionando todo o equipamento e evitando possíveis falhas. Normalmente, esse tipo de manutenção é realizado, no mínimo, uma vez por mês, dependendo da necessidade do equipamento. Já a manutenção corretiva é feita sempre que solicitada pelo cliente, quando é observada alguma irregularidade ou paralisação do elevador”, diz. Ainda segundo Diego Marques, alguns cuidados podem ser tomados pela administração para ajudar a manter os elevadores em bom estado de funcionamento: “Fiscalizar o uso através de câmeras de segurança; notificar a empresa responsável pela manutenção sempre que o elevador apresentar qualquer tipo de problema, para que sejam tomadas as devidas providências; manter a casa de máquinas do elevador restrita à empresa responsável pelo cuidado do equipamento; manter os usuários informados sobre as boas práticas de utilização do elevador, como aguardar sua chegada para acessar a cabine; não entrar no elevador em caso de desnível ou falta de iluminação; não chamar mais de um elevador para atender à chamada do pavimento e respeitar o limite de peso informado no interior da cabine.”

Fábio Aranha explica a necessidade da contratação de uma empresa especializada para cuidar dos elevadores. “Por se tratar de equipamento de transporte coletivo com itens de segurança, é obrigatório manter contrato com empresas credenciadas pela Prefeitura do Rio de Janeiro – GEM – RIO LUZ. Nesse caso, a fiscalização garante que estas possuam engenheiro responsável, estrutura mínima de oficina e seguro de responsabilidade civil, entre outras obrigações. Além disso, é importante checar as referências de outros serviços semelhantes realizados em outros edifícios e verificar as marcas dos equipamentos que estão sendo oferecidos, se eles têm suporte e assistência no Rio de Janeiro e se são de fácil manutenção e reposição de peças por qualquer outra empresa do ramo. Evite equipamentos que têm reposição ou manutenção ‘exclusiva’ de uma única empresa, por maior que ela seja, o que pode ser um problema. É importante ressaltar que manutenção ou modernização não precisa ser realizada pelo fabricante original do elevador. Existem cerca de 70 empresas habilitadas pela Prefeitura que cuidam de elevadores. Normalmente, por ser um serviço especializado e sob medida, empresas de pequeno e médio portes podem oferecer soluções personalizadas mais viáveis para cada ocorrência. Em caso de dúvidas, o condomínio pode, ainda, recorrer à contratação de uma empresa de consultoria independente em elevadores, que poderá orientar a elaboração de um edital, a equalização das propostas e a conferência da realização dos serviços”, esclarece.

Há sete anos, Sérgio Pitanga é síndico do Condomínio Residencial Sunshine, localizado na zona oeste do Rio de Janeiro – São dois blocos com 120 unidades e cerca de 370 moradores que contam com 10 elevadores – Pitanga conta que os elevadores são submetidos à manutenção preventiva mensalmente e recebem cuidados corretivos quando necessário. “A empresa que nos atende disponibiliza funcionários 24 horas por dia para os casos emergenciais. Contar com uma empresa especializada é fundamental porque estamos lidando com vidas”, diz Sérgio Pitanga. O síndico trocou, recentemente, a empresa que prestava serviços, de conservação, buscando um melhor custo-benefício. “No início, fazíamos a conservação com a empresa fabricante dos elevadores, mas eles estavam tendo problemas para nos atender e deixaram a desejar. Trocamos por outra empresa que, inicialmente, se mostrou muito competente, mas, com o passar do tempo, foi a deixando falhas. Eles já não atendiam em tempo hábil e as peças trocadas voltavam a dar defeito rapidamente. Estávamos recebendo muitas reclamações dos moradores por conta dos elevadores e, nesse momento, a fabricante dos elevadores já estava fazendo um trabalho de reaproximação, mostrando que o atendimento deles havia mudado, que a parte comercial interagia com a parte técnica, o que traz um ganho muito grande para o condomínio. Estamos satisfeitos com a mudança, sendo muito bem atendidos, e esperamos que esse serviço continue sendo prestado dessa maneira. Nossa próxima intervenção nos elevadores será a instalação de um gerador para trazer mais segurança e comodidade aos condôminos. Muitas pessoas têm medo de ficar presas na ocorrência de falta de energia, além do quê, subir e descer vários andares de escada não é nada confortável. A maioria dos condomínios já conta com esse recurso, e nós também teremos até o final do ano”, diz.

Modernização

A síndica profissional Sarah Toledo, há nove anos no comando do Condomínio Eugênio, localizado na zona sul do Rio de Janeiro, conta com quatro elevadores para atender às 82 unidades que estão divididas em dois blocos. A síndica está muito satisfeita com a empresa de manutenção que atende ao condomínio, que é a mesma há 15 anos. Além da conservação mensal, quando há necessidade, a empresa atende aos chamados emergenciais também. Há cerca de três anos, os elevadores foram atualizados. “A modernização que fizemos consiste em atualização elétrica e eletrônica. Trocamos o ‘cérebro’ dos elevadores e foi ótimo, pois eles ficaram mais regulados. Esse também é um jeito de dar maior sobrevida à parte mecânica dos equipamentos. Como temos quatro elevadores, preferimos fazer um plano de pagamento e modernizar um de cada vez. Como não é um processo demorado, pode levar entre uma semana e um mês. Essa não é uma questão complexa, é uma questão de viabilidade financeira”, diz.

Fábio Aranha explica que as inovações dos elevadores vêm principalmente com a implementação da tecnologia eletrônica digital. “Podemos destacar que a maior evolução ocorreu no quadro de comando, que é o ‘cérebro’ do elevador. Os modelos atuais multiprocessados, além de mais confiáveis, são muito mais eficientes, porque reduzem em cerca de 40% o consumo de energia elétrica. A sinalização dos aparelhos de transporte verticais também se atualizou consideravelmente. Os indicadores digitais são a parte mais visível da nova geração e a que mais valoriza o ambiente. Os mais modernos têm tela de LCD, que, além de indicar os andares e o sentido do carro, dá outras informações, como avisos de segurança e publicitários, entre outras facilidades. Já temos disponível sistema de anúncio por voz, que deixa o elevador até mais ‘gentil’, pois saúda o visitante do prédio conforme a hora – por exemplo, ‘bom dia’ – ou a data, por exemplo: ‘feliz Natal’; ou, ainda, mensagens comerciais, agradecimento pela visita etc. Tudo isso de acordo com o gosto do cliente, podendo até ser programado para ‘se calar’ durante a noite”, conta.

Ainda segundo Aranha, no campo da manutenção, os elevadores novos podem se conectar com os computadores e softwares para informar os últimos registros de falhas ocorridas, inclusive com gráficos, e programar o funcionamento conforme a necessidade específica de cada prédio. “Uma das novidades mais recentes é o monitoramento via SMS (torpedo). No caso de algum problema com o elevador, o técnico de campo recebe automaticamente, em seu celular, informações sobre qual elevador, que situação e o tipo de problema que está ocorrendo e já pode providenciar o atendimento sem que ninguém precise reclamar. Um recente estudo realizado na Europa comprovou que a maioria dos elevadores (especialmente os residenciais) consome mais energia quando estão parados (no modo stand-by) do que propriamente quando estão transportando alguma carga. Novos sistemas inteligentes desligam automaticamente os principais itens quando ninguém os está utilizando”, explica.

Acessibilidade

Ir e vir com liberdade e autonomia é algo que nem todas as pessoas conseguem. Isso se dá, principalmente, com deficientes físicos e aqueles com mobilidade reduzida. Para melhorar a rotina dessas pessoas, muitos condomínios têm recorrido às plataformas de acessibilidade, que dispensam casa de máquinas, têm um custo de construção reduzido e não necessitam de grandes e complexas adequações estruturais. Foi o caso do Condomínio Residencial Barvinte,localizado na zona sul da cidade. Desde 2005, a síndica Gladys Vieira Nunes está à frente do condomínio, que é composto por um bloco com 57 unidades e cerca de 70 moradores. Para atender os condôminos, o prédio conta com um elevador social, um de serviço e um para cadeirantes. “Nós fizemos a obra de acessibilidade em janeiro de 2014. Esse elevador é utilizado várias vezes ao dia e atende um condômino que é cadeirante e outros que têm a mobilidade reduzida. A acessibilidade é muito importante para a autoestima do idoso e seu cumprimento é lei. Nossos funcionários são instruídos a atender o idoso e ajudá-lo na medida do possível”, conta.

Fábio Aranha acredita que a acessibilidade é essencial para garantir a qualidade de vida de pessoas com necessidades especiais. “Realmente, a acessibilidade é fundamental não só para a grande quantidade de portadores de necessidades especiais – que muitas vezes não temos ideia do número que são justamente por viverem confinados por causa da falta de acessibilidade –, mas para o idoso, já que a maior longevidade da população é um fato, o que gera uma enorme demanda por soluções de acesso para esses públicos. A começar pelo básico. Para atender esses públicos, é fundamental um bom nivelamento do elevador – o degrau que se forma é a maior causa de acidentes (não fatais, felizmente) registrados na União Europeia. Elevadores antigos, geralmente com mais de 20 anos, têm que ser modernizados para que sistemas de comando mais atuais, de controle de motor, possibilitem um nivelamento preciso e evitem esse tipo de acidente. Além de comandos que proporcionam viagens mais suaves e nivelamento preciso, dispomos de equipamentos que atendem plenamente à ABNT NBR NM 313, que trata dos requisitos para adaptar os elevadores às carências dos portadores de necessidades especiais, como anunciador de voz; indicador com sinal sonoro; botão com beep; sensor de porta; barreira de proteção e outras funções do painel”, explica.

Dica da CIPA: crianças menores de 10 anos não podem circular sozinhas nos elevadores

Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), crianças menores de 12 anos não podem utilizar os elevadores se estiverem desacompanhadas. Entretanto, no Rio de Janeiro, existe uma lei que proíbe a locomoção de menores de 10 anos, quando desacompanhados, nos elevadores. Trata-se da Lei Municipal no 2.546/97, que, caso seja descumprida, pode penalizar o condomínio com multa. A dica é que os síndicos orientem seus funcionários e moradores para ficarem atentos a essa situação. Caso crianças menores de 10 anos estejam usando os elevadores sem a companhia de um responsável, o síndico deve comunicar o fato, por escrito, aos pais dessas crianças e registrar no livro de ocorrências do condomínio. Essa simples atitude pode isentar o síndico e o condomínio de problemas futuros que envolvam menores desacompanhados e elevadores.

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