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Perigos da dedetização amadora

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O aumento populacional nas grandes cidades brasileiras tem criado um fenômeno bem peculiar: o incremento do número de conjuntos habitacionais. Com eles, vêm locais com grandes áreas comuns, com o intuito de garantir o lazer dos moradores. Mas esse espaço para diversão e socialização deve ser muito bem cuidado, uma vez que recebe um grande volume de pessoas e animais domésticos e pode abrigar produtos e material de uso comum.

A circulação de pessoas por esses locais aumenta as chances de acúmulo de lixo e detritos, e se não forem bem limpos e arejados, podem ser um prato cheio para o crescimento de vizinhos nada agradáveis. As chamadas pragas urbanas – como ratos, baratas, cupins, traças e formigas – esperam apenas um descuido para se instalarem e virarem um problema para os condôminos. Os administradores prediais ou os síndicos têm que estar em alerta máximo para evitar que essas pragas se alastrem para outras áreas. E uma forma eficaz para acabar com elas é a dedetização.

Esse método de combate às pragas também tem seus riscos, já que venenos são utilizados para eliminar esses moradores indesejáveis. E o mau uso desses pesticidas pode trazer muitos problemas para os condôminos e para seus animais de estimação. Por isso, não é recomendável que pessoas que não tenham o preparo adequado façam o serviço. De acordo com o consultor técnico da Sani System, Caian Maestrelli, há uma série de fatores de riscos, mas o principal deles é a intoxicação.

“O principal problema é, sem dúvida, a intoxicação, e o maior agravante é a pessoa não receber os primeiros socorros de maneira adequada. Muitas vezes, as pessoas estão manipulando produtos químicos cujo princípio ativo é desconhecido, o que impossibilita receber o antídoto adequado no caso de intoxicação”, diz o especialista. “Existem alguns equívocos que acontecem com muita frequência, baseados em crenças e mito populares, como é o caso do uso do leite como antídoto de intoxicações provenientes de produtos químicos. Em alguns casos o leite tem o efeito inverso, em vez de atrasar o processo de intoxicação, ele age como um catalisador, acelerando a reação química, diminuindo ainda mais o tempo que a pessoa teria para receber atendimento médico.”

Os especialistas recomendam que a dedetização fique a cargo de empresas do segmento, que já têm o conhecimento das técnicas e do uso dos venenos. Além disso, dispõem de material e equipamento necessários para evitar danos às pessoas e ao ambiente. Segundo o diretor executivo da Imuni Service, Marcus Pires, deixar o trabalho para um porteiro ou zelador, por exemplo, é sinônimo de problemas futuros.

“A pessoa não qualificada desconhece a praga que está combatendo e os produtos que usa. É recorrente a utilização de misturas inapropriadas, superdosagens e exposição desnecessária a pesticidas, o que causa intoxicações e envenenamentos, principalmente em crianças e animais domésticos”, atesta.

As dedetizações devem ser realizadas em um intervalo de, no máximo, 90 dias, para que o trabalho seja sempre renovado e os ambientes fiquem protegidos. No entanto, é importante que cada caso seja avaliado individualmente, pelo tamanho do condomínio e do número de pessoas que lá moram. E o tipo de praga também faz variar o tempo mínimo exigido para a reaplicação de pesticidas.

“As principais pragas urbanas são cupins, baratas, formigas, traças, brocas, roedores e mosquitos. Para cada uma delas há um produto específico e uma maneira de aplicação própria, sempre levando em conta a biologia da praga em questão. Por isso é de extrema importância que os serviços de combate e controle sejam feitos por empresas especializadas e capacitadas para tal”, diz Caian.

O síndico José Machado, do Condomínio Ana Luíza II, na Zona Norte – que possui cerca de 50 moradores e é administrado pela CIPA –, já viveu os dois lados da moeda. Quando ainda não tinha experiência na função de comandar um prédio, ele chegou a apostar em um funcionário para fazer a dedetização. Na época, acreditou ser uma economia para o condomínio, mas logo percebeu que tinha feito a escolha errada. “Com o passar do tempo, percebi que, além de não ser econômico, o empregado não tinha qualificação profissional para executar a tarefa. O funcionário poderia sofrer danos à saúde por não saber manusear adequadamente o equipamento. O condomínio também estava correndo o risco de sofrer uma ação trabalhista por parte do empregado, por desvio de função”, atesta.

José Machado conta que, muitas vezes, precisou refazer a dedetização porque não havia sido bem-feita. Era nítido que o material utilizado não era o adequado ou a própria aplicação havia sido um desastre. O síndico contou um episódio em que o serviço afetou diretamente a saúde dos moradores. “Em uma ocasião, fiz a dedetização com um profissional recomendado. Logo que começou o serviço nos andares, os moradores começaram a me ligar reclamando do cheiro forte do produto que estava sendo aplicado. Havia condôminos que estavam se sentindo mal por serem alérgicos. Tive que interromper imediatamente o trabalho para não ter
maiores consequências. Mandei lavar o local para evitar as ameaças dos moradores de entrarem na Justiça contra o condomínio.”

Moradores podem acionar a Justiça

E o síndico José Machado não estava errado em suas preocupações. Os condôminos que se sentirem lesados por um mau serviço ou até mesmo por doenças que venham a enfrentar ao longo do processo de utilização de pesticidas podem entrar com ação na Justiça contra o síndico e o condomínio. E até mesmo contra as pessoas que realizaram a aplicação.

Segundo o advogado Anderson Lima Sampaio, coordenador da área imobiliária do Escritório SAAD Advogados, o síndico pode ser colocado na ação como o único responsável, principalmente se tomar a decisão de usar pessoas não capacitadas para fazer a dedetização, pois assume o risco do dano. No entanto, ele pode ser enquadrado como pessoa física se a dedetização amadora tiver sido objeto de aprovação em assembleia do condomínio.

“Poderão ser intentadas ações indenizatórias de danos morais e materiais, dependendo das reverberações da eventual intoxicação. Ações de obrigação de não fazer também poderão ser propostas contra o condomínio, de modo a evitar que essas dedetizações amadoras voltem a ocorrer, sob pena de multa”, explica o advogado.

Saúde dos condôminos em jogo

Mas não é apenas na esfera jurídica que o síndico precisa ter cuidado com a dedetização das áreas comuns do condomínio. A saúde dos moradores e dos animais de estimação estará em jogo e por conta do administrador. De acordo com Fátima Cardoso, clínica geral e nutróloga, os riscos e sintomas são diversos:

“No caso de intoxicação provocada por veneno, os sintomas podem surgir no mesmo dia da aplicação do produto e consistem em náusea e vômitos, muitas vezes intensos, cólica abdominal e diarreia aguda. Quando ocorrem reações alérgicas, que, em geral, são do âmbito respiratório – com espirro, tosse irritativa, irritação de garganta e olhos e até crise asmática –, dores de cabeça e musculares, além de coceira na pele e conjuntivite alérgica, podem surgir”, enumera a médica.

Fátima Cardoso elucida ainda a necessidade de procurar atendimento de emergência em casos de intoxicação humana. Segundo ela, é importante que as pessoas não tentem tratamentos paliativos, que podem vir a agravar o quadro clínico.

Recomendações

A prevenção é das maiores aliadas no combate às pragas urbanas. Para obter sucesso e se livrar dos moradores indesejáveis, não basta apenas a aplicação de pesticidas, mas limpeza e controle do ambiente, segundo Marcus Pires, da Imuni Service. “Um controle de pragas bem executado requer preparação prévia do ambiente, que deve ser limpo e organizado. Um funcionário deve ser escalado para acompanhar os operadores técnicos. Essa pessoa será responsável também por informar sobre a incidência de pragas e os locais críticos – passagem e abrigo – existentes na edificação. O tratamento contra pragas deve ser precedido por um informativo aos condôminos, com a data e a hora do serviço”, explica.

O síndico José Machado concorda com a necessidade de deixar o ambiente sempre limpo e arejado, o que favorece a erradicação das pestes urbanas dos condomínios. “Para que haja sucesso no combate aos insetos, o fator fundamental é a limpeza. O lixo deve ser separado em embalagens bem amarradas e colocado em lugares apropriados. A prevenção é fundamental para o sucesso de todos em um condomínio.”

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