Por CIPA
Em 09/03/2018
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A julgar pelas notícias da última semana, a crise econômica é coisa do passado. O prolongado e doloroso ciclo de recessão que perdurou de 2015 a 2016, anos em que o Produto Interno Bruto (PIB) ficou negativo em 3,5%, ainda está longe de ser superado, mas os principais indicadores mostram que o País voltou a crescer. Em 2017, o PIB fechou em 1%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou o dado na última quinta-feira. A taxa juros é a mais baixa da história (6,75%). 

A inflação, em 2,2% ao ano, está abaixo da meta do Banco Central e o setor público obteve em janeiro superávit de R$ 46,9 bilhões – o melhor resultado desde 2001, quando a série histórica foi iniciada. Na indústria, o crescimento foi de 2,5% em 2017, contrastando com as quedas de 6,4% em 2016 e 8,3% em 2015. Até o índice de desemprego, que se mantinha estacionado na preocupante casa de 12,2%, dá sinais de queda, com a criação de 77.822 mil novas vagas em janeiro, algo que não ocorria desde 2012, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados(Caged). 

Ainda que a positividade dos dados não se reflita de forma prática na melhoria das condições de vida dos brasileiros, os indicadores confirmam que a confiança no País voltou. Prova disso é a Bolsa de Valores de São Paulo. Então por que ainda persiste a sensação de que o fim da crise é quase uma utopia? “A gente vê que, de uma maneira geral, a economia vem melhorando. Mas é uma melhora lenta e gradual” afirma o economista Marcel Grillo Balassiano, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Uma das razões para a lentidão da retomada é a o efeito destruidor da recessão no biênio anterior, o que, na prática, colocou a economia no mesmo patamar que estava em 2010. Com o avanço do PIB no ano passado, avançamos para o cenário de 2011. É muito atraso para recuperar de uma vez só. A única vez que o PIB brasileiro ficou negativo por dois anos seguidos foi logo após a crise de 1929, e mesmo assim, em níveis menores. Estudos do próprio Ibre/FGV apontam que deverão ser gerados em 2018 entre 700 mil e 1 milhão de postos de trabalho.

Somada aos juros baixos e à inflação sob controle, a recuperação do emprego irá aumentar a renda das famílias e estimular o consumo, aquecendo ainda mais a economia. A recuperação das vendas já é significativa na indústria automobilística, que cresceu 20,1% em 2017 e segue no mesmo ritmo este ano. Otimistas com esse cenário de retomada, empresas de outros setores também voltaram a fazer grandes aportes. É o caso da OLX, plataforma de compra e venda online, que vai investir no Brasil R$ 200 milhões em tecnologia e inovação neste ano, segundo presidente Andries Oudshoorn.

“Pós crise”

Não é só o grande empresário que aposta. Por acreditar na tendência de valorização no longo prazo, a administradora paulistana Fernanda Pirajá de Figueiredo, 52 anos, acaba de comprar um imóvel na Vila Mascote, bairro de classe média em São Paulo. “Acredito na melhora da economia e a hora de comprar apartamento é antes que os preços subam novamente”, afirma.

Também os cariocas Guga Weigert e Rodrigo Lasmar resolveram investir mais de R$ 7,5 milhões em um empreendimento dentro do Jockey Club do Rio de Janeiro, que será inaugurado no sábado 10. Para o CEO Dante Seferian, da Construtora e Incorporadora Danpris, de Osasco (SP), “este é um bom momento para adquirir imóveis, principalmente pelas condições de pagamento oferecidas, em que se pode usar recursos próprios como o FGTS e opções como crédito imobiliário, financiamento e consórcio imobiliário.” Tanto é que o setor de equipamentos para construção civil foi o que mais cresceu em 2017: 40,1%.

Gestor da Golf Invest, braço da XP Investimentos, a maior do País, o economista Shan Butler diz sentir que há espaço para um bom crescimento e que o investidor brasileiro já se prepara para o pós-crise. “Ele teve que buscar alternativas e acabou migrando para plataformas que dividem as aplicações e remuneram melhor. Há sinais de reaquecimento da economia, agora vai depender só da política. Se permitirem, vai melhorar”, diz Butler. Para os analistas, a certeza de que a crise realmente acabou depende ainda da eleição. O economista Marcel Grillo Balassiano, do Ibre/FGV, acredita que o mercado reagirá na medida em que os candidatos pró-reformas forem ganhando força nas pesquisas. “Quando a gente souber o presidente eleito e qual política econômica vai prevalecer em 2019, a incerteza vai passar”, afirma

Fonte: Revista Isto É

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