Por CIPA
Em 26/04/2018
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O cheiro do mar em casa é maravilhoso, mas é capaz de afetar a estrutura do prédio

Morar bem pertinho da praia é revigorante. Caminhadas na areia, banhos calmantes, vista privilegiada e água de coco geladinha para brindar o pôr do sol que, ao se encontrar com o mar, presenteia todos os frequentadores com uma visão realmente encantadora, em qualquer lugar do mundo. Mas além desse cenário de filme estão os problemas reais de quem mora no litoral e um deles é a maresia. Mas, afinal de contas, o que é a maresia? Trata-se de uma névoa fina, úmida e salgada que paira sobre o mar e se espalha pelas redondezas da praia. Essa garoa é como um enorme spray flutuante formado por milhões de gotículas de água do mar com sais marinhos dissolvidos que sobem ao ar por conta da agitação das ondas e são transportados por vários quilômetros, até serem depositados na vegetação ou atingirem as edificações que ficam nas imediações. Quando a água evapora, esses minúsculos cristais de sal contribuem para a deterioração de estruturas de metal e ferro. Mas isso pode atingir a estrutura do prédio?

Sim, a maresia pode atingir edificações que ficam no entorno de praias. Os problemas vão desde uma pequena corrosão no revestimento externo até fissuras em pilares, lajes e vigas que podem ter como consequência infiltração de água da chuva, desenvolvimento de fungo e mofo e mais uma série de problemas de diferentes ordens de grandeza.

Para o engenheiro Renan Gondim, diretor e fundador da Deutsch Engenharia, empresa especializada em projetos de engenharia e arquitetura, vistoria, fiscalização, acompanhamento de obras, laudos, estudos técnicos, impermeabilização, restauração de fachada e recuperação estrutural, entre outros serviços, os danos mais comuns decorrentes da maresia podem ser divididos em dois tipos. “Os estruturais, que acontecem quando há algum tipo de desprendimento estrutural, com queda de reboco/emboço, corrosão de ferragens, e os de acabamento, que são vistos quando janelas e basculantes de metal sofrem danos, principalmente se não possuírem pintura anticorrosiva adequada para proteção. A maresia aumenta a quantidade de íons de cloro (Cl-) presentes no ar próximo às áreas do mar, que, ao reagirem com o anodo do ferro (Fe+2), produz cloreto de ferro II (FeCl2), ou seja, ferro oxidado. Isso faz com que a resistência da estrutura seja reduzida por causa da perda de seção do ferro”, explica.

O engenheiro, que tem bacharelado e mestrado em estruturas em Berlim, na Alemanha, diz que se a manutenção da fachada for executada periodicamente e de forma adequada, é possível evitar esses danos. “Na construção do edifício, por exemplo, o cobrimento do concreto (distância entre armadura e ar) deve ser considerado e seguido rigorosamente. Em prédios novos, a primeira vistoria deve ser realizada aos seis meses da conclusão da obra. Só assim é possível saber se as recomendações foram atendidas. Caso elas tenham sido executadas corretamente, essas vistorias podem acontecer a cada dois anos. Para evitar danos maiores, é fundamental não postergar a manutenção e contratar empresas de engenharia que possuam um engenheiro responsável pela obra no quadro técnico do CREA, e não um simples contratado para emitir ART de um serviço específico. Empresas que executam serviços sem o acompanhamento de um engenheiro podem cometer erros (ou omitir procedimentos corretos) que venham causar danos futuros. A ausência de conservação das fachadas, por exemplo, pode fazer com que fissuras (ocasionadas eventualmente pelo trabalho interno da estrutura) permitam a infiltração de águas pluviais aos apartamentos e, possivelmente, aos elementos estruturais”, explica Gondim.

Atenção para evitar danos maiores

Há nove anos, Sergio Pitanga Lopes é síndico do Sunshine Service, que é composto por dois blocos com 120 unidades e aproximadamente 370 moradores. O condomínio fica na zona oeste do Rio de Janeiro, bem pertinho da praia, e, por isso, também é afetado pela maresia, mas o síndico está sempre muito atento a todos os detalhes para não ter problemas causados por esse fenômeno. “É muito difícil evitar danos decorrentes da maresia, mas lavar a fachada, além de pintar e envernizar as portas e outras estruturas de ferro, são opções para diminuir os efeitos mais severos. É fundamental que o síndico se preocupe com a qualidade do material utilizado. Hoje em dia, existem tintas e outros materiais resistentes à maresia e o custo-benefício compensa. O fato é que a pintura do condomínio tem sempre um custo bastante elevado, principalmente porque acontece em várias etapas e são utilizados muitos produtos, mas a diferença de preço entre o material antimaresia e os que não oferecem essa proteção não é tão grande assim e o resultado é a garantia de que vale a pena pagar um pouco mais por ele. Na fachada, por exemplo, fazemos a pintura a cada cinco anos, por causa desses produtos que conseguem prolongar o efeito da tinta. O desafio do síndico é encontrar maneiras de prevenir que a maresia danifique o prédio e identificar possíveis problemas enquanto eles ainda estão em estágio inicial, para corrigi-los e evitar a necessidade de obras maiores, que podem impactar no orçamento geral do condomínio. Prevenção é a palavra de ordem”, diz.

Luiz Otávio Gomes Ribeiro, sócio gerente e engenheiro responsável pela Ricel Ribeiro Construtora e Empreendimentos, empresa que atende todo o Rio de Janeiro e presta todos os serviços relativos a engenharia de manutenção predial, como impermeabilização, pintura, reforma e instalação hidrossanitária, explica que a maresia é, sim, capaz de afetar a estrutura de um prédio. “Os danos mais comuns decorrentes da maresia são os ataques às ferragens das estruturas, e isso pode acontecer por falta de cobertura adequada das ferragens, falta de manutenção preventiva ou de pintura de proteção adequada. Para evitar esses danos, é preciso fazer a conservação com tratamento das ferragens, que eventualmente fiquem aparentes, reparação do concreto da área afetada e, finalmente, uma pintura com boa proteção a esse tipo de ataque. Eu recomendo que a vistoria para verificar a existência de danos seja realizada a cada três anos.”

A maresia é um fenômeno que acontece durante o dia e a noite e sua intensidade é a única variável, por isso é muito importante que o síndico esteja sempre atento aos detalhes de seu condomínio e, ao menor sinal de dano estrutural, é preciso investir na manutenção para evitar prejuízos que possam abalar a saúde financeira do condomínio. Refazer a pintura da fachada e das paredes internas das áreas comuns, limpar os rejuntes de pisos e azulejos para evitar mofo e analisar a condição de portas, esquadrias e material de ferro é fundamental para não deixar a maresia trazer, além daquele cheiro característico, uma conta salgada para o condomínio.

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