Por CIPA
Em 11/06/2018
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A polêmica tem forma de um obelisco de 22 metros de altura, dividido em dez blocos nos quais serão impressos os dez mandamentos, com destaque para o “Não matarás”. A estrutura faz parte do projeto que prevê a construção de um memorial no Mirante do Pasmado, em Botafogo, em homenagem às vítimas do Holocausto. Proposta que põe em lados opostos a comunidade judaica e especialistas em urbanismo, que temem o impacto da construção na paisagem natural da cidade.

A principal reação contrária é do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomus), ONG associada à Unesco. Nos próximos dias, a entidade divulgará uma moção de repúdio à ideia e acionará o Heritage Alert, espécie de advertência quando considera que alguma iniciativa expõe a risco um patrimônio da Humanidade. Ligado ao Icomus, o geógrafo Rafael Winter Ribeiro diz que o monumento pode ameaçar um título que o Rio ganhou da Unesco em 2016, em reconhecimento à sua paisagem urbana.

– O mirante fica no entorno de sítios tombados, como o Pão de Açúcar e o Corcovado. O obelisco é uma ameaça à preservação da paisagem como nós conhecemos – diz Rafael, um dos consultores contratados para que o Rio ganhasse o título da Unesco.

Os planos de construção do memorial têm mais de 30 anos. Começaram por iniciativa do exdeputado Gerson Bergher, já falecido, que, em 1998, convenceu o então prefeito Luiz Paulo Conde a patrocinar um concurso do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB). O projeto vencedor foi justamente o que se tenta viabilizar agora. Originalmente, contudo, a estrutura seria construída na Enseada de Botafogo.

Em abril de 2017, a escolha do Pasmado foi oficializada pelo prefeito Marcelo Crivella, que cedeu o espaço à Associação Cultural Memorial do Holocausto, que tenta arrecadar fundos para tirar o obelisco do papel. Engajado na proposta, Crivella fará um show na próxima quinta-feira, no Centro de Convenções SulAmérica, com o intuito de arrecadar recursos para o projeto.

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– Ainda estamos na fase de orçamento. Serão ao menos dois anos de obras. Não tem motivo para preocupação. O monumento respeitará o entorno – argumenta o presidente da associação, Arnon Velmovitsky.

Viúva de Gerson, a vereadora Teresa Bergher (PSDB) defende que o projeto ajudará a revitalizar uma área. Ela ressalta ainda que existe um simbolismo sobre o local escolhido, já que o mirante fica no Parque Yitzhak Rabin:

– Não tem esse impacto visual que estão alardeando.

A ideia de mudar o local do memorial, no entanto, não foi bem recebida pelo IAB.

– Chancelamos um projeto que previa a construção ao nível do mar. Outra coisa é executá-la no alto de um morro. Sequer fomos consultados sobre isso – diz Pedro da Luz, presidente do IAB.

Os institutos Rio Patrimônio da Humanidade e do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) foram sondados sobre o projeto, mas as plantas ainda não foram entregues para análise. Autor da proposta conceitual, o arquiteto André Orioli diz que ainda desenvolverá o plano final, que será apresentado às instituições:

– O impacto visual no entorno não será tanto assim.

Fonte: O Globo

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