Por CIPA
Em 24/10/2017
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Investimentos são necessidades atuais e urgentes

O Rio de Janeiro vive uma de suas maiores e mais tristes crises de segurança, que instaurou o caos em todo o estado e deixou a população ainda mais amedrontada. Os casos de arrastão, furto e assalto crescem diariamente e deixam os moradores cada vez mais inseguros e desconfiados. E como não poderia deixar de ser, o temor também chegou aos condomínios – que sempre foram refúgio e sinônimo de segurança nas grandes cidades –, e os síndicos têm sentido a necessidade de investir mais em segurança nos últimos tempos.

Proteger o condomínio e, consequentemente, todos os que fazem uso de suas dependências não é uma missão fácil, pois, além da instalação de equipamentos de segurança, é preciso contar com a colaboração dos condôminos e com treinamento especializado para os funcionários.

Há quatro anos, Luiz Carlos Rodrigues está à frente do Condomínio Siena, que é administrado pela CIPA e é composto por dois blocos e tem 96 unidades e cerca de 270 moradores. Localizado na zona norte do Rio de Janeiro, o condomínio conta com um eficiente sistema de segurança, segundo o síndico: “Temos gradeamento na frente da rua e em todo o perímetro murado; portões automáticos para acesso à garagem; controle de abertura dos portões da garagem por radiocontrole digital anticlonagem; portões de acesso de pedestre com fechadura magnética e acionamento pela guarita; controle de acesso biométrico no portão de entrada exclusiva de moradores; sistema de circuito fechado de televisão com monitoramento de todos os acessos, que foi implantado paulatinamente nos últimos 10 anos; e comunicação com a portaria por meio de walkie-talkie. Temos um convênio de manutenção dos sistemas, que acontece mensalmente. Eu considero muito importante contratar uma empresa especializada para cuidar da conservação de todo o sistema de segurança, pois é fundamental dispor de assistência técnica para que os sistemas ligados à segurança possam ser restaurados, em caso de falha, no menor tempo possível, de forma a não aumentar a vulnerabilidade do condomínio. A maioria dos dispositivos foi instalada por causa de reportes de ocorrências de roubos e furtos na vizinhança do condomínio. Especificamente, em resposta à ocorrência de furtos na garagem foi tomada a decisão de contratar um vigia, que faz a ronda periódica da área do condomínio. Acredito que, dentro do possível, os moradores se sentem mais confiantes por contarem com esses equipamentos e serviços. Se não tivéssemos esses dispositivos, as pessoas se sentiriam mais inseguras dentro do condomínio”, diz Luiz Carlos Rodrigues.

O Condomínio Siena também conta com controle de entrada no condomínio. “Temos dois portões externos para pedestres, sendo um exclusivo de moradores, que acionam o portão diretamente no leitor biométrico. O outro portão tem intercomunicador para que o visitante se identifique e o porteiro se comunique com o morador procurado para que autorize a entrada. Há também dois outros portões internos que são abertos pelo porteiro após o acesso por um dos dois externos. Os prestadores de serviço, depois de autorizados pelo morador, têm que apresentar seus dados de identificação, que ficam registrados em formulários na portaria, antes de seguir para a unidade que procuram. O acesso de veículos é feito por radio controle individual e personalizado distribuído a cada morador. Periodicamente, temos feito treinamento de serviços de portaria e de segurança interna (acidentes e incêndio), alternando a cada ano os funcionários. Mas, assim que for possível, pretendemos também treinar pessoal especificamente em cursos de segurança que são ministrados pela PM, por exemplo. No momento, não trabalhamos com empresa de vigilância, mas temos intenção de avaliar a contratação de monitoração remota de segurança.

Creio que vale acrescentar que os moradores são os principais agentes na própria segurança, pois se eles não estiverem conscientes de que devem seguir as orientações de segurança e não se descuidar nos momentos de entrada e saída do prédio, além de escolherem muito criteriosamente as pessoas que contratam para a prestação de serviços em sua residência, de nada valem as medidas de segurança tomadas pelo condomínio”, diz Luiz Carlos Rodrigues.

A violência é realmente assustadora e requer medidas que protejam cada vez mais nossos condomínios, mas como fazer isso em tempos de crise econômica, que acaba aumentando, inclusive, o índice de inadimplência da taxa condominial? Segundo o engenheiro Ricardo Coelho Vianna, é possível aliar segurança e economia nos condomínios. “Como opção para o perímetro do condomínio, as cercas elétricas são eficientes em substituição aos sensores de infravermelho perimetrais, que têm custo mais elevado. Esse sistema tem alarme integrado acionado caso o fio de aço seja cortado. A concertina também é uma opção de menor investimento, apesar de o efeito estético ser desagradável”, explica Vianna, que acrescenta que se o síndico conseguir aumentar um pouco o investimento, a segurança também aumenta. “A solução mais indicada, mesmo, é instalar sensores de infravermelho integrados às centrais de comando dos portões de acesso dos veículos, ativar o fechamento automático – qualquer central de comando ter essa opção – e reduzir o tempo de pausa para o mínimo possível, para de três a cinco segundos. Os sensores de infravermelho impedem o fechamento do portão ou revertem esse processo, impedindo acidentes do portão com os veículos. Já constatei vários casos de entrada de pessoas estranhas pelo portão de veículos em virtude do tempo muito prolongado de pausa. É aconselhável que os próprios moradores procedam à abertura do portão caso o porteiro não tenha visão detalhada sobre veículo e motorista. Para emergências e por segurança, a botoeira de comando deve ser instalada em local onde o porteiro tenha visão do veículo e do motorista. Os sinalizadores de portas abertas para pedestres complementam essa condição de segurança”, explica Vianna, que é sócio-diretor técnico da Digiseg, empresa que oferece os serviços de instalação e manutenção de sistemas de circuito fechado de TV, controle de acesso veicular e pessoal por TAGs, cartões de proximidade e/ou biometria, centrais de telefonia e interfonia, portões automáticos de veículos, alarmes por áreas e perimetrais, antenas coletivas, iluminação de emergência e cercas elétricas.

Ainda segundo Vianna, o equipamento mais indicado, atualmente, para aumentar a segurança nos condomínios é o sistema de Circuito Fechado de TV (CFTV). “Ele precisa, principalmente, monitorar todos os acessos e operadores (porteiros atendentes) e estar integrado a alarmes perimetrais, que também são essenciais. Algumas dicas podem ajudar um condomínio a ser mais seguro, como a atenção de moradores e funcionários ao entrarem no condomínio. É importante verificar se não tem alguém suspeito parado próximo à entrada ou acompanhando seus passos e não permitir que pessoas estranhas aproveitem a abertura do portão para entrar no condomínio. Para os motoristas, a condição é a mesma: se perceberem algum suspeito próximo ao portão da garagem, eles devem dar uma volta no quarteirão até estarem em segurança. Os porteiros não podem permitir a entrada de estranhos pelo portão externo sem a permissão prévia do morador e também não devem sair da portaria para identificá-los ou permanecer batendo papo com porteiros vizinhos ou conhecidos fora da portaria para não serem rendidos. Não existe nenhuma condição que seja perfeita e que torne os condomínios invulneráveis, mas é aconselhável eliminar os erros de comportamento, principalmente dos porteiros, para reduzir as possibilidades de assalto. Os sistemas eletrônicos ou a adequação dos sistemas já implantados são, prioritariamente, o caminho a se tomar com custo zero ou mínimo”, explica.

Luiz Nogara é síndico do Condomínio Zeus, administrado pela CIPA e localizado na zona sul carioca, que possui um bloco com 60 unidades e cerca de 200 moradores. Nogara, que está nessa função há quase três anos, explica que o prédio conta com câmeras internas nos elevadores, na área de serviço e na garagem, além das externas, que contemplam duas ruas, já que o edifício é de esquina. “Recentemente, instalamos câmeras mais modernas, com imagem colorida e maior resolução. Na portaria há um monitor por meio do qual o porteiro pode acompanhar tudo o que acontece no prédio. Todos os moradores possuem aparelho que controla a abertura do portão de garagem. Nós temos contrato com uma empresa que faz a manutenção de todos os equipamentos de seis em seis meses, mas, caso haja alguma necessidade, é só chamar que eles nos atendem. Além das câmeras de segurança, contamos com um vigia noturno e um porteiro. Na área externa não colocamos ninguém, pois entende mos que é responsabilidade do poder público. Eu acredito que os moradores sintam-se mais seguros com esses cuidados. Outra coisa importante é que, para ter acesso ao condomínio, todos devem se identificar na portaria e o morador precisa autorizar a entrada, caso contrário, o visitante não entra. O nosso porteiro teve treinamento para ampliar a segurança do condomínio. Agora, temos dois funcionários novos que, a princípio, receberam a orientação de segurança de praxe, mas farão o curso, em breve. Eu quero que eles sejam bem treinados, pois eles são nossos olhos. Quero ter paz para dormir e conto com eles para isso”, diz.

Tecnologia e atenção dos moradores são a combinação perfeita

Bruno Valle de Freitas é diretor comercial e técnico da Valletec, empresa especializada em segurança eletrônica, telecomunicação e automação que atende todo o Rio de Janeiro, e, segundo ele, é possível proteger um condomínio com baixo investimento. “As soluções mais indicadas para o síndico que quer ou precisa economizar são produtos de baixo custo de manutenção e que, ao mesmo tempo, são inibidores – mas não impeditivos – de incidentes, como cerca elétrica, sistema de CFTV e alarmes e refletores de iluminação, entre outros. Esses itens precisam funcionar em conjunto com o mais importante: as pessoas, tanto as que operam os sistemas como os moradores, todos são importantes. O ideal é que o condomínio possua contrato de manutenção para os sistemas com, no mínimo, a visita de um técnico por mês para avaliar as condições dos equipamentos e realizar os procedimentos de manutenção preventiva, aumentando, assim, o tempo de vida do sistema e evitando custos de reparos constantes. Existem contratos que incluem também as visitas corretivas. Os síndicos devem ficar atentos na hora de contratar uma empresa para realizar esses serviços. Em primeiro lugar e antes de tudo estão as responsabilidades jurídicas e técnicas. Ao contratar uma empresa especializada, cadastrada no órgão competente (CREA), o condomínio terá o respaldo da responsabilidade técnica fornecido pela empresa, porque ela deve possuir técnico responsável, e, caso ocorra algum problema na execução do serviço, o condomínio poderá acionar judicialmente a empresa prestadora de serviço e também acioná-la perante o órgão de competência. Muitas vezes, encontramos empresas no mercado que não possuem técnico responsável ou cadastro no órgão que as rege. Isso faz com que a qualidade do serviço e o atendimento de pós-venda sejam baixos. Infelizmente, hoje, muitos condomínios buscam preço, e não qualidade no produto ou serviço prestado, o que, no futuro, pode acarretar custo maior em razão da necessidade de adequação do sistema instalado anteriormente. Ao contratar uma empresa especializada, o síndico encontra a tranquilidade de saber que ao menor problema ele acionará a empresa e sua necessidade será atendida, seja de garantia (produto e serviço) ou com futuros investimentos”, explica.

Criatividade a favor do crime

A estrutura física de um condomínio costuma contar com grades, muros e todo tipo de proteção física que assuste os bandidos e proporcione a sensação de segurança aos condôminos, mas, apesar de toda a proteção e de todos os tipos de equipamento instalados, alguns criminosos insistem em tentativas – algumas frustradas e outras não – de violar aquele espaço. As maneiras encontradas para essa modalidade de crime são muitas e os disfarces costumam envolver pessoas e empresas. Algumas já estão muito batidas, mas vira e mexe vemos alguma notícia de que assaltantes conseguiram entrar em um condomínio fingindo representar uma empresa de energia elétrica, telefonia ou de entrega de comida. Outras histórias impressionam pela criatividade dos meliantes, que chegam a adesivar carros para conferir mais credibilidade ao disfarce. Também há relatos de homens com farda semelhante à da polícia, de mulheres grávidas pedindo socorro, de corretores de imóveis levando possíveis clientes para ver apartamentos, de homens que se dizem advogados, de mulheres muito bonitas vestidas de forma sensual para atrair os porteiros para fora e mais uma infinidade de situações. Por isso é tão importante que o condomínio invista em equipamentos de segurança, sim, mas que, principalmente, mantenha os funcionários treinados e que conte para todos eles sobre novos casos de ampla repercussão que envolvam novos disfarces.

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