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Economia de água nos condomínios, sim!

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Todas as ações que resultem na redução do consumo desse recurso são válidas

A chuva voltou a cair no Sudeste e o volume de água nos reservatórios voltou a subir. No entanto, ainda não temos motivos para comemorar e é preciso que todos colaborem para a economia desse recurso, tão necessário à vida. Os síndicos precisam unir forças com os funcionários e os condôminos para traçar metas de economia e chegar a resultados reais.

Muito se fala sobre a necessidade de o síndico precisar submeter tudo à aprovação dos moradores, em conselho, e o tempo que se perde com a burocracia para realizar grandes obras, mas pequenas atitudes podem ser tomadas pelo síndico na luta pela economia de água. A conscientização, estimulada por campanhas e informativos permanentes, pode ser um bom começo, mas é preciso ir além e buscar a economia, principalmente, onde há muito desperdício.

José Carlos Peleteiro, diretor comercial da Economize Soluções Sustentáveis, empresa que comercializa e instala medidores individuais, acredita que ações simples podem gerar grandes resultados. “Com a crise hídrica que estamos vivendo, várias atitudes precisam ser adotadas. Na limpeza das áreas comuns, por exemplo, é possível utilizar produtos que requerem menor quantidade de água para fazer a higienização. A aspiração da piscina – situação em que, muitas vezes, a água é jogada no esgoto – pode significar economia, ao fazer com que a água passe por um filtro antes de retornar. Também é importante ver a possibilidade de implantar, no condomínio, um sistema de captação de águas pluviais”, explica.

Para Bruno Pereira, gerente do setor de micromedição da empresa Hidromet, especializada em individualização por meio de obra de adequação em prédios antigos, instalação de medidores em prédios novos, gestão e leitura de medidores, autovistoria predial, planta baixa do sistema de emergência e captação de água de chuva, é preciso implementar mudanças radicais para gerar economia: “É importante não deixar que os moradores lavem seus carros, mesmo com balde. Também é necessário adequar a vazão de chuveiros e torneiras, com a diminuição de litros por minuto, estar com a manutenção das caixas acopladas em dia (vale trocar as caixas convencionais pelas que utilizam três litros para líquido e seis litros para sólido). Não deixar o responsável pela manutenção da piscina drenar a água é outra dica valiosa – ele pode tratar a água apenas com produtos que existem, como é o caso do cloro. Outra coisa que ajuda bastante é limpar as áreas comuns do condomínio com água de reúso”, diz.

Há quase três anos, Paulo Sérgio Pires é síndico do Condomínio Felice, localizado na Zona Oeste da cidade. Ele já implantou muitas mudanças, que geraram economia financeira e hídrica. “Quando assumi, a conta de água era altíssima, em média R$ 60 mil. Como as finanças do condomínio não estavam muito bem, sabíamos que era preciso atacar as despesas mais relevantes para equilibrar as contas. A primeira medida tomada foi a contratação de uma empresa especializada para fazer a monitoração de vazamentos e todos os reparos e manutenção necessários. Atualmente, o morador tem a manutenção gratuita, incluindo troca de rabicho, válvula de descarga, carrapeta etc., o que incentiva o condômino a chamar a manutenção imediatamente após perceber um problema ou vazamento. Para o investimento necessário para alcançar a economia de água, firmamos um contrato com uma empresa que aceitou ser remunerada pelo êxito, quando recebe um percentual da economia atingida. A própria empresa se paga e ainda sobra bastante para os demais investimentos. Tudo que foi gasto no projeto foi custeado pela própria economia gerada. Não cobramos nenhuma cota extra ou utilizamos verbas de fundo de reserva. Temos um total de 667 banheiros no prédio, e para aumentar a economia de água, todas as caixas de descarga foram reguladas para receber menos água e os sistemas de descarga estão sendo trocados por válvulas de dois fluxos. Outra medida fundamental foi que todos os banheiros, cozinhas e áreas de serviço tiveram as saídas de água reguladas com redução de vazão, que foi medida individualmente. Assim, em um prédio de 23 andares como o nosso, em que a pressão da água varia muito, pudemos controlar a vazão e acabamos com aqueles casos em que quando se abria a torneira do tanque a água saía com tanta força que molhava toda a área, causando desperdício”, conta.

O síndico estava certo. Segundo os especialistas, a maior parte do desperdício de água nos condomínios está nos pequenos vazamentos nas unidades, aqueles imperceptíveis, mas que trazem um prejuízo bem grande. José Carlos Peleteiro, da Economize Soluções Sustentáveis, conta que existem vários vilões que impedem a economia de água. “Eu destaco a falta de manutenção dos componentes das descargas, os vazamentos nas cisternas e a falta de manutenção da rede enterrada (hidrantes) no sistema de incêndio”, diz. Para Bruno Pereira, da Hidromet, os grandes responsáveis pelo desperdício de água nos condomínios são os vazamentos dentro das unidades, principalmente nas descargas de caixa acoplada “O vazamento se dá pelo ladrão; é causado pela desregulagem das boias e não aparece na bacia sanitária. O obturador também costuma dar problema, pois, com o tempo, ele se deforma e dá passagem à água que deveria ficar na caixa para abastecer a bacia sanitária. Em casos extremos, esse obturador trava na posição aberta, o que faz gerar um consumo altíssimo. Nas áreas comuns do condomínio é mais comum haver problemas na cisterna, por causa da desregulagem da boia, que gera um vazamento entre a tampa e as paredes da cisterna. Esse vazamento é praticamente invisível em cisternas subterrâneas, pois a água segue para o subsolo”, afirma.

Paulo Sérgio Pires conta que o resultado financeiro é tão bom que, com a economia de água, associada à economia de luz e gás, eles conseguem, há três anos, não aumentar a cota condominial e ainda investiram na construção de uma fantástica academia de ginástica e spa com sauna seca e a vapor. “Entre fevereiro e julho de 2013, conseguimos economizar cerca de 437.700 litros de água, ou seja, aproximadamente uma economia de mais de R$ 26 mil mensais”, afirma.

A individualização dos hidrômetros traz economia no consumo de água?

Muitas pessoas ainda têm dúvida com relação às vantagens de fazer a individualização dos hidrômetros, mas, segundo nossos entrevistados, as vantagens são muitas e a economia é real.

O síndico Paulo Sérgio Pires reduziu muito o consumo de água de seu condomínio, mas não acredita que a economia será impactante no caso da instalação dos hidrômetros individuais. “Não fizemos a instalação de hidrômetros individuais por entendermos que o aparelho não tem a finalidade de economizar água, e sim de apropriar a despesa com o consumo para quem efetivamente gastou a água. Isso não resulta, necessariamente, em economia. Se o condômino suportar bem, em suas finanças pessoais, o custo da conta atribuída a ele, pode simplesmente continuar gastando ou até aumentar o consumo usando o bordão da personagem caricata
da televisão ‘Eu tô pagando!’. Para se ter uma abordagem que vise, realmente, à sustentabilidade, acreditamos que o investimento realizado em medidas de redução de consumo é melhor e dá mais resultado do que o gasto com individualização de hidrômetros e contas”, diz.

A síndica do Condomínio Rodrigues, na Zona Norte, Maria Auxiliadora, é muito conhecida por todos os seus feitos relacionados à sustentabilidade e, principalmente, à economia de água. Além de instalar bicas temporizadas nos banheiros do salão de festas do condomínio e redutores de pressão nas torneiras do salão, ela optou pela individualização do hidrômetro e garante que a economia foi muito grande. “Antes da individualização, nossa conta de água correspondia a cerca de 51% do orçamento do condomínio. Assim que fizemos a instalação dos hidrômetros individuais, fizemos uma leitura teste, só para saber quais eram os moradores que estavam consumindo mais água. Essa leitura apontou que apenas uma moradora teria que pagar mais de R$700, daí constatamos que ela tinha vazamento. É muito fácil localizar o vazamento, pois é só fechar o hidrômetro na parte da noite, quando ninguém consome; se ele ficar rodando é porque existe vazamento. Além disso, essa moradora tinha uma empregada que não colaborava muito e consumia muita água, ligando a máquina de lavar, por exemplo, para lavar poucas peças de roupa. Após cartas e avisos, a moradora conseguiu estabilizar sua conta de água”, conta.

Maria Auxiliadora aconselha essa obra, mas avisa que dá trabalho. “Eu indico a individualização dos hidrômetros, sim. Dá muito trabalho, não é fácil, são meses e meses acompanhando as obras, pedindo autorização para entrar nos apartamentos, mas compensa. Eu, por exemplo, que moro sozinha, antes da individualização, pagava cerca de R$ 190 de conta de água; atualmente, minha despesa não passa de R$ 40. É justo, o morador paga o que consome”, explica a síndica, que não parou de economizar e, por conta da necessidade de racionar, entrou na guerra contra o desperdício de água com mais força ainda. “Por conta da crise hídrica, diminuímos muito o consumo de janeiro para fevereiro deste ano. Em vez de lavar as áreas comuns com mangueira, passamos a usar balde de água e pano molhado. A rega das plantas, que era feita duas vezes ao dia, passou para uma vez ao dia, e, só nessas pequenas coisas, a conta, que em janeiro veio R$ 16 mil, em fevereiro veio R$ 9 mil, sinal de que vale a pena economizar”, conta, orgulhosa, a síndica.

Bruno Pereira explica que existem muitas vantagens por trás dessa obra: “A cobrança justa do consumo das unidades, a fácil detecção de vazamentos nos apartamentos, a autonomia das unidades em qualquer tipo de reforma – sem comprometer os outros apartamentos – e, principalmente, a diminuição na conta de água. Nos últimos três meses, por causa da crise hídrica, houve um aumento muito grande na procura por orçamento desse serviço”, diz. O gerente destaca ainda a importância de procurar uma empresa especializada e idônea. “O síndico que optar pela obra deve procurar empresas que tenham um responsável técnico e que estejam registrados no CAU/RJ ou no CREA/RJ”, completa.

Para José Carlos Peleteiro, o pagamento justo pelo que é consumido é a principal vantagem da individualização. “Além de pagar pelo que o morador usou de fato, a diminuição do consumo geral e, consequentemente, o ganho ambiental também valem ser destacados, pois conseguimos, com essa obra, reduzir o consumo de 40% a 50%”, afirma o diretor comercial, que também aponta o crescimento da procura do serviço nos últimos meses. Seja com pequenas ações de conscientização ou com grandes obras que mexem com todo o condomínio, é preciso ter em mente a necessidade de buscar alternativas que diminuam o consumo, não apenas pelo retorno financeiro, mas porque, a qualquer momento, poderemos viver crises cada vez mais graves. Se cada um fizer sua parte, poderemos evitar um grande colapso.

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