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Os desafios da Barra da Tijuca depois da Olimpíada

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Quando as primeiras escavadeiras, os tratores e os caminhões tomaram as avenidas Salvador Allende, Embaixador Abelardo Bueno e das Américas, artérias do Recreio dos Bandeirantes, de Jacarepaguá e da Barra da Tijuca, em meados de 2010, pouca gente conseguia vislumbrar o que brotaria daquele cenário apocalíptico, feito de terra bruta (que virava lama ou poeira, dependendo da meteorologia), engarrafamento e muito barulho.

Seis anos e mais de 25 bilhões de reais depois, o carioca finalmente começa a tomar pé de todas as novidades que vieram a reboque da Olimpíada. Dotada de moderna (porém já lotada) rede de ônibus rápidos e metrô, a região que compreende os três bairros e que, para todos os fins, é tratada genericamente como Barra, mudou muito. No ramo imobiliário, surgiram 17 000 unidades habitacionais e comerciais e os leitos da rede hoteleira ali instalada passaram de 2 000 para 12 500.

O Riocentro, espaço de convenções de dimensões titânicas, cresceu ainda mais e ganhou como vizinho o Parque Olímpico, com suas megaestruturas esportivas. Erguido sobre as ruínas do Autódromo de Jacarepaguá, o complexo começa a ser reocupado com a finalidade de entretenimento — a realização da Maratona da Alegria Villa Mix, festival de música para 60 000 pessoas com atrações do naipe de Ivete Sangalo, Wesley Safadão e Anitta, no domingo (13), marca a inauguração desse novo modelo.

E, no ano que vem, será a vez de o Rock in Rio instalar no local seus palcos feéricos, com espaço de sobra para 85 000 pagantes.

A prefeitura ainda tenta viabilizar a concessão à iniciativa privada das instalações esportivas que permanecerão no local — a primeira concorrência não teve interessados. Com uma proposta mais atraente aos investidores, a expectativa é que a segunda concorrência, cuja divulgação do resultado está marcada para o dia 21, resolva o impasse.

Em meio à colossal infraestrutura montada na Barra da Tijuca para os Jogos, a rede hoteleira atingiu um patamar inédito. Construídos para abrigar a enxurrada de forasteiros que vieram para a grande festa do esporte — um contingente de 1,2 milhão de pessoas —, empreendimentos das maiores cadeias internacionais agora lutam contra a ociosidade.

Atualmente, a taxa de ocupação de leitos hoteleiros na região está em 22%. A principal aposta é que o bairro se transforme no epicentro das feiras de negócios, eventos e turismo da cidade.

Uma das teorias em torno dos Jogos Olímpicos é que o número de visitantes de uma cidade que sedia o evento tende a crescer 25% ao ano nos cinco anos seguintes à festa, um fenômeno experimentado em metrópoles como Barcelona.

Com perfil completamente distinto daquele dos demais bairros cariocas, a Barra nasceu da cabeça do urbanista Lucio Costa (1902-1998), em 1969. Criador do Plano Piloto de Brasília, ele foi convidado pelo então governador do Estado da Guanabara, Negrão de Lima (1901-1981), para projetar um novo bairro nos imensos descampados da Zona Oeste.

O projeto previa a existência de vias expressas, zoneamento por atividade econômica e um centro administrativo que sediaria o governo do estado, na área onde hoje está o Shopping Metropolitano, junto ao Parque Olímpico. A região acabou se transformando em um Eldorado para quem buscava espaço em meio ao adensamento urbano do Centro e das zonas Sul e Norte.

Mas o tempo e governantes pouco dispostos a seguir planos fizeram com que os projetos de Costa fossem abandonados e a Barra crescesse em um modelo próprio, escorado em uma efervescente expansão imobiliária. A preparação para os Jogos Olímpicos redesenhou a estrutura de transporte de massa e o uso de espaços públicos.

Fonte – Veja Rio

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