A área verde de um condomínio deixou de ser vista apenas como um elemento decorativo para se tornar um ativo estratégico de gestão. Prova disso são os dados levantados na pesquisa da Brain Inteligência Estratégica, que mostra que 57% dos compradores priorizam imóveis mais arejados e integrados à natureza, enquanto 80% consideram a presença de áreas verdes no entorno um fator decisivo na escolha da moradia.
“O conceito de lar foi completamente redefinido. A integração de áreas verdes e espaços de convivência nos projetos imobiliários proporciona melhor qualidade de vida aos moradores. Isso representa uma maneira de incorporar a sustentabilidade ao cotidiano das pessoas, valorizando a natureza e, assim, contribuindo para sua preservação”, aponta Eduarda Tolentino, sócia e presidente da BRZ Empreendimentos.
O conceito de paisagismo sustentável também tem ganhado força nas assembleias, impulsionado pela necessidade de se reduzirem gastos com manutenção e pelo desejo dos moradores de viver em ambientes ecologicamente corretos. Mais do que plantar árvores, o desafio atual é criar ecossistemas que demandem o mínimo de recursos e o máximo de bem-estar.
“O paisagismo sustentável é aquele que vai além das plantas e considera o ambiente como um todo. Ele se define por fazer uso eficiente da água, com respeito ao solo e ao ecossistema local, usando material sustentável, além de necessitar de baixa manutenção ao longo do tempo. Ou seja, ele busca reduzir os impactos ambientais, economizar recursos e melhorar a qualidade de vida, trabalhando em harmonia com a natureza”, define a engenheira e paisagista Katia Neves, que tem mestrado em Recursos Hídricos pela Coppe – UFRJ.
Aposta na flora nativa
O pilar central do paisagismo moderno é o uso de espécies nativas ou adaptadas. Ao contrário das plantas exóticas, que, muitas vezes, exigem regas constantes e adubação química intensa, as plantas nativas já estão acostumadas ao regime de chuvas e ao solo local.
Dica da especialista
A nosso pedido, Katia Neves fez uma seleção de espécies nativas do nosso país que adicionam beleza e sofisticação aos condomínios, mas exigem baixa manutenção – pouca rega e poda:
Árvores:
- Ipê (Handroanthus spp.) – florada marcante; pouca manutenção
- Pata-de-vaca (Bauhinia forficata) – ornamental e rústica
- Canafístula (Peltophorum dubium) – sombra e flores amarelas
Arbustos:
- Clúsia (Clusia fluminensis) – resistente à seca; poda mínima
- Murta (Blepharocalyx salicifolius) – elegante e compacta
- Hibisco-da-praia (Talipariti tiliaceum) – rústico e ornamental
Forrações:
- Grama-amendoim (Arachis repens) – pouca água e manutenção
- Liríope (Liriope muscari – nativa adaptada) – resistente e limpa
- Trapoeraba-roxa (Radescantia pallida) – decorativa e resistente
Irrigação inteligente
A grande revolução, entretanto, está escondida sob a terra. Sistemas de irrigação automática integrados a sensores de chuva e programação inteligente permitem irrigar só quando necessário, evitando desperdício. Isso gera economia direta na conta de água e evita gastos extras com manutenção com o paisagismo.
“De forma realista, um sistema de irrigação automática inteligente pode gerar uma economia de 20% a 50% na conta de água de um condomínio. Isso ocorre porque ele evita regar em dias de chuva, por conta dos sensores de chuva e umidade, e consegue ajustar a quantidade de água às necessidades reais do solo, possibilitando reduzir perdas por excesso de rega e horários inadequados, além de diminuir erros humanos no acionamento manual”, explica a paisagista.
Katia também destaca que essa tecnologia pode ser implementada sem destruir o paisagismo. “Instalação de gotejamento, ou microaspersão, uso de sensores de chuva e umidade e instalação de controladores automáticos permitem intervenções pontuais e pouco invasivas. Dessa forma, conseguimos usar menos água, reduzir os custos com manutenção e preservar o jardim atual”, explica.
Além da redução dos custos, ela aponta outros benefícios: plantas mais saudáveis, menor manutenção e uso consciente da água.
Jardins de chuva
São áreas ajardinadas projetadas para receber, reter e infiltrar a água da chuva. Eles ajudam na drenagem, reduzindo alagamentos e filtrando poluentes naturalmente. Além disso, aumentam a infiltração no solo e diminuem o escoamento superficial, oferecendo melhor drenagem, menos enchentes e mais equilíbrio ambiental.
Conforto térmico
Em tempos de crise climática, o paisagismo sustentável se torna um aliado contra as ilhas de calor. “Quando criamos sombreamento com árvores, diminuindo a temperatura do solo e das edificações, contribuímos para o aumento da evapotranspiração e, com isso, conseguimos resfriar o ar naturalmente”, exemplifica a paisagista.
Outra estratégia sugerida pela especialista para diminuir a sensação térmica é substituir as superfícies impermeáveis por áreas verdes com o uso da vegetação como barreira térmica e contra ventos quentes. “Dessa forma, tornamos os ambientes mais frescos, com melhor qualidade de vida no condomínio”, explica.
Gestão e valorização patrimonial
A transição para um jardim sustentável é uma ferramenta de valorização das unidades. Um condomínio com selo de sustentabilidade e custos operacionais baixos atrai um perfil de comprador mais consciente e exigente.
“O mercado imobiliário está cada vez mais voltado para práticas ESG, e os investidores enxergam em empreendimentos certificados uma oportunidade de agregar valor ao seu portfólio. Construções sustentáveis garantem menor custo operacional e maior liquidez e atraem um público qualificado, alinhado às tendências globais”, ressalta Roberval Toffoli, vice-presidente de Governança Corporativa da Helbor.
Upgrade paisagista
- Inventário: antes de transformar a área verde do seu condomínio, é preciso entender quais plantas consomem mais água e mão de obra.
- Solo: utilize a compostagem dos resíduos orgânicos do próprio condomínio para adubar os jardins, fechando o ciclo sustentável.
- Automação: invista em sensores de chuva simples se o orçamento para um sistema completo for limitado; o ganho já será imediato.
O paisagismo sustentável prova que é possível unir a estética exuberante à responsabilidade financeira. No fim do dia, o jardim mais bonito é aquele que respeita o meio ambiente e o caixa do condomínio.
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