Por CIPA
Em 06/06/2017
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Imagine que você, cansado de um dia de trabalho, vai botar a cabeça no travesseiro para dormir e, de repente, começa um ziriguidum lá fora. Com um incessante ruído que mescla música alta, táxis buzinando furiosamente, bêbados brigando e pessoas gargalhando como se não houvesse amanhã, relaxar se torna impossível. E o pior: é assim quase todos os dias.

Essa é a situação que o jornalista Marco Antonio Rocha vivia e que muitos moradores do Rio ainda passam. Residente há cerca de 10 anos da Praça São Salvador, em Laranjeiras, onde o movimento é intenso diariamente, ele e a companheira chegaram a pensar em mudança para se livrarem do incômodo barulho cotidiano. A solução foi o isolamento acústico nas janelas — primeiro no quarto do filho que estava para nascer, em 2009, e depois no restante do apartamento.

— Depois de alguns anos, o ruído foi aumentando muito e preferimos pagar para ter essa tranquilidade. Se você está em um lugar com som alto e te incomoda, você simplesmente vai embora. Mas quando o barulho vem até a sua casa, não tem para onde fugir — conta.

Perturbações como a de Rocha são muito comuns em regiões badaladas e com bares próximos. Outro típico caso de desgaste por causa do barulho é o que acontece entre vizinhos. Quem nunca se incomodou (ou foi o autor…) com o tec tec do salto alto, de gritarias, TV com som alto ou até mesmo das unhas do cachorro arranhando no piso?

Para resolver essas questões, há alguns caminhos, como conversar com o responsável para se chegar a um acordo (por exemplo, não arrastar os móveis de madrugada ou tirar o salto), isolamento acústico, e até mesmo ir à Justiça para cessar o barulho ou, ainda, para que o responsável pague pela solução acústica.

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Isolamento acústico

A dor de cabeça é a mesma, mas os tipos de ruídos e soluções são distintos. Os barulhos vindos do lado de fora do prédio, como o do trânsito, geralmente se propagam pelo ar e podem ser resolvidos com a vedação nas janelas e portas ou com a troca do ar-condicionado de caixa pelo split — modelo que oferece uma vedação melhor.

Já os barulhos propagados por vigas e pela estrutura, como o andar do vizinho de cima ou a casa de máquinas do elevador, são mais difíceis de resolver, pois carecem de obras maiores. No caso de o ruído vir do andar superior para o debaixo, o morador de cima pode fazer uma obra no piso ou o vizinho debaixo rebaixar o teto do apartamento.

Se a obra for feita no andar de cima, o que se faz é arrancar piso e contra piso e colocar uma manta acústica, que pode ser de lã ou borracha, embaixo deles, seguida de uma camada de concreto e, por fim, o piso. Se for feito pelo morador do andar inferior, um rebaixamento de teto feito com drywall (chapa de gesso) e lã acústica ajuda, embora não seja tão eficaz

Em relação ao tipo de material, os mais indicados para imóveis residenciais são janelas antirruído de vidro laminado e esquadria de PVC ou alumínio. Para isolar o som entre a paredes, uma paralela de drywall ajuda. As espumas são mais usadas em tetos de bares, restaurantes e estúdios para melhorar a acústica do local. Mas, apesar de absorverem o som, não isolam totalmente o ruído.

Seu barulho, seu custo

A questão do barulho para moradores é mais complexa do que parece, pois nem todos os casos podem ser configurados como foras da lei — por estar fora do horário permitido ou acima do limite de decibéis — e resolvidos através de denúncia.

O ideal é conversar e tentar chegar a um acordo, orienta. Mas, quando não há boa vontade da parte responsável pelo barulho, o incomodado pode acionar a Justiça, tanto para que ele cesse o ruído, quanto para que pague pelos custos do isolamento acústico. Já houve um caso em que moradores entraram com uma ação contra um bar no Leblon por causa do som alto e constante que acontecia pela madrugada. Na decisão final do juiz, o estabelecimento teve que colocar um toldo acústico para abafar a barulheira.

Em outra situação, um morador do último andar reclamava do ruído e trepidação causados pelo sistema central de ar-condicionado do prédio. Com o uso de um decibelímetro, a perícia apurou que os incômodos estavam acima dos limites de tolerância e a construtora foi obrigada, por sentença, a mudar o sistema para eliminar os ruídos. Eles colocaram sapatas embaixo dos equipamentos, o que resolveu o problema.

Quando se pretende entrar com uma ação, o ideal é produzir o máximo de prova possível, tal como notificações contra o vizinho, filmagens com áudio, demonstrando o barulho e até mesmo um laudo particular, onde o profissional poderá atestar o nível do barulho produzido.

Novidades para o isolamento acústico

Com a crescente demanda, a qualidade dos produtos, dos prédios e do design melhoram.

O isolamento acústico em paredes, janelas e piso é uma boa opção para quem não aguenta mais conviver com ruídos inoportunos da vizinhança.

Por outro lado, ainda é uma saída onerosa e que requer disposição para uma obra, sem contar que perde-se espaço, como no caso do rebaixamento de teto ou instalação de uma parede em drywall (de gesso).

Com o aumento da procura por janelas antirruídos e um mercado mais exigente, a tendência é que o preço se torne mais acessível. A variedade de materiais também deve ficar cada vez mais diversificada. Mas para quem não quer ter muito custo, carpete, cortina, madeira e tecido são materiais que podem ajudar a absorver o som.

Imóveis mais modernos

Outra mudança é que, com a implantação da norma de desempenho para edificações NBR 15.575, em 2013, as novas construções de paredes, lajes e fachada passaram a ter que atender a índices acústicos mínimos e, com isso, a melhoraram seus sistemas construtivos.

A expectativa é que, com essa norma, os imóveis novos já venham com um tratamento acústico superior e minimize problemas hoje comuns na convivência entre vizinhos.

Fonte – O Globo

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