Por CIPA
Em 26/01/2017
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Como o síndico pode evitar transtornos nesse espaço disputado do condomínio

Se tem um espaço no condomínio que precisa de regras muito explícitas para não causar confusão é a garagem. Centro de diversas discussões, a garagem pode não ser mais uma dor de cabeça para o síndico, mas para isso é importante que seja estabelecido um regulamento justo para todos os moradores, que conceda os mesmos direitos e estipule os mesmos deveres para cada usuário.

A verdade é que, nos últimos anos, o número de veículos nas ruas aumentou muito e a maioria das construções, especialmente as mais antigas, não está preparada para receber tamanha demanda. Faltam vagas, falta paciência e o síndico precisa de muito jogo de cintura para lidar com o imenso número de possíveis problemas que apenas esse pedacinho do condomínio pode causar.

A proatividade é um comportamento de antecipação, responsabilização e realização ante às inúmeras situações que determinado meio pode apresentar. Quem é síndico há algum tempo já deve ter percebido que esta é uma característica fundamental para o exercício da profissão sem maiores dores de cabeça. Prever os possíveis problemas e determinar atitudes para resolvê-los ajuda, e muito, na administração de quaisquer dilemas, e nos condomínios não é diferente. Quando o síndico é proativo, além de ter recursos na manga para qualquer tipo de problema, ele está sempre em busca de soluções criativas para driblar as dificuldades. Uma boa dica é ouvir a opinião dos funcionários e dos condôminos, pois de uma simples conversa podem sair excelentes alternativas para a resolução das questões apresentadas.

Problemas frequentes nas garagens dos condomínios

Entre os muitos possíveis problemas que a garagem de um condomínio pode causar, os mais comuns são a falta de vagas, a utilização desses espaços por visitantes, carros maiores do que as vagas, estacionamento em locais inapropriados, furtos, danos causados por outros motoristas, uso da vaga para guardar objetos e para guardar moto e carro na mesma vaga, entre outros. Apesar de serem problemas distintos, o síndico pode encontrar a maioria das soluções na convenção do condomínio, que determina todas as regras de utilização do espaço, assim como costuma prever advertências e punições em casos mais graves.

No caso da falta de vagas para o número de carros que os condôminos possuem, não há fórmula mágica na convenção, mas o síndico pode buscar ajuda profissional. Contratar manobristas, consultar engenheiros ou especialistas que possam redimensionar os espaços das vagas ou buscar recursos inovadores são algumas das possíveis saídas para esse problema específico. Já no caso em que os condôminos reclamam da presença de carros de visitantes, é importante que o síndico tenha em mente o que dizem a convenção e o regimento interno do condomínio. Quando o carro é maior do que a vaga, é possível que outros carros não consigam estacionar e que seja mais difícil manobrar em garagens mais apertadas. Para evitar esses problemas, tentar redimensionar todas as vagas também pode ser uma boa opção.

E qual síndico nunca flagrou carro estacionado em um local que não era destinado à vaga? Esse caso acontece com mais frequência em condomínios que dispõem de muito espaço, mas não têm vaga fixa para cada condômino. Para solucionar esse incômodo e garantir que isso não se repita, o síndico deve investir em sinalização, como placas que proíbam o estacionamento em locais determinados. Tanto os furtos quanto os danos causados por outros motoristas podem ser resolvidos com a instalação de câmeras que, além de tornar o ambiente mais seguro, torna possível a identificação dos suspeitos pelo furto ou dano.

O uso da vaga para guardar objetos, além de ser esteticamente feio, pode acarretar outros problemas, como causar acidentes, reduzir o campo de visão, abrigar insetos e outros animais indesejados ao condomínio. A maioria das convenções não prevê que objetos sejam deixados nos espaços destinados às vagas de estacionamento, então, caso esse problema aconteça, o síndico deve advertir e até multar o condômino que insistir em mantê-los na vaga de garagem. Há também os proprietários de carros e motocicletas que, ao não encontrarem vaga para suas motos, entendem que podem estacioná-la na mesma vaga em que estacionam seus carros. Ao fazer isso, ocupam mais espaço do que o normal e dificultam o acesso às vagas vizinhas, além de atrapalhar as manobras nos espaços mais próximos.

Boa administração para evitar problemas

Há 12 anos à frente da administração da Chácara Itaguaí, composta pelos residenciais Dálias e Rosas, em Niterói, Américo Mendonça Bezerra conta que são dois prédios residenciais, com cerca de 280 moradores em cada um deles. No total, os prédios têm 210 vagas demarcadas. “Uma vez por ano, há um sorteio de vagas para que aconteça um rodízio de uso. O condômino pode até alugar sua vaga, desde que seja para outro morador. Aqui temos algumas regras e proibições básicas. Não é permitido, por exemplo, o uso da vaga para acomodação de objetos diferentes do previsto, logo, não é possível armazenar objetos nem colocar carro e moto, ao mesmo tempo, na vaga”, explica.

O administrador ainda conta que existe um problema mais frequente quando o assunto é garagem. “O que mais acontece é o condômino estacionar fora da área demarcada, o que, em geral, dificulta que o vizinho de vaga estacione seu veículo. Geralmente essas situações são resolvidas com um simples telefonema e notificação por escrito, no caso de reincidência.” Outros problemas comuns envolvem a famosa barbeiragem, quando o motorista, por descuido, acaba causando dano em outro veículo. “Aqui já tivemos alguns danos, como quando o morador, ao estacionar, encostou e amassou o carro vizinho. Também é comum, ao abrir a porta, arranhar o carro estacionado ao lado. Certa vez, aconteceu que um morador, ao descer a rampa de bicicleta, bateu num carro estacionado. Todos os casos foram bem resolvidos entre os condôminos envolvidos, com ajuda da administração”, conta Américo Mendonça Bezerra.

Outra questão importante a ser avaliada coloca em questão a segurança do condomínio. Muitos condomínios, especialmente os mais antigos, ainda não investiram em portões automáticos, nem têm porteiros disponíveis para cuidar exclusivamente da garagem. Eles funcionam na base da antiga e famosa buzinada. O condômino buzina e o porteiro ou garagista abre o portão. Além de não ser muito segura, essa prática pode incomodar, e muito, vizinhos que morem nos andares mais baixos, especialmente os que moram próximos à garagem. Para solucionar esse problema, o condomínio precisa investir em sistemas mais seguros ou métodos menos incômodos e invasivos. No Condomínio Itaguaí não há esse problema. “Nossos portões são automatizados e acionados por meio de tags instaladas nos veículos dos condôminos, o que nos dá muito mais segurança”, explica Américo Mendonça Bezerra.

A importância de uma garagem bem sinalizada

Por ser um lugar com grande movimentação diária, é importante que o síndico se preocupe em manter a garagem bem sinalizada. Além das placas de quilometragem, localização de vagas e de acesso a outros espaços (quando há), é interessante utilizar acessórios que confiram mais segurança para os usuários, evitem danos aos veículos e que proporcionem um acabamento mais bonito ao local, como amortecedores de impacto, cantoneiras e protetores de colunas e paredes. Segundo Sidney Sipres, vendedor da empresa Clavia Materiais de Decoração e Acabamento, empresa que oferece protetores para paredes e cortinas divisórias e atende a todo o país, existem dois acessórios que não podem faltar nas garagens dos condomínios: “Os produtos indispensáveis às garagens são as cantoneiras para quinas vivas e chapas para a proteção de paredes e pilares curvos, fabricados em PVC flexível, pois, em caso de acidente, diminuem os custos nos reparos dos automóveis.”

Américo Mendonça Bezerra conta que nas pilastras da garagem do Condomínio Itaguaí são utilizados protetores. “Eles são fundamentais para evitar arranhar os veículos, caso haja contato”, diz. O administrador ainda comenta que pretende promover melhorias na garagem. “Queremos fazer uma pintura geral e aplicar epóxi no piso. Estamos programando, mas ainda sem previsão, por causa do alto custo que esses serviços implicam”, conta.

A pintura é, realmente, um ponto muito importante para deixar o ambiente da garagem mais leve. A indicação é que as paredes estejam pintadas de branco, pelo menos da metade para cima. A aplicação de epóxi – material sintético especial – no piso também é uma boa pedida, pois, além de clarear o ambiente, facilita a limpeza. Colunas e tubulações bem pintadas e conservadas também ajudam na organização da garagem. Para completar, a iluminação é um ponto de extrema importância, pois, além de conferir segurança aos condôminos, ajuda a evitar acidentes. Sensores de presença são fundamentais para gerar economia em energia elétrica e não levar um susto quando a conta chegar.

Tornar a garagem um espaço mais seguro e agradável é possível e não é preciso investir tanto. Com um pouquinho de organização financeira, conhecimento e muito boa vontade, sua garagem vai ficar muito bem aparelhada, sinalizada e os condôminos vão adorar.

 

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