Por CIPA
Em 18/07/2016
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Ventilação natural contribui para o conforto e a qualidade do ar nos condomínios

A ventilação natural não só traz benefícios para o conforto térmico, a renovação do ar dos edifícios e o bem-estar dos ocupantes como também é sinal de economia. O uso da ventilação natural é um dos princípios básicos da arquitetura sustentável, já que o vento é um recurso natural, gratuito e renovável. Além de trazer diversas vantagens para as edificações, a ventilação natural ajuda a manter a boa qualidade interna do ar por causa de troca constante, criando ambientes confortáveis e reduzindo gastos energéticos.

A circulação de ar nos edifícios varia com o tipo e as características de sua estrutura, da ocupação, das aberturas para o exterior, do local de implantação, da orientação, da exposição aos agentes atmosféricos (vento, temperatura e pressão) e dos tipos de dispositivos de ventilação instalados. Muitos imóveis brasileiros costumam ter problemas com umidade, mofo, proliferação de ácaros, acúmulo de partículas de sujeira e insuficiência térmica, pois são construções sem planejamento que não tiram proveito do vento para garantir um ambiente saudável.

O engenheiro civil Ruy Ermento afirma que a ventilação natural tem ligação com a estrutura do edifício.“A ventilação tem como um dos principais objetivos a melhoria da qualidade de vida, auxiliando na conservação do interior dos prédios, onde a umidade e a condensação do ar são combatidas pela troca do ar interno/externo, que é renovado simultaneamente. Porém, vale lembrar que o dimensionamento das estruturas de concreto armado (pilares, vigas e lajes) deve obedecer às normas técnicas que atendem às premissas de cálculo de cargas de vento e fogo, entre outros”, explicou.

Hoje já existem leis específicas para tratar do assunto, principalmente no que diz respeito ao desempenho mínimo dos elementos principais de um edifício, como estrutura, vedação, instalações elétricas e hidrossanitárias, pisos, fachada e cobertura, de toda e qualquer edificação habitacional, como a Norma Regulamentadora 18, que estabelece condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção (118.00-2), e o Código de Postura NBR 15.575, emitido pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que constitui o desempenho das edificações habitacionais. Outra vantagem de uma residência bem ventilada é a redução do gasto com energia pelo condicionamento de temperatura e umidade, já que a ventilação natural pode ser utilizada para o controle térmico, dispensando o uso de aparelhos de ar-condicionado. Além disso, a iluminação natural acaba sendo outro benefício para os edifícios que possuem uma estrutura de ventilação adequada, pois,além da circulação do ar no local, permite a entrada de luz durante o dia, diminuindo o consumo de energia.

Ainda de acordo com Ruy Ermento, as aberturas usadas para facilitar o arejamento do ambiente também podem ser aproveitadas para que a luz do sol penetre. “O posicionamento das aberturas para ventilação deve levar em conta a posição do sol e de ventos predominantes”, destacou.

A síndica do Condomínio Rodrigues, Maria Auxiliadora Cavalcante, localizado na zona norte do Rio de Janeiro, sente no bolso o impacto da falta de janelas nos corredores e banheiros. O condomínio possui dois blocos, com 144 apartamentos no total. De acordo com ela, por causa da idade do prédio, a construtora, quando projetou o edifício, não pensou nos problemasque iriam causar aos moradores: “A luz natural só existe na área comum do prédio; nos corredores e nos banheiros não temos janelas, ou seja, não temos luz natural. No corredor, a situação é ainda pior, pois nosso piso é preto, o que torna o ambiente mais escuro”, lembrou.

A solução encontrada pela síndica para diminuir as despesas dos moradores foi a instalação de sensores de luz nos corredores: “Nosso consumo de energia reduziu bastante, mas ainda poderia ser menor se tivéssemos a ventilação natural. Infelizmente, nosso prédio não é assim, e quem paga a conta de R$ 6 mil por mês somos nós. Na época em que comprei o apartamento não atentei pra esse fato. Acho que as construtoras atuais devem pensar nisso durante a elaboração de um projeto.”

O uso da ventilação e da iluminação natural já é bastante comum em condomínios mais novos, não só pela onda ecológica, mas pelos benefícios para a saúde. Nos prédios mais antigos, os cômodos costumam ser maiores, os corredores, mais largos e quase não se veem áreas de ventilação e iluminação natural. Vale observar que, nas fachadas de prédios antigos, não se observam muitas aberturas de ar condicionado. Já nos prédios mais novos, a utilização das varandas como áreas de aeração é mais comum, para suavizar a utilização da ventilação forçada ou mecânica do ambiente. As janelas são menores e com corredores que atendem às normas técnicas atuais.

Ventilação mecânica

A ventilação mecânica é a única saída para os locais que não possuem janelas, como os banheiros de alguns apartamentos. Os exaustores são usados quando há pouca ventilação e cumprem duas funções: eliminar odores desagradáveis do ambiente e remover a umidade do banheiro, reduzindo seus níveis depois que alguém acaba de tomar banho. Os exaustores de ar para banheiros são instalados no teto e acionados por interruptor elétrico.

Para Ermento, o ideal seria que os banheiros tivessem vãos de ventilação em contato direto com o exterior, porém, caso não seja possível – muitas vezes por causa de projetos que não priorizaram a construção de uma janela –, é indicada a utilização da ventilação mecânica. “Nesse caso é necessário o uso de exaustores, pois a renovação do ar nesses espaços fechados precisa ser feita, para reduzir as toxinas e os alérgenos dispersos no ar, odores e umidade”, finalizou ele.

No Condomínio Rodrigues, a síndica implantou um painel digital para controlar os ventiladores mecânicos encontrados nos banheiros e ajudar a economizar na conta de energia. “A exaustão mecânica já foi entregue junto com o prédio. É muita energia que gasta. Eu a programei para trabalhar das 8h às 22h, porque, às vezes, os porteiros acabavam se esquecendo de desligar o sistema, que ficava a noite toda funcionando”, disse a síndica.

A manutenção também não é barata. O procedimento deve ser feito por uma empresa, e as peças são caras. “Não posso deixar parar de funcionar, porque o cheiro dentro de casa fica horrível. Agora mesmo tive que mandar consertar dois motores, que custou quase R$ 8 mil. A ventilação artificial não é uma boa opção. Sem contar o barulho inconveniente que faz. Na época em que comprei esse apartamento, quase 33 anos atrás, não me dei conta desse fato. O dinheiro que gasto nesse procedimento poderia ser investido em outras coisas para o bem-estar dos moradores”, concluiu a síndica.

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