Por CIPA
Em 15/09/2017
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Batizada em homenagem ao centenário da morte do líder da Inconfidência Mineira, em 1892, a Praça Tiradentes, no Centro do Rio, já teve vários nomes: Rocio Grande, Largo do Pelourinho, Terreiro da Polé, Campo da Cidade, Campo dos Ciganos e Praça da Constituição. O passado e a importância histórica do logradouro – antigo reduto de teatros e cabarés – já são conhecidos, mas é preciso entender o que ela representa nos dias atuais. Como noticiou Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO, a Praça Tiradentes será alvo de um estudo do Laboratório de Economia Criativa, Desenvolvimento e Territorial da ESPMRio. Feita a pedido do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) e do Centro Carioca de Design, a pesquisa vai traçar um perfil do frequentador, dos moradores e dos empreendedores da praça, ajudando o órgão de patrimônio a definir novas ações para o local, um dos grandes polos de cultura do Rio.

Segundo o presidente do IRPH, o arquiteto Augusto Ivan, a ideia é mensurar a percepção do carioca sobre a praça, avaliando o que é bom e o que é ruim naquele pedaço da cidade. E, partir do resultado da pesquisa, pensar em estratégias para revalorizar a praça.

– Conhecemos a importância do local, que tem prédios históricos, galerias, e foi revitalizado. Mas precisamos saber o que é necessário melhorar e o que os frequentadores querem. Temos ali o Centro Carioca, e nossa ideia é transformá-lo num espaço mais voltado para o patrimônio da cidade. Pensamos até em instalar ali um posto avançado da nossa biblioteca, para que a população tenha mais acesso. A pesquisa é para conhecermos melhor a percepção do frequentador – explica Augusto Ivan.

ECONOMIA CRIATIVA SERÁ MEDIDA

Iniciada em março, a pesquisa está sendo realizada por estudantes do curso de mestrado da ESPM, que estão aplicando questionários na Praça Tiradentes durante o evento Tiradentes Cultural, que todo primeiro sábado do mês ocupa a região com atividades culturais e uma feira gastronômica. Numa segunda etapa, serão realizadas pesquisas qualitativas com moradores e empresários ou diretores de bares, centros culturais e hotéis da região. O trabalho está previsto para ser concluído até o final do ano.

– O Instituto Rio Patrimônio e o Centro Carioca nos procuraram pedindo a pesquisa e fizemos a proposta de fazer algo mais amplo. Oferecemos uma pesquisa que medisse o potencial da economia criativa e os efeitos que as ações na Praça Tiradentes têm sobre o entorno – diz a doutora em ciências sociais Sílvia Borges, uma das coordenadoras da pesquisa.

Para o coordenador do Laboratório de Economia Criativa da ESPM-Rio, João Luiz Figueiredo, a pesquisa vai ajudar a identificar como a praça pode desenvolver seu potencial como polo de economia criativa na cidade. O levantamento vai analisar o que já existe (prédios, casas noturnas, restaurantes etc.), a fim de identificar os problemas e traçar planos para que a Tiradentes retome o rumo.

– Historicamente, essa praça foi muito importante no desenvolvimento da cidade, da arte, da cultura e da economia da cultura, que hoje chamamos de economia criativa. A Praça Tiradentes ficou durante muito tempo degradada, passou por um processo recente de revitalização, mas ainda precisa de avanços. Encontramos no entorno dela 15 equipamentos culturais importantes. Com a pesquisa, vamos poder fazer um diagnóstico do que temos de potencial e quais são os gargalos para que praça se torne mais ativa – comenta João Luiz.

Sem grades, com parte dos prédios históricos restaurados e na rota do VLT, a Praça Tiradentes viveu um período recente de revalorização, com a instalação de equipamentos culturais, como o Centro Carioca de Design (CCD), inaugurado em 2010, com galerias de exposição e espaços integrados multiúso, e o Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (Crab), também aberto em 2010, em três casarões históricos e tombados que passaram por dois anos de retrofit, um deles o Solar do Visconde do Rio Seco. Porém, quem vive e investiu na região teme que o atual abandono do poder público coloque tudo a perder, como o empresário Plínio Fróes, diretor do Polo Novo Rio Antigo, que tem dois imóveis na praça e pretendia abrir em um deles um cabaré, mas resolveu adiar os planos:

– A Praça Tiradentes tem um grande potencial, mas, infelizmente, vivemos um período de ausência de ordem pública que, combinada com a crise, tem agravado o problema. Na praça, há muitos camelôs e moradores de rua e já aconteceu vandalismo. A implantação da estação do VLT, integrando a praça a todo o centro histórico do Rio, nos animou com a expectativa da chegada da modernidade e de novos tempos, mas essa estação já foi depredada, e os tapumes do seu canteiro de obras ainda se encontram montados em frente à Estudantina, enfeiando e impedindo a circulação das pessoas.

Fonte: O Globo

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