Por CIPA
Em 24/10/2019
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Muitos casos de incêndio podem ocorrer por sobrecarga elétrica

Por fora parece tudo bem, mas, por dentro das paredes dos prédios, as instalações elétricas podem estar colocando a vida de todos em risco. Para evitar acidentes é preciso que síndicos e moradores estejam atentos e que criem uma cultura de prevenção e proteção contra incêndio.

Quem não se lembra da tragédia no Centro de Treinamento do Flamengo, conhecido como Ninho do Urubu, em fevereiro deste ano, em Vargem Grande, zona oeste? Dez jovens morreram e outros três ficaram feridos – todos jogadores da categoria de base do clube – durante um incêndio no alojamento.

Segundo laudo da Polícia Civil, o fogo começou em um curto-circuito no ar-condicionado de um dos quartos e se alastrou rapidamente por causa do material que revestia as paredes dos contêineres. O clube não tinha laudo de aprovação do Corpo de Bombeiros para construir o alojamento naquela área. Outra irregularidade encontrada no local foi a falta de um sistema que desarmasse a rede elétrica. A perícia concluiu que, durante o incêndio, as instalações elétricas continuavam energizadas.

Outro caso que chocou a população aconteceu no dia 2 de setembro de 2018. O prédio do Museu Nacional foi consumido pelas chamas, que destruíram grande parte do acervo do museu, que tinha acabado de completar 200 anos. Por falta de verba, o local não tinha manutenção básica adequada à sua estrutura. Quem visitava o museu via fios expostos e emendados. Um laudo da Polícia Federal apontou que também foi um curto-circuito no ar-condicionado o causador do enorme incêndio.

Além disso, o museu não tinha portas corta-fogo e outras estruturas para conter as chamas.

É claro que não podemos comparar esses casos com os condomínios administrados pela CIPA. Mas questões como sobrecarga elétrica ou curto-circuito merecem atenção redobrada. Sinais como fiação exposta, fios desencapados ou queimados e condutores emendados devem ser analisados de forma responsável. Você e seu condomínio podem estar correndo perigo. É necessário prevenir, e não apenas reagir.

Para Sérgio Martins, diretor da empresa Serfautec Serviços Elétricos LTDA., o problema não está nos equipamentos. “A culpa, na maioria das vezes, não é do aparelho de ar-condicionado, mas da instalação elétrica que alimenta esse aparelho. O ar é a ponta do iceberg. Muitas vezes, as redes elétricas estão subdimensionadas e com fiação obsoleta e incompatível com a necessidade dos moradores. É preciso que se faça um projeto minucioso dessas instalações”, afirma.

Segundo Sérgio, se um morador vai fazer uma reforma em seu apartamento, precisa que seja realizado um estudo minucioso da rede elétrica. “Nesse projeto, serão indicados todos os equipamentos elétricos que vão ser colocados nesse imóvel e, com esses dados, será feito um cálculo da demanda de energia. Com base nesse resultado, pode ser que haja indicação de reforma no PC de luz”, explica Sérgio.

O importante é contratar mão de obra especializada e qualificada. As empresas têm que estar credenciadas no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA). Trabalhos feitos sem supervisão profissional são responsáveis por grande parte dos problemas gerados nas redes elétricas dos condomínios. É importante que nenhum morador tente mexer nas instalações por conta própria. Os riscos de um acidente grave e de choque são altos. Além disso, a colocação de extensões de tomadas, emendas de fios e outras soluções provisórias podem dar muita dor de cabeça para o síndico.

“Cuidado com as gambiarras e com o jeitinho que damos para problemas que podem causar grande risco. Muitos síndicos preferem fazer obras na rede elétrica sem um profissional especializado.
Isso é muito perigoso. É importante que se faça um estudo técnico para que seja realizado um trabalho adequado para cada situação”, afirma Sérgio

Além de acidentes e incêndio, a falta de manutenção da instalação elétrica também pode gerar queda de energia e deixar um condomínio inteiro sem luz. Já imaginou que transtorno? Prevenir é fundamental não só como medida de segurança, mas para o bom funcionamento de todos os equipamentos eletrônicos instalados nos imóveis e nas áreas comuns do condomínio.

 

Novos tempos, outra demanda

Por isso, quem entende do assunto afirma que revisões periódicas são importantíssimas para evitar problemas futuros. Se o prédio tiver sido construído há muitos anos, a preocupação deve ser redobrada, já que os componentes de uma instalação elétrica vão sofrendo desgaste natural, o que limita a utilidade dos fios.

“Nesses imóveis antigos é muito comum encontrarmos instalações subdimensionadas. Infelizmente, com o passar do tempo, a demanda vai crescendo e os circuitos ficam obsoletos, o que pode provocar aquecimento na fiação e, consequentemente, provocar risco de incêndio”, explica Fabiano Luiz Euzébio da Silva, proprietário da EFS Lift Solution

Portanto, deve ficar claro que o sistema elétrico de um condomínio ou de um apartamento tem prazo de validade.

Os prédios mais antigos foram construídos com estrutura elétrica muito precária para os dias de hoje. Alguns ainda funcionam com medidor monofásico. Segundo Sérgio Martins, esses medidores só conseguem suportar a carga elétrica necessária para os moradores de uma quitinete, por exemplo. Apartamentos maiores precisam de medidores trifásicos para balancear a carga utilizada pelos equipamentos eletrônicos instalados no imóvel.

Só para se ter uma ideia, na década de 1980, uma família de quatro pessoas consumia, em média, 170 kwh a cada mês. Em 2014, o consumo subiu para 250 kwh. “Se você mora em um prédio
antigo e seu medidor é monofásico, está na hora de trocar. Antigamente, a carga necessária era pequena. Hoje, graças à tecnologia, a quantidade de eletroeletrônicos por unidade é enorme.
Padrões de entrada coletiva de energia elétrica que estão sob plataforma de madeira também precisam de reforma. Isso não quer dizer que as construções novas estão livres de manutenção, muito pelo contrário. O ideal, nesses casos, é consultar uma empresa especializada de três em três anos”, sugere Sérgio.

Em alguns casos, instalações elétricas sobrecarregadas dão sinais que deixam o síndico e os moradores em alerta. Então, fique atento caso os disjuntores desarmem com frequência, haja aquecimento nos fios e picos de luz, indicações de que algo não está funcionando bem.

 

Hora de reformar

A física Ana Lúcia Ferreira de Barros é síndica, há quase dez anos, do Condomínio Barão da Torre II, na zona sul da cidade. Apesar da formação acadêmica, Ana disse que o prédio não deu nenhum sinal do problema que estava acontecendo. Eles só souberam quando chegou uma conta de luz com um valor muito alto. “O prédio é pequeno, só tem quatro andares e oito apartamentos. Nem temos elevador, então, a conta de luz vinha sempre por volta de R$ 280. De repente, recebemos uma conta de R$ 13 mil. Vimos que tinha alguma coisa muito errada na rede elétrica”, conta Ana

O prédio foi construído da década de 1960 e nunca tinha passado por nenhuma obra no setor elétrico. A síndica chamou uma empresa especializada e foi constatado que havia fuga de energia do próprio prédio. Foi necessário fazer uma reforma do PC de luz e trocar os oito relógios. Ana alerta para a importância de se contratar uma empresa credenciada. “Nada de chamar o coleguinha ou o faz-tudo. É importante que se tenha o serviço de uma firma especialista. Um problema elétrico como esse poderia ter causado um incêndio muito grave e até gerar a morte de pessoas.”

Outro fator importante é a economia nas contas. Instalações elétricas que não têm manutenção adequada podem se tornar fonte de desperdício. Redes malfeitas, além de perigosas, tendem a aumentar o consumo de eletricidade. “Uma carga maior de energia sobrecarrega os fios, que aquecem. Isso gera aumento de consumo. Se você desmembra esse circuito, a carga elétrica fica menor e não esquenta a fiação. Menos aquecimento, mais economia”, explica Sérgio.

O sistema elétrico dos elevadores também tem que estar funcionado perfeitamente. Um importante componente da instalação desse equipamento é o quadro de energia. Então, além da preocupação com o PC de luz do condomínio, é importante que o síndico e os moradores estejam atentos aos elevadores, que são fundamentais para a locomoção de todos. Fabiano Euzébio afirma que “os elevadores são muito suscetíveis a surtos de tensão provocados por indução de raios e também por cortes de energia provocados pela fornecedora de energia elétrica”

No caso dos elevadores, também é muito importante que haja manutenção preventiva. “Pequenas ações podem fazer toda a diferença, como reapertos e limpeza”, afirma Fabiano. Se isso não acontece, fique de olho nos indícios de problema, como queima de peças, cheiro de queimado e paralisações intermitentes. Uma empresa especializada deve ser acionada rapidamente para fazer os reparos e evitar acidentes.

Apesar de funcionar longe de nossos olhos, a instalação elétrica é essencial para o funcionamento do condomínio e para que tenhamos segurança e comodidade em nossos apartamentos ou casas. Essa rede invisível, quando está operando de forma adequada, não é percebida. Mas quando um defeito surge, pode oferecer risco para todos. Então, é necessário que não haja negligência nesse setor tão importante.

 

Razões para se pensar em seguro para casas e apartamentos

Ao levar em conta o risco de problemas nas instalações elétricas, é importante ressaltar o que muita gente não sabe: em caso de incêndio, o seguro obrigatório condominial não cobrirá os prejuízos dos moradores, ele garante apenas os danos estruturais do prédio. A cobertura contra incêndio pode ser de dois tipos: seguro obrigatório do prédio (estrutural) ou do patrimônio interno e individual de cada unidade. Portanto, na maior parte dos contratos, os bens não estão assegurados.

Por isso é interessante que síndicos e moradores conversem e cheguem a um acordo quando forem assinar um contrato com uma seguradora. Geralmente, o seguro
contra incêndio cobre apenas a reconstrução da estrutura do imóvel, como pintura, piso, janelas e portas. O morador precisa solicitar, à parte, o seguro de conteúdo para poder ter cobertura na reposição de eletrodomésticos e móveis, por exemplo.

Um seguro adequado pode garantir que seu patrimônio esteja protegido. Seja prevenido, faça seu seguro de conteúdo – é extremamente acessível e, na hora do sinistro, damos real valor a sua contratação. Ligue para a CIPA Corretora de Seguros e peça informações sobre o Max Conteúdo: (21) 2196-5116.

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