Por CIPA
Em 28/12/2016
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Os números de licenciamentos de unidades residenciais de 2011 a 2015 confirmam a marcha carioca rumo ao Oeste. Mais precisamente à Área de Planejamento (AP) 4 da prefeitura, que corresponde à região da Barra e de Jacarepaguá. Nas estatísticas dos últimos cinco anos – os dados de 2016 não foram computados – a AP4 só não liderou em 2015, mesmo assim perdendo por pequena diferença para a AP3 (zonas Norte, da Leopoldina e Ilha).
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Mas quando se considera a outra parte da Zona Oeste (Campo Grande, Bangu, Santa Cruz, Guaratiba e arredores), não importa se em ano de aquecimento ou retração do mercado, a região puxa os licenciamentos. Apenas em 2012, Barra e Jacarepaguá registraram 18.102, mais de dois terços do total da cidade, que foi de 26.184, caindo para 17.777 em 2015, devido à crise econômica.
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O argumento de que só naquela região se encontram com facilidade terrenos disponíveis esconde uma falácia e justifica um erro no planejamento da cidade. Existem espaços livres para novas residências em outras partes da cidade.
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Estudo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ mostra que o Centro, excluindo o Porto Maravilha, tem capacidade de receber 150 mil novos domicílios em glebas vazias e galpões ociosos. E as iniciativas da prefeitura para revitalizar a Zona Portuária e o Centro, com a construção do Boulevard Olímpico, dos museus do Amanhã e de Arte do Rio e a implantação do VLT, deixam evidente que a ocupação residencial da região teria não só uma função social, como também pouparia investimentos em infraestrutura – já implantada na região – e seria atraente. As imagens do Boulevard Olímpico lotado dia 5 de agosto, quando recebeu um milhão de pessoas, deixam claro que a Zona Portuária (e o Centro) não precisa mais ser uma área degradada aonde só se vai por necessidade.
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Se um lançamento na Barra tem o apelo da praia, quanto o Museu do Amanhã incentivaria a ocupação do edifício A Noite, em frente ao novo cartão-postal? Erguido na década de 20 do século passado, o prédio de 22 andares, que pertence ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial, está desocupado. Enquanto isso, a cidade se expande para a Zona Oeste sob a equivocada justificativa de que não há mais espaços disponíveis nas regiões centrais.
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A consolidação da Zona Portuária e do Centro como lugar de moradia para diversos perfis socieconômicos pode reorientar a política de ocupação do espaço urbano, por deixar evidente que é melhor usar a infraestrutura existente do que levá-la a áreas distantes, a custo proibitivo a um poder público estrangulado pela crise fiscal.
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A expansão rumo à Zona Oeste traz ainda a desvantagem do estímulo ao rodoviarismo, que produz engarrafamentos e poluição e traz desconforto. É consenso entre os urbanistas e engenheiros de trânsito que o transporte sobre trilhos é a melhor opção.
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Reportagem do GLOBO do último dia 11 mostrou que o número de passageiros de trens e metrô aumentou, enquanto caiu o de usuários de ônibus. Especialistas dizem que a migração pode ter sido motivada pela confusa racionalização nas linhas, que fez passageiros encontrarem nos trilhos uma alternativa melhor e mais segura, diante do aumento da violência.
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Que a prefeitura, portanto, incentive novas moradias no Centro e regiões servidas por trilhos e demais itens da infraestrutura. Assim, evitam-se gastos desnecessários, algo ainda mais imperioso num momento em que se pede a colaboração da sociedade para o rigoroso – e inevitável – ajuste fiscal.
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Fonte – O Globo, Editorial

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