Por CIPA
Em 21/10/2016
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Já foi o tempo em que o lugar de mulher era em casa, cozinhando, bordando e se preparando para ser uma boa esposa e mãe. A liberação feminina foi chegando de mansinho e, aos poucos, elas puderam aprender a ler, andar ao lado de seus maridos, votar… Dali a pouco já estavam queimando sutiãs em praça pública.

A mulher mostrou seu valor à sociedade e, mais do que isso, aprendeu a se valorizar. Afinal, quem não se valoriza não se dá ao respeito. Mais do que isso, a mulher começou a exigir igualdade de direitos não só em casa e na sociedade, mas também no mercado de trabalho.

Claro que existe um movimento extremo, mas o feminismo por definição prega a igualdade política, econômica e social entre os sexos. É uma questão de oportunidades e direitos iguais. Ninguém é melhor do que ninguém por ser homem ou mulher. Na verdade, homens e mulheres se complementam.

Há quem diga que, em algumas funções, especificamente, as mulheres são mais adequadas do que os homens, exatamente por serem mais detalhistas, minuciosas. Esse é o ponto de vista de Lúcia Viana de Oliveira, síndica do Condomínio José de Anchieta, na zona sul do Rio. A síndica, que conta com a CIPA na administração do condomínio, já está em seu terceiro mandato, sempre sendo reeleita. Para ela, as mulheres são perfeitas para certas funções. “Prédios cuidados por mulheres são mais organizados”, diz ela, que conta com uma subsíndica e mais três mulheres no conselho fiscal.

Mas Lúcia não para por aí. Ela colocou uma mulher na portaria: “Na Europa, é muito comum porteira mulher. Meus pais são portugueses e, como estou sempre por lá, pude atestar isso. E de fato elas são mais atenciosas, educadas, organizadas, limpas e gentis para tratar com as pessoas. Sem falar que sempre capricham na apresentação. Durante o dia é excelente a porteira mulher, já à noite acho que ficam mais expostas”, avalia.

No José de Anchieta quem ocupa a portaria é Roseni Bahiense, que fez curso para porteiros no Senac. Roseni usa um terninho preto, maquiagem e sua camisa branca está sempre limpa. “É raro você ver um homem que tenha preocupação com a apresentação. Roseni está sempre arrumada e cumpre suas funções da melhor forma”, atesta. Mas nem todo mundo achou “normal” uma mulher na portaria. Teve homem estranhando, sim. Estilo quase cara feia. Mas nada que o tempo não cure e a gente não se acostume.

Na faxina também há uma representante feminina: Natalina Gonçalves Monteiro. Que também honra sua posição no prédio com muito orgulho. Até na limpeza as mulheres são mais cuidadosas. Nada que um detalhe não faça toda a diferença, não é mesmo?!

Lúcia, que está satisfeita com sua equipe administrativa feminina, afirma: “Juntas, colocamos a casa em ordem.” Quer algo mais satisfatório? Como em time que está ganhando não se mexe, ela vai mantendo as coisas em seu devido lugar e cada vez melhores nesse formato.

Empoderamento econômico

Nesse quesito, as mulheres ainda estão na batalha. Em muitas empresas, elas ocupam os mesmos cargos que os homens e ganham menos. Quanto maior o nível de estudo, maior a diferença salarial. Esse é um dado da Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

Embora a diferença salarial entre homens e mulheres tenha diminuído 12,1 pontos percentuais entre 1990 e 2014, as mulheres recebem, em média, apenas 83,9 unidades monetárias por 100 unidades monetárias recebidas pelos homens, de acordo com a CEPAL. Segundo a comissão, se a remuneração recebida por ambos os sexos por anos de estudo é comparada, observa-se que elas podem ganhar até 25,6% menos do que seus colegas do sexo masculino em condições semelhantes.

Com base em informações coletadas em pesquisas domiciliares, a CEPAL analisou o salário médio de homens e mulheres com idades entre 20 e 49, que trabalham 35 horas ou mais por semana em centros urbanos em 18 países na região. A pesquisa faz uma comparação por anos de estudo e sua evolução entre 1990 e 2014, observando a persistência de diferenças significativas, dependendo do nível de escolaridade de pessoas empregadas.

No grupo das mulheres com o menor nível de escolaridade (até cinco anos de estudo) foi observada a maior redução da diferença (19,7 pontos percentuais). Houve aumento em relação aos salários dos homens, de 58,2% para 77,9%. Isso porque, segundo a CEPAL, há dois fatores: a regulamentação e formalização do trabalho doméstico remunerado, como países que estabeleceram taxas de salário mínimo por hora e tempos máximos do dia de trabalho; e aumento de salários mínimos que se aplicam a toda a população.

Mais estudo, mais diferença

A diferença salarial mais alta ocorre na população mais instruída (13 anos ou mais de estudo). Houve diminuição na diferença de 9,3 pontos percentuais entre 1990 e 2014. Os homens desse grupo ainda ganham 25,6% mais do que as mulheres. “Receber o mesmo salário que os homens em condições de igualdade é um direito das mulheres. É um requisito inevitável para que alcancem a autonomia econômica e para avançar na igualdade de gêneros. Demos um passo para essa igualdade. Nada sobre nós sem nós”, enfatiza a secretária executiva da CEPAL, Alicia Bárcena.

Para a eliminação da diferença salarial, a CEPAL planeja promover espaços para a negociação coletiva e participação ativa dos trabalhadores nos processos onde essas questões são debatidas; melhorar salários mínimos, uma vez que estes promovem a igualdade, especialmente em setores com remuneração inferior; implementar políticas como a licença-paternidade; e assegurar a igualdade de oportunidades de treinamento, promoções, horas extras e outros compromissos de trabalho que melhoram a folha de pagamento.

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